quinta-feira, 23 de novembro de 2023

Argumento usado por escravizadores de indígenas

Dificilmente alguém descreverá melhor os motivos que fizeram tantos colonizadores percorrerem o sertão à procura de indígenas, a quem aprisionavam e escravizavam, do que aquilo que se lê neste breve parágrafo escrito por João Severiano da Fonseca (¹):
"Atravessaram, muitas vezes, estes sertões vastíssimos d'além Paraguai, Pedro Domingues e Brás Mendes, capitão do seu terço, segundo Roque Leme, natural de Sorocaba, sempre em busca de índios, com a santa ideia de os livrar do pecado, chamando-os ao grêmio da religião de Cristo - e a torpe tenção de fazê-los escravos." (²) 
Portanto, sem rodeios, para acalmar a consciência e para dar uma aparência decente ao que faziam, apresadores de indígenas - não só os citados por Severiano da Fonseca, mas uma multidão de outros - alegavam que, arrancando-os das florestas em que viviam e obrigando-os a trabalhar como escravos, estavam dando a eles a oportunidade da catequese. Ora, desde quando tal coisa é cristianismo? E que cristianismo tinham para ensinar esses homens que roubavam a liberdade dos indígenas? Argumento hipócrita, certamente, mas havia quem acreditasse nele, ou, pelo menos, fingisse acreditar, porque parecia conveniente. 

(1) Veterano da Guerra do Paraguai e integrante de uma expedição indicada para demarcar as fronteiras do Brasil com a Bolívia.
(2) FONSECA, João Severiano da. Viagem ao Redor do Brasil 1875 - 1878, Volume 1. Rio de Janeiro: Typographia de Pinheiro e C., 1880, p. 41. 


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quinta-feira, 16 de novembro de 2023

Hortas nas reduções jesuíticas na América do Sul

Os jesuítas que estabeleceram reduções indígenas na América do Sul tinham, em cada uma delas, uma horta devidamente provida, tanto de vegetais nativos como daqueles que haviam vindo da Europa com colonizadores. Em referência a uma dessas hortas, o cônego João Pedro Gay (¹) afirmou que era "murada de pedra e barro, com ruas alinhadas e plantadas de pinheiros, laranjeiras, limoeiros, marmeleiros, macieiras, pessegueiros, nogueiras da Europa, oliveiras, parreiras e outras muitas árvores e arbustos, tanto indígenas como exóticos [...]" (²). 
Assim descrita, a horta seria, com mais justiça, chamada pomar. É pena que o cônego João Pedro Gay não tenha citado por nome os arbustos cultivados, porque entre eles poderiam estar algumas plantas aromáticas muito apreciadas. Embora não mencionadas por ele, hortaliças em geral eram também cultivadas. Disso se podem tirar pelo menos duas conclusões:
  • A existência das hortas permitiu que espécies conhecidas pelos colonizadores, mas não nativas, fossem, em alguns casos, introduzidas, e, em outros, tivessem o cultivo desenvolvido e disseminado na América do Sul, um fato que talvez os jesuítas não tenham premeditado, mas para cuja ocorrência, de qualquer modo, contribuíram;
  • As hortas dos jesuítas incluíam espécies que hoje não são muito comuns na América do Sul, o que prova que seu cultivo era possível, e que razões variadas devem ter contribuído para que o plantio não se generalizasse em outras áreas de colonização.

(1) Foi cônego em São Borja - RS no Século XIX e estudioso das missões jesuíticas na América do Sul. 
(2) GAY, João Pedro. História da República Jesuítica do Paraguay. Rio de Janeiro: Typ. de Domingos Luiz dos Santos, 1863, pp. 237 e 238.


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quinta-feira, 9 de novembro de 2023

Ferramentas usadas por povos indígenas

Machado indígena (¹)

A surpresa com as ferramentas rudimentares usadas por indígenas é recorrente entre autores que estiveram no Brasil no início da colonização. O padre Yves D'Évreux, por exemplo, franciscano que esteve no Maranhão entre 1613 e 1614, afirmou:
Ralador indígena de madeira
com pedrinhas de granito (³)
"[...] estes selvagens [...] não tendo ferramenta alguma para trabalhar, quer nos bosques quer nas roças, servem-se unicamente de machados de pedra para cortar árvores, fazer suas casas e canoas, plantar raízes, e por única recompensa de seus trabalhos só comem farinha e raízes passadas por um ralador feito de pedrinhas agudas, engastadas em uma tábua da largura de meio pé." (²)
Bem, se tinham machados de pedra e, para a cozinha, um ralador, já não estavam sem ferramentas. Também é fato que indígenas não se alimentavam somente de farinha de mandioca e raízes, porque iam à pesca e à caça, e eram hábeis no manejo de suas armas. Coletavam frutas, ainda, de modo que, mesmo com a escassez de instrumentos para trabalhar, conseguiam sobreviver no ambiente em que estavam inseridos. D'Évreux minimizou as ferramentas usadas pelos indígenas que conheceu no Maranhão; mas poderia, com mais justiça, ter-se maravilhado com aquilo que eram capazes de fazer com tão poucos instrumentos.

(1) Etnia Fuini-ô Tapuya. Pertence ao acervo do Memorial dos Povos Indígenas (Brasília - DF).
(2) D'ÉVREUX, Yves. Viagem ao Norte do Brasil Feita nos Anos de 1613 a 1614. Maranhão: Typ. do Frias, 1874, pp. 43 e 44.
(3) Etnia walwa.  Pertence ao acervo do Memorial dos Povos Indígenas (Brasília - DF). 


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quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Como o líder da Revolta de Beckman foi preso

Era o ano de 1685, e estava em curso a investigação - a "devassa", como então se dizia - sobre a rebelião que ficou conhecida como Revolta de Beckman, no Maranhão. Ao estilo da época, o governador, que pretendia ver preso e justiçado rapidamente Manuel Beckman, o líder do movimento, fez passar bando pela cidade de São Luiz e adjacências, com promessa de recompensas a quem denunciasse onde se escondia, além de ameaças severas contra quem lhe desse abrigo.
Ora, Beckman era um sujeito respeitado, e a revolta por ele liderada tivera a participação de muita gente importante, que também detestava a presença dos jesuítas com sua eterna insistência em combater a escravização de indígenas, e que se sentia igualmente prejudicada pela política da Metrópole na concessão de monopólios. Mesmo com tantas ameaças, quem é que teria a coragem de denunciá-lo? 
De acordo com os Anais Históricos do Estado do Maranhão, de Bernardo Pereira de Berredo, Manuel Beckman foi preso e entregue às autoridades por ninguém menos que um seu afilhado, a quem muito estimava. O motivo seria uma das promessas feitas pelo governador, que atraiu a cobiça do rapaz:
"Havia na cidade de S. Luís um Lázaro de Melo, moço de pouca honra, ainda que contava a dos privilégios de cidadão. Tinha sido pupilo do Beckman, e era seu afilhado, mas desprezando tudo a vileza do ânimo, de que se compunha, buscou o tal padrinho na sua fazenda [...] onde sabia bem que ele se ocultava, só com o interesse de granjear pela sua prisão a Companhia das Ordenanças da Nobreza, também um dos prêmios oferecidos nos bandos do governador [...]." (¹)
Por imaginar que Lázaro de Mello jamais iria traí-lo, Manuel Beckman concordou em recebê-lo em seu esconderijo. Com a ajuda de comparsas, o afilhado amarrou e acorrentou o padrinho e, depois, entregou-o ao governador, que segundo Berredo, ficou enojado com a traição. Não obstante, no cumprimento dos deveres do cargo, fez a Lázaro de Melo a concessão do posto que pretendia:
"[...] com a mais prudente dissimulação satisfez a promessa do seu bando, mandando-lhe passar a patente de capitão da Companhia da Nobreza, que lhe ficou sendo tão afrontosa, que intentando marchar para a função da posse, não houve um só homem dos alistados nela que quisesse segui-lo [...]." (²)
Em conformidade com a legislação da época, Manuel Beckman foi enforcado. Quanto a Lázaro de Mello, ainda de acordo com Berredo, teve morte semelhante, por acidente, alguns anos mais tarde:
"[...] além de lhe granjear a sua aleivosia um universal ódio, se enforcou por desgraça, depois de alguns anos, em uma engenhoca de fazer aguardente, acabando a vida também de garrote [...]." (³)

(1) BERREDO, Bernardo Pereira de. Anais Históricos do Estado do Maranhão Livro XIX. Lisboa: Oficina de Francisco Luiz Ameno, 1749, p. 622. 
(2) Ibid., p. 623.
(3) Ibid., p. 625. 


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quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Leis draconianas

Quando se faz uma lei severa demais, é costume dizer-se que é "draconiana". Por quê?
Drácon foi um legislador ateniense que viveu no Século VII a.C., e, segundo Plutarco, revogar a maioria de suas leis teria sido o primeiro ato de governo de Sólon. O Código de Hamurabi, no qual vigorava a lei de talião, ou seja, a retribuição semelhante ao crime cometido - quem matava, devia morrer, quem causava um ferimento, recebia ferida igual - nem de leve chegava perto da severidade das leis de Drácon. O mesmo pode ser dito da Lei de Moisés, também regida, em grande parte, pela lei de talião - "olho por olho, dente por dente" (¹) - talvez explicável pelo contexto social em que foi produzida. 
As leis de Drácon, contudo, iam muito além, porque, segundo Plutarco, "eram em extremo severas e cruéis, impondo penas muito grandes para delitos muito pequenos. Para quase todas as infrações havia a imposição da pena de morte" (²).
É verdade que, para Drácon, aos homicidas cabia a sentença de morte, também admitida para aqueles que cometessem crime de sacrilégio (coisa tanto mais complicada quanto eram quase infinitos os deuses); mas também é fato que o crime de injúria e até mesmo o "furto de frutas e outros vegetais, ou outras coisas de pouco valor" (³), também devia significar um ponto final à existência do infrator. 
Em consequência, logo se tornou corrente o dito de que Drácon, em lugar de tinta, havia usado sangue ao escrever suas leis. Havia mais: interrogado quanto à razão de tanta severidade, Drácon teria respondido que "a seu ver, pequenos delitos mereciam ser castigados com a morte, e, quanto aos grandes crimes, não encontrava, para eles, penalidade maior que a morte" (⁴). Não parece boa a explicação, e bem se pode imaginar que, tendo Sólon revogado as leis de Drácon, toda a cidade de Atenas pôde respirar com alívio.

(1) Cf Exodus XXI, 24-25: "oculum pro oculo, dentem pro dente, manum pro manu, pedem pro pede, adustionem pro adustione, vulnus pro vulnere, livorem pro livore."  
(2) PLUTARCO, Vitae parallelae. Os trechos aqui citados da biografia de Sólon em Vitae parallelae foram traduzidos por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias.
(3) Ibid. 
(4) Ibid. 


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quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Argumentos para trazer missionários jesuítas ao Brasil no Século XVI

Houve, no Século XVI, alguns casos de jesuítas que, estando muito doentes em Portugal, decidiram vir ao Brasil, acreditando que gastariam bem seus últimos dias sobre a terra se estivessem ocupados na catequese de indígenas. Ocorre que, ao chegarem ao Continente Americano, não só recuperaram a saúde, como ainda viveram largos anos, estimando-se que a mudança de ares fora a causa desse (quase) milagre. A despeito dos riscos inerentes à travessia do Atlântico, a vinda ao Brasil passou a ser vista como uma possibilidade de melhora na saúde dos padres que, vivendo no Reino, não encontravam alívio nos tratamentos a que eram submetidos. Convenhamos: a medicina da época não ajudava muito.
Mesmo assim, era reduzido o número de missionários envolvidos na catequese de indígenas e no ensino dos meninos, filhos de portugueses, e, por essa razão, os jesuítas encarregados da redação de cartas para seus irmãos de Ordem, viviam citando as palavras de Jesus nos Evangelhos, de que a seara era mesmo grande, mas eram poucos os trabalhadores (¹). Era preciso pedir mais gente para tanto trabalho. 
Que argumentos mais poderiam ser úteis para encorajar candidatos a missionários? Uma carta escrita na Bahia em setembro de 1560 pelo padre Rui Pereira, destinada aos jesuítas que viviam em Portugal, nos dá, indiretamente, algumas pistas de quais poderiam ser os pretextos para não vir - comida diferente, desconforto da vida no Brasil, etc. - e como poderiam ser refutados. Vejamos, primeiro, a questão da alimentação:
"[...] Se em Portugal há galinhas (²), cá as há muitas e mui baratas; se tem carneiros, cá há tantos animais que caçam nos matos e de tão boa carne, que me rio muito de Portugal em essa parte. Se tem vinho, há tantas águas que a olhos vistos me acho melhor com elas que com os vinhos de lá; se tem pão, cá o tive eu por vezes e fresco, e como antes dos mantimentos da terra que dele. E está claro ser mais sã a farinha da terra (³) , que o pão de lá; pois as frutas coma quem quiser as de lá, das quais cá temos muitas, que eu só as de cá me quero. [...]" (⁴) 
Mas quem quereria trocar as horas de sono em uma cama confortável, por uma rede, como aquelas em que dormiam os indígenas, fosse no mato ou em alguma povoação de colonizadores? Responde o padre Rui Pereira:
"[...] Dir-me-ão que vida pode ter um homem dormindo em uma rede pendurado no ar, que é isso cá tão grande coisa que tenho eu cama de colchões, aconselhando-me o médico que dormisse na rede, e achei tal, que nunca mais pude ver cama, nem descansar noite que nela dormisse, em comparação do descanso que nas redes acho. Outros terão outros pareceres, mas a experiência me constrange a ser dessa opinião." (⁵)
O jesuíta Rui Pereira argumentava com base em suas preferências. Talvez fosse um exemplo notável de aculturação ou, pelo menos, de adaptação às possiblidades em terra de missões. Argumentos como os seus, contudo, podem ter influenciado aqueles que, indecisos, vacilavam em "passar ao Brasil". Independentemente do que se pense do modo como aconteceu a catequese de indígenas, ser missionário no Século XVI não era para qualquer um.

(1) Cf. Evangelium Secundum Mattheum, 9. 37, 38 - "[...] messis quidem multa operarii autem pauci / rogate ergo dominum messis ut eiciat operarios in messem suam"; Secumdum Lucam 10. 2 - "messis quidem multa operari autem pauci rogate ergo Dominum messis ut mittat operarios im messem"
(2) A carne de galinha era vista, na época, como um alimento favorável aos enfermos. 
(3 Farinha de mandioca.
(4) Cf. LISBOA, Balthazar da Silva. Annaes do Rio de Janeiro, tomo VI. Rio de Janeiro: Seignot-Plancher, 1835, p. 153.
(5) Ibid., p. 154.


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quinta-feira, 12 de outubro de 2023

Em defesa da leitura

Já ouvi alguns amigos falando de sua preocupação com os filhos em idade escolar, que não querem ler nada que tenha mais de duas ou três linhas. A dificuldade é mais ou menos a mesma quando se trata de escrever. Seja porque não querem, ou porque alegam não gostar, ou ainda porque não adquiriram a capacidade para isso, muitas crianças e adolescentes evitam qualquer tipo de leitura, principalmente se for tarefa requerida pelos professores. Quanto à escrita, nem se fala. Pais e mães, ansiosos devido à situação, tendem a responsabilizar os meses (anos, em alguns casos) de aulas virtuais que, para muitos alunos, foram um tempo de aula nenhuma. Simplesmente dormiam diante do computador. 
Seria completa tolice supor que os mais jovens não foram afetados pelos tempos difíceis da pandemia. Sofriam a seu modo, talvez observando em silêncio a tensão que a família deixava transparecer, quando, devido ao isolamento social, o tempo de convivência doméstica aumentou. Mas, e agora que as coisas estão razoavelmente normais, ou pelo menos parecem estar? 
Meu ponto de vista é bem simples: a escola deve priorizar a aquisição de capacidades fundamentais, deixando de lado, temporariamente, os penduricalhos que chegam a engessar o programa das disciplinas. Minha abordagem sobre o desenvolvimento da leitura, e, por consequência, também da escrita, partirá desse princípio.
Leitura corrente é indispensável. Seu desenvolvimento não pode estar ligado apenas ao processo de alfabetização. Tem de persistir ao longo de toda a escolaridade. E, é bom já dizer, não há equivalência entre assistir filmes e ler obras literárias. É pouco provável que alguém interrompa um filme para refletir sobre ele. Quanto à leitura, oferece oportunidade para reflexão sobre o texto, sobre as ideias que o autor apresenta. Segue em ritmo pessoal, não no ritmo adotado por um diretor de cinema. 
Alega-se que a geração atual não tem mais a concentração necessária à leitura de obras de maior fôlego. Isso pode ser decorrência, ao menos em parte, da alfabetização deficiente. A péssima leitura, a capacidade muito limitada de escrita e o vocabulário reduzido, fenômenos encontráveis, infelizmente, até com certa frequência, mesmo em estudantes do ensino superior, explicam muito do desinteresse por livros. No entanto, não há crescimento intelectual sem leitura e sem capacidade de reflexão. Por isso é tão importante que, desde os anos iniciais, a aquisição da capacidade plena de leitura e o desenvolvimento das habilidades necessárias à produção de textos claros, ainda que simples, sejam prioridade absoluta. Disso depende, em larga escala, o sucesso de um estudante à medida que avança na escolarização.
O que vemos são crianças e jovens com aversão a qualquer coisa escrita. Não estou combatendo os vídeos e outras mídias. Espero que não reste dúvida, no entanto, de que o ambiente escolar é feito para fornecer um conhecimento que não virá de outro lugar.
Por que gastar tempo repisando informações que os pais, de qualquer condição, podem dar às crianças? Aliás, é alto tempo de chamar pais às responsabilidades da educação doméstica, que lhes pertencem, por direito e por obrigação. A escola, na atual conjuntura, precisa ter o foco em capacidades que a ela correspondem, e que não poderiam, facilmente, ser desenvolvidas sem sua intervenção. Ocorre que, com o passar do tempo, mais e mais obrigações, antes desempenhadas pelas famílias, foram lançadas sobre as escolas. A ocasião é favorável para reverter esse processo desastroso.
Assim, digo aos amigos preocupados, aos pais e mães que leem este blog, aos professores: não permitam, na formação de seus filhos e/ou alunos, que outras atividades, ainda que importantes, tomem o lugar da leitura e do desenvolvimento da capacidade de expressar as ideias na forma escrita. Não deem incentivo à preguiça ou às realizações medíocres como se fossem dignas dos maiores elogios. Trabalhoso? Sim, mas que sirva de encorajamento a certeza de que isso é o que se espera de educadores conscientes da importância do que fazem para o futuro das crianças e adolescentes que hoje estão sob sua responsabilidade. 


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