Se podemos crer no que escreveu Dion Cássio (¹), a ditadura foi inventada em Roma (que pensar dessa ideia?...) em uma ocasião em que, na iminência de uma guerra contra os latinos, a multidão de plebeus, que era maioria no exército, demonstrava a máxima preguiça em pegar em armas, a menos que suas dívidas fossem devidamente perdoadas (²). A questão das dívidas foi, em tempos da República em Roma, um motor de conflitos entre patrícios e plebeus, ainda que não tenha sido o único.
Como obrigar essa gente insatisfeita a lutar?
Ainda que odiassem a monarquia, os romanos decidiram criar um novo cargo, o de ditador, com poderes, até certo ponto, semelhantes aos dos monarcas na Antiguidade. A pessoa para isso escolhida tinha autoridade quase ilimitada e podia, inclusive, condenar à morte qualquer desobediente, fosse na cidade ou em campos de batalha. Suas decisões eram inapeláveis e nem mesmo os membros do Senado estavam isentos de prestar-lhe obediência. Restrições? Sim, havia: estava proibido de montar cavalo, a não ser que fosse para ir à guerra (cavalos eram armas poderosas naquele tempo) e somente lhe era permitido fazer gastos públicos que fossem votados e aprovados.
Com tanto poder, um homem talvez chegasse a se considerar rei. Para impedir tamanho pecado, o mandato de um ditador não deveria ir além de seis meses. Era, supunha-se, a garantia contra aventuras monárquicas. Houve, contudo, um sujeito que, em meio a tantas estripulias políticas e militares, ousou aceitar o título de "ditador vitalício". Sim, foi Júlio César, e vocês, leitores, apaixonados por História, sabem muito bem o que, afinal, aconteceu a ele. Nessa ocasião, porém, a República já desfalecia.
(1) Viveu entre o segundo e terceiro século d.C.
(2) História Romana, Livro IV.
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