Mostrando postagens com marcador Naturalis Historia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Naturalis Historia. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de abril de 2023

O primeiro pavão servido em um banquete romano


Animais exóticos, trazidos de longe, eram em extremo apreciados na Roma Antiga. As feras eram destinadas a lutas nos espetáculos sangrentos de que os romanos tanto gostavam. Seres mais pacíficos, pavões, por exemplo, podiam ter um destino igualmente trágico - mas não iriam lutar no Coliseu. Já voltaremos a falar deles. 
Contrariando a frugalidade vigente nos primeiros tempos da cidade, Roma, à medida que se fez Império, passou a apreciar os banquetes nos quais se servia tudo que houvesse de mais estranho. Esquisitices eram procuradas avidamente. Apício, o famoso chef contemporâneo de Augusto e Tibério, era partidário da ideia de que línguas de flamingo eram uma iguaria muito desejada por seu sabor em extremo delicado (¹). Aguentem, leitores: consta que nas ilhas Baleares, também na Antiguidade, filhotes de coelho eram extraídos da mãe antes do nascimento, já que eram tidos por iguaria finíssima (²). 
Agora, voltemos a falar dos pavões. De acordo com Plínio, no livro X de Naturalis Historia, "o orator Hortensius foi o primeiro romano a matar um pavão para que fosse servido no banquete de inauguração de seu sacerdócio" (³). Parece que, desde então, as belas aves já não tiveram sossego. Ainda em conformidade com Plínio, no primeiro século antes de Cristo houve quem criasse e engordasse pavões para banquetes, ganhando muito dinheiro com isso. Não se deve supor, contudo, que toda refeição em Roma fosse feita nesses padrões. A maioria da população tinha hábitos alimentares bem mais simples, e se supunha feliz quando tinha comida suficiente. Refeições longas e extravagantes eram apenas para a elite, acostumada à prodigalidade decorrente das riquezas que o Império obtinha com suas conquistas militares. Não para sempre, porém. 

(1) Cf. PLÍNIO, o Velho, Naturalis História, Livro X. Essa obra foi publicada na segunda metade do Século I d.C.; seu autor morreu no soterramento de Pompeia e Herculano em 79 d.C.
(2) Ibid., Livro VIII.
(3) Ibid., Livro X. O trecho citado foi traduzido por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias


Veja também:

quinta-feira, 30 de março de 2023

O primeiro romano a ter um viveiro de aves

É doloroso ver pássaros em gaiolas, e mesmo em viveiros. Não deveriam fazer uso das asas livremente? O costume de ter aves aprisionadas nada tem de novo, sendo possível inferir, por numerosos registros da Antiguidade, que muitos monarcas tinham orgulho em ostentar viveiros com a maior variedade possível de aves silvestres. Se um visitante estrangeiro queria presentear um rei, poderia estar certo de agradar se apresentasse uma ave ou animal exótico. Curiosamente, até mesmo tributos de povos dominados eram, às vezes, pagos, em parte, com seres vivos considerados extravagantes. 
Plínio, o Velho, no Livro X de Naturalis Historia, atribuiu a introdução, entre os romanos, da moda de ter um aviário, a certo aristocrata de Brindisi: "O primeiro a ter um aviário contendo toda sorte de aves foi M. Lænius Strabo, da Ordem Equestre de Brindisi. Com ele teve início o costume de colocar em jaulas os seres vivos que a natureza havia destinado aos céus." (*)
Sim, Plínio estava certo no entendimento de que as aves haviam nascido livres e deveriam voar como bem entendessem. Não estendeu a reflexão, contudo, ao fato de que seres humanos eram, também, livres por natureza, e não deveriam ser escravizados. Como se sabe, a economia romana estava edificada sobre a exploração da força de trabalho cativa, e não era usual que se imaginasse uma mudança nesse padrão, tão pérfido quanto conveniente para os proprietários de escravos e para a grandeza do Império. 

(*) PLÍNIO, o Velho, Naturalis Historia, Livro X. O trecho citado foi traduzido por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias


Veja também:

quinta-feira, 29 de dezembro de 2022

Águias romanas

A força, ou a sagacidade, agilidade e beleza de certos animais e aves são tão notórios que, no passado, resultaram em identificação de reinos e exércitos com um ou mais deles. Não só no passado: que se vejam, por exemplo, os mascotes de equipes de futebol, e, aqui e ali, serão encontrados o leão, a águia, o galo - o canário?!! - quase um zoológico completo, cuja lista, por muito extensa, deixo a cargo dos leitores.
Se a Macedônia de Filipe e Alexandre Magno tinha um caprino como símbolo, os romanos ostentavam águias nos estandartes que, orgulhosamente, eram conduzidos à frente de suas legiões. Contudo, nem sempre foi assim. No dizer de Plínio, o Velho, esse costume foi introduzido por volta de 104 a.C., durante o segundo consulado do famoso e polêmico Caio Mário (¹):
"As águias foram adotadas como distintivo das legiões romanas durante o segundo consulado de Caio Mário. Outros quatro símbolos foram usados anteriormente, os lobos, os minotauros, os cavalos e os javalis, diante das respectivas colunas; poucos anos mais tarde tornou-se costume que apenas as insígnias das águias fossem conduzidas ao campo de batalha, ficando as outras no acampamento. [...]." (²)
Deixando de lado algumas lendas que se criaram em torno desse fato, é preciso considerar que, entre os romanos, a divindade principal, Júpiter, vinculava-se à águia desde tempos remotos. Essa é uma explicação simples e plausível para a adoção dessa ave nos estandartes romanos, porque, para a mentalidade religiosa que imperava na Antiguidade, levar o símbolo de um deus ao campo de batalha equivalia a ter, ali, sua presença real, e, portanto, também o poder e a força da divindade assim honrada.
Plínio referiu, ainda, que, desde que as águias passaram a figurar nos estandartes, "[...] notou-se que dificilmente havia um acampamento de inverno das legiões em que não houvesse um casal de águias por perto" (²). Credulidade? Coincidência? Talvez a explicação mais lógica esteja ligada às condições vigentes nos locais tradicionalmente escolhidos para que a soldadesca invernasse.

(1) Caio Mário foi cônsul por nada menos que sete vezes.
(2) PLÍNIO, o Velho. Naturalis Historia, Livro X. Os trechos citados foram traduzidos por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias.


Veja também:

terça-feira, 19 de março de 2019

De que os camaleões se alimentam

Como regra geral, a ciência da Antiguidade não era baseada em padrões de experimentação e de verificação de observações. Alguém viajava, voltava contando coisas que teria visto e ouvido em terras distantes e, como era difícil averiguar se o que dizia era verdade, mesmo autores sérios seguiam repetindo tolices cabeludas - seria trabalho demais empreender longas jornadas, com riscos evidentes nas condições em que se viajava nesses tempos, apenas para saber a verdade sobre seres vivos que poucos teriam oportunidade de ver. 
Deve ter sido assim com a descrição do camaleão feita por Plínio, o Velho (¹), no Livro VIII de Naturalis historia. Sim, ele mencionou a mudança de cores dos camaleões de acordo com o lugar em que podiam ser vistos, falou de seus olhinhos arregalados, de sua boca sempre aberta, mas foi aí que veio a lorota: "[...] é o único animal que não come e não bebe, mas faz do ar seu alimento [...]." (²)
Os leitores que já viram um camaleão devem estar rindo: as várias espécies são predominantemente insetívoras, servindo-se da velocidade espantosa de sua língua para capturar seres incautos que estejam ao redor. Talvez seja o caso de questionar a capacidade visual de Plínio e/ou de seus informantes, que nada sabiam sobre a língua longa e pegajosa que permite a esses animaizinhos a obtenção de alimento. Se não podiam vê-los comendo, concluiu-se que viviam de ar. Não se registrou qualquer dissecção para saber o que é que teriam no estômago.

Imagem de camaleão em uma obra (³) do Século XVI (⁴), na qual - acreditem - ainda se repete
a ideia  de que esses animais tinham o ar como alimento, acrescentando-se: "e da luz solar".

(1) Reputado um dos maiores gênios da Antiguidade. Se é verdade que em seus escritos há muitos erros, também é fato que contêm muitos acertos
(2) O trecho citado de Naturalis historia foi traduzido por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias.
(3) GESNER, Conrad. Icones Animalium Quadrupedum Viviparorum et Oviparorum. Zürich: Christof Froshover, 1560, p. 117.
(4) Bem longe da Antiguidade, portanto.


terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Para que os romanos usavam marfim

Elefantes adultos têm presas muito desenvolvidas. Infelizmente para eles, essa característica tem resultado em perseguição e extermínio. Mesmo havendo muita pressão para que o emprego do marfim, independentemente da finalidade, seja banido por completo, o tráfico ilícito persiste e o cenário internacional favorece a suposição de que será difícil erradicá-lo.
Elefantes foram muito admirados na Antiguidade. Os romanos, por exemplo, que desde a guerra contra Pirro haviam aprendido a temer esses animais, chegaram também a usá-los em combate e, não satisfeitos, passaram a incluí-los nos espetáculos realizados para entretenimento de multidões de desocupados (¹). Todavia, há registro de que em 114 a.C. o Senado tentou impedir que animais africanos fossem trazidos à Itália, sob o temor de que escapassem e saíssem do controle, criando problemas de segurança para a população - na Antiguidade, essa era uma preocupação legítima. Um tribuno da plebe, porém, logo entrou em ação para que os espetáculos de crueldade, nos quais elefantes eram protagonistas e vítimas, não fossem prejudicados. Esse incidente foi assim descrito por Plínio (²), no Livro VIII de Naturalis historia: "Um senatus consultum vetou a entrada de feras africanas na Itália, porém Cneu Aufídio, sendo tribuno da plebe, obteve em assembleia popular que essa decisão fosse revogada, permitindo-se a importação para espetáculos circenses." (³)
Contudo, havia algo mais, quanto aos elefantes, que despertava grande interesse em Roma: era o marfim proveniente das presas. Foi também Plínio quem disse: "Presas de elefantes são vendidas a preço elevado, fornecendo um belíssimo material para imagens de deuses." (⁴)

Nesta gravura do Século XVI (⁵),  vê-se a tentativa de representar um elefante - que tal, leitores?

(1) Apenas uma dentre as muitas consequências da escravização em massa de inimigos derrotados em combate.
(2) 23 d.C. - 79 d.C.
(3) PLÍNIO. Naturalis historia, Livro VIII.
(4) Ibid. Os trechos de Naturalis historia citados nesta postagem foram traduzidos por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias.
(5) GESNER, Conrad. Icones Animalium Quadrupedum Viviparorum et Oviparorum. Zürich: Christof Froshover, 1560. A imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog.



Veja também:

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

A primeira girafa vista em Roma

Talvez esta simpática criatura tenha orgulho de seu parentesco
com a primeira girafa vista em Roma

Tarefa para vocês, leitores: tentem descrever uma girafa para alguém que nunca tenha visto dito animal, nem mesmo em fotografia. Não é muito fácil, concordam? Plínio, o Velho (¹), grande escritor da Antiguidade, enfrentou esse desafio, ao informar, no Livro VIII de Naturalis historia, que a primeira girafa vista em Roma fora trazida à cidade nos dias de Júlio César:
Que tal, leitores? Acham que esta gravura
do Século XVI (⁵) faz justiça às girafas?
"Nabun é o nome dado pelos etíopes a um [animal] que tem pescoço semelhante ao do cavalo, pés e pernas de boi, cabeça de camelo e manchas claras no pelo avermelhado (²), pelo que é chamado camelopardo, e foi visto pela primeira vez em Roma durante os jogos circenses do ditador César (³)." (⁴)
Não demorou muito para que toda a cidade percebesse que a girafa era pacífica demais para protagonizar espetáculos de brutalidade à moda romana, em que figuravam lutas, tanto entre animais, apenas, como também entre homens e animais. Combates assim só terminavam, como regra, quando um dos contendores morria. Às vezes, para delírio da plateia, ambos davam o último suspiro, ali mesmo, na arena, sob os olhares e brados da multidão ensandecida. De acordo com Plínio, foi quando perceberam essa feliz inaptidão da bela herbívora das savanas africanas que os romanos deram à girafa um apelido: "Verificando-se que era notável mais pelo aspecto que pela ferocidade, foi também chamada "ovelha selvagem".

(1) 23 - 79 d.C.
(2) Não é exatamente assim, o que nos leva à conclusão de que, ou Plínio cometeu um pequeno engano, ou nunca viu uma girafa de perto.
(3) César foi ditador entre 49 e 44 a.C.
(4) Os trechos citados de Naturalis historia foram traduzidos por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias.
(5) GESNER, Conrad. Icones Animalium Quadrupedum Viviparorum et Oviparorum. Zürich: Christof Froshover, 1560, p. 42. A imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog.



Veja também:

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

Duas coisas sobre as mulheres que os antigos romanos não sabiam

Pode ser que os antigos romanos desconhecessem muitas outras coisas sobre as mulheres, mas para estas duas de que vamos tratar existe comprovação. Ambas podem ser lidas em Naturalis historia, e, segundo todas as aparênciasPlínio, o Velho, (¹), o grande enciclopedista do mundo romano, acreditava piamente no que escreveu. Vejamos, pois..
Homens e mulheres têm número diferente de dentes? (²) Plínio achava que sim: "Homens têm trinta e dois dentes", afirmou, "mulheres têm menos" (³). Só não explicou como foi que chegou a tal conclusão.
Tem mais. Plínio sabia que a população mundial se dividia em destros e canhotos, obviamente em proporções desiguais. A partir desse fato (verídico), pontificou: "A mão direita é mais forte, embora alguns tenham ambas fortes, e outros tenham mais forte a esquerda, o que nunca ocorre em mulheres [...]." (⁴) Ora, meus leitores, contrariando Plínio, posso afirmar, no mais extremo grau de certeza, que sim, isto ocorre em mulheres!
Não imaginem que estou desrespeitando um dos maiores gênios dos dias antigos. Nada disso. A pergunta que devemos fazer é: Por que um sábio como Plínio escrevia essas tolices?
Talvez a resposta esteja, em parte, no modo como se fazia ciência na Antiguidade. Poucos eram dados a investigar supostas informações, e menos numerosos ainda os que ousavam algum experimento para comprovar ou descartar uma suposição. Então, se a crença popular era de que mulheres tinham menos dentes que homens, dificilmente alguém iria andar examinando bocas para contar os dentes das senhoras romanas. Seria, no mínimo, um brutal constrangimento.
Outra questão importante está relacionada à educação que meninos e meninas recebiam em Roma, bem como às atividades quotidianas que homens e mulheres habitualmente realizavam. É perfeitamente possível que, não tendo aprendido a escrever, uma mulher passasse a vida toda sem saber que era canhota, malgrado o bullying das amigas por ser um pouco desastrada nos trabalhos de agulha e na execução de tarefas domésticas que  lhe haviam ensinado a fazer com uso da mão direita (⁵). 
Finalmente, podemos argumentar que a convivência entre homens e mulheres no mundo romano era muito diferente da que pode ser vista hoje no Ocidente. É verdade que as mulheres de Roma tinham mais direitos e mais liberdade que as gregas; também é fato que, como regra geral, não viviam trancafiadas em um compartimento da casa, de onde seria indecoroso sair, a não ser que acompanhadas por pai, marido, filho ou outro parente do sexo masculino. Mas também é notório que muitos homens se imaginavam em um plano superior, com suas atividades na vida pública, quer no exercício da política, quer em ocupações militares, e seu contato com as mulheres não ia, muitas vezes, além do tempo gasto para gerar filhos, intencionalmente ou não. Resultava, desse cenário, o pouco conhecimento e as muitas superstições que circulavam a respeito das mulheres. Parece surpreendente?

(1) 23 - 79 d.C.
(2) Supondo dentição completa, claro.
(3) Naturalis historia, Livro VII.
(4) Ibid.
Os trechos citados de Naturalis historia foram traduzidos por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias
(5) Em tempos posteriores - lembremo-nos - canhotos, fossem homens ou mulheres, ainda sofreriam a discriminação dos que os viam como mensageiros do mal, por sua incrível habilidade com a mão esquerda. Talvez o futebol tenha contribuído para reabilitar canhotos, à medida que atletas notáveis com o pé esquerdo ganharam fama mundial. Em todo caso, não estão muito longe os dias em que alunos canhotos eram maltratados na escola e, não raro, obrigados a escrever com a mão direita. E depois ainda havia quem dissesse que canhotos "tinham letra feia"...


Veja também:

quinta-feira, 8 de março de 2018

O comércio, a pesca marítima e o desenvolvimento das técnicas de navegação

Sobrevivência e expectativa de lucro são dois elementos eficazes para vencer a preguiça e forçar a humanidade a ir além do habitual - alguém discorda? Plínio, um romano que viveu entre 23 e 79 d.C., escreveu no Livro VI de Naturalis Historia (¹): "O interesse pelo lucro encurtou a distância até a Índia." (²)
É claro que Plínio não estava sugerindo que a Terra havia encolhido - suas palavras eram, sim, uma referência à descoberta, ainda em tempos do Império Romano, de uma rota marítima mais favorável, com base nas monções. A propósito, este é um bom momento para demolir a ideia absurda que ainda anda pela cabeça de alguns, segundo a qual foi somente durante as Cruzadas que artigos de luxo do Oriente despertaram o interesse de europeus. Como se vê, o apreço por sedas, joias, especiarias, móveis sofisticados e muitos outros artigos finos vem da Antiguidade. Era por isso que marinheiros cruzavam o Índico, embora, desde a Península Arábica, a rota fosse completada por terra.
Embarcação egípcia da Antiguidade (³)
A ampliação dos conhecimentos de navegação não favorecia somente o comércio de luxo. Havia o benefício à pesca, que não era uma questão de mera curiosidade, lazer ou de desenvolvimento do saber científico; também não era, em suas origens, intrinsecamente vinculada a projetos de expansão territorial. Tinha como meta a obtenção de alimento. Se houvesse bastante para o comércio, tanto melhor, mas era, com prioridade, uma questão de sobrevivência para os povos litorâneos, que tinham, às vezes, território escasso para cultivo e pastagens. Romanos, por exemplo, eram vorazes apreciadores de atuns, mas, para obtê-los, deviam enfrentar as águas do Mediterrâneo. Como regra geral, consideravam que os melhores atuns eram provenientes dos arredores da ilha de Samos, embora os de Bizâncio e da Sicília também fossem apreciados.
Soa mal dizer que a necessidade de assegurar um suprimento de proteínas e a paixão pelo lucro foram vitais para o desenvolvimento da navegação astronômica? Fica a seu critério, leitor, decidir o caso. Mas foi assim que a navegação estritamente de cabotagem foi superada. Os conhecimentos científicos resultantes, a princípio meros efeitos colaterais, seriam, posteriormente, decisivos para a humanidade, inclusive para "encolher" de vez este planeta, a partir dos Séculos XV e XVI.

(1) Pode-se dizer que, sob vários aspectos, Naturalis Historia foi uma espécie de enciclopédia da Antiguidade; o fato notável é que essa obra de tão vasto alcance foi escrita por uma só pessoa.
(2) A citação de Naturalis História foi traduzida por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias.
(3) LINDSAY, W. S. History of Merchant Shipping  vol. 1. London: Sampson Low, Marston, Low, and Searle, 1874, p. 56.



Veja também:

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Humanos muito estranhos que antigos diziam ter visto

Navegadores europeus dos Séculos XV e XVI que foram à África, Ásia ou ao Continente Americano relataram, às vezes com alguma decepção, que não haviam encontrado "gente estranha" nas terras percorridas. Referiam-se a criaturas disformes, ainda que dotadas de alguma semelhança com a espécie humana "normal". Não se preocupem, leitores, se a ideia não está muito clara. Logo adiante vocês entenderão melhor o que isto significa.
De onde viria, no entanto, a expectativa quanto ao encontro dessas variantes da humanidade? Plínio, o Velho, nos Livros V a VII de Naturalis Historia cita uma infinidade de supostos humanos, supostamente vistos por viajantes que, também supostamente, teriam andado por terras longínquas e que, mais tarde, deslumbrando seus contemporâneos, haviam escrito alguma coisa a fim de registrar para a posteridade suas tão notáveis descobertas. O ilustre panteão incluía:
  • Seres sem cabeça, cuja boca e olhos estavam no peito, e que habitariam um lugar na África;
  • Gente sem língua, nariz, etc., também vivendo no interior do Continente Africano;
  • Homens com pés ao contrário, mas, ainda assim, extremamente velozes;
  • Um povo que teria duas pupilas em cada olho (¹);
  • Gente que, durante a juventude, tinha os cabelos brancos, que enegreciam com o envelhecimento (²);
  • Um povo (na Índia) que não tinha nem dor de cabeça, nem dor de dente (³);
  • Também na Índia, um povo que se nutria apenas dos aromas que aspirava;
  • Homens com uma só perna e que, portanto, se moviam aos saltos;
  • Homens que teriam uma longa cauda coberta de pelos (⁴);
  • Finalmente, segundo a lista de Plínio, "nos desertos da África, espécies de homens aparecem aos viajantes e se esvaem em seguida" (⁵).
Que lhes parece, leitores: basta?
Na Antiguidade greco-romana, pouca gente tinha a oportunidade de viajar, especialmente quando se tratava de percorrer regiões algo distantes do Mediterrâneo. Portanto, se alguém alegava ter visto alguma monstruosidade, talvez os leitores e/ou ouvintes até duvidassem de sua palavra, mas era pouco provável que alguém fosse verificar. Viajantes podiam simplesmente mentir à vontade, e sempre haveria alguém para acreditar em sua conversa fiada. Plínio teceu, ele mesmo, uma interessante explicação para esse oceano de tolices: "Pessoas de alta posição, não dadas a investigações acuradas, mas constrangidas de manifestarem ignorância, não vacilam em mentir, uma vez que os maiores erros não parecem falsos quando vêm de um autor preeminente." (⁶)
Mas, se quisermos ser justos, teremos de admitir que nem sempre um contador de histórias estava mentindo. O medo em face do desconhecido às vezes suplanta a racionalidade e leva a crer nas maiores aberrações. E há, ainda, os erros de interpretação. Um indivíduo que viajou por terras distantes trouxe, ao retornar, a pele de dois seres que abatera e que ele acreditava pertencerem a uma raça de homens: eram baixinhos, cobertos de pelos longos e escuros, viviam em árvores e emitiam sons roucos em lugar da fala. Primatas? Sim, provavelmente, mas não humanos. Vocês, leitores, já sabem do que se tratava, não?

(1) Isso faz lembrar um pouco as representações de ETs que aparecem na literatura e no cinema.
(2) Qual seria a vantagem?
(3) Começa a ficar interessante...
(4) Não poderia faltar.
(5) A provável explicação deve ter escapado a Plínio.
(6) Naturalis Historia, Livro V. O trecho citado foi traduzido por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias.


Veja também:

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Quanto o Nilo precisava transbordar para que as colheitas fossem boas

Vocês sabem, leitores, que, graças às enchentes periódicas do Nilo, o Egito foi, na Antiguidade, o mais destacado celeiro do mundo mediterrânico. Mas não pensem que, ano após ano, as cheias eram rigorosamente iguais. Nada disso. E, porque não eram, a época em que as águas deveriam começar a subir era cercada de grande expectativa. Não era para menos: suprema fartura e miséria estavam entre os resultados possíveis de um transbordamento mais ou menos generoso. Era feita uma medida exata do nível do rio, enquanto as águas, ao se espalharem pelas margens, arrastavam consigo o precioso húmus que fertilizava o solo. Isto, de acordo com Plínio (¹), no Livro V de Naturalis Historia, devia acontecer anualmente, pouco depois do solstício de verão:
"O Nilo começa a subir na primeira lua nova após o solstício de verão, e vai aumentando gradualmente de volume enquanto o sol passa por Câncer, chegando ao auge quando está em Leão; em Virgem o volume decresce pouco a pouco." (²)
Mas quanto, afinal, era necessário que as águas se elevassem acima do nível normal? Continuamos com Plínio:
"Com doze cúbitos a fome se manifesta, com treze há escassez, quatorze começa a trazer alegria, com quinze há segurança, com dezesseis, felicidade. O máximo transbordamento já registrado foi de dezoito cúbitos, durante o principado de Cláudio, e o mínimo foi de cinco, na época da Batalha de Farsália (³), qual grande prodígio [...]."
Cabem aqui, leitores, ao menos duas observações:
  • O cúbito (ou côvado) egípcio tinha cerca de 50 cm; o romano, um pouco menos. Plínio não explicou qual deles utilizou, de modo que, fazendo uso do valor mais alto, constatamos que, para a ocorrência de fome, haveria uma elevação de apenas seis metros, enquanto que um acréscimo de oito metros traria abundância. Os extremos registrados por Plínio seriam, respectivamente, de dois e meio e nove metros.
  • Plínio tinha um modo romano de ver os fatos, não de todo injustificável, já que ele próprio era romano e os romanos, em seu tempo, eram os "donos do mundo". Além disso, os leitores de Plínio seriam romanos também. Desde que os romanos passaram, implícita ou explicitamente, a mandar no Egito, fizeram dele a central de abastecimento de Roma, livrando-a da ameaça da fome e, por conseguinte, de uma revolta popular que poderia ter consequências incalculáveis. Por isso, não é surpresa que mencione níveis máximo e mínimo a partir de ocasiões relevantes para os romanos. A história do Egito é muito longa e muito anterior ao nascimento de certa cidadezinha insolente na Península Itálica, sendo bastante provável que, ao longo de muitos séculos, outros momentos de máxima e mínima na elevação do Nilo tenham ocorrido. 
Pois bem, finda a cheia, o que acontecia? De acordo com Heródoto, competia aos camponeses lançar sementes ao solo e deixar que seus rebanhos pisoteassem o terreno. As sementes, germinando, trariam colheitas melhores ou piores, de acordo com a cheia que precedera a semeadura. A vida dos camponeses egípcios seria, portanto, quase um paraíso... Mas não era. Como quase todos os camponeses, em quase todos os lugares do mundo, em quase todos os tempos, os do Egito trabalhavam muito, mas viam parte considerável de sua produção convertida em impostos, destinados à manutenção do faraó (com todos os seus caprichos, piramidais ou não), da nobreza, da altamente privilegiada elite sacerdotal, dos numerosos funcionários públicos (escribas, coletores de impostos, etc.) e do exército. Era muita gente dependendo do trabalho daqueles que cultivavam a terra. 
Só para completar a questão das cheias do Nilo, Plínio ainda observou: "Acrescente-se que o Nilo é o único rio que nunca emite algum odor." Talvez não tenha levado em conta algum acontecimento puntual.

(1) 23 - 79 d.C.
(2) Todas as citações de Naturalis Historia que aparecem nesta postagem foram traduzidas por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias.
(3) 9 de agosto de 48 a.C.


quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Os fusos horários e a chegada do ano-novo

Todos aprendemos na escola que a Terra é, teórica e artificialmente, dividida em faixas verticais de 15º cada uma (¹), que são chamadas fusos. Para os leitores mais jovens, eu faria a seguinte comparação: imaginem que a Terra seja mais ou menos como uma laranja, composta por vinte e quatro gomos iguaizinhos - nessa comparação (simplista, mas útil), cada gomo corresponderia a um fuso.
Por convenção, utiliza-se o horário de Londres (²) como ponto de partida para a contagem dos fusos. Assim, o horário teórico de um ponto qualquer na superfície terrestre será dado ao se ter em conta se está localizado a Leste ou a Oeste do Meridiano Principal, bem como a quantos graus de distância.
Parece simples? Periodicamente, o horário de verão complica tudo, assim como outros ajustes, que são feitos por questões práticas - se estritamente seguidos, os fusos com base na divisão em faixas de 15º poderiam muito bem acabar fazendo com que lugares muito próximos, ou mesmo dentro de uma mesma cidade, tivessem horários diferentes. Seria uma calamidade! Então, cada país define a adoção de fusos ajustando-os à conveniência, até porque há países com mais de um fuso (³).
Em quase todo o mundo a contagem do tempo obedece a uma divisão em 24 horas, em que 12 horas correspondem ao meio-dia, e 24, à meia-noite. Assim, no final de cada ano, é de acordo com o fuso relativo a cada lugar que é celebrado o ano-novo: quem está em Tóquio ou em Sidney vai festejar um novo ciclo de trezentos e sessenta e cinco dias antes de quem está em São Paulo ou Los Angeles.
Mas vocês já pensaram, leitores, que a contagem do tempo, do dia e das horas nem sempre obedeceu a esse critério?
Plínio, o Velho, no Livro II de sua Naturalis Historia, relatou que "quanto ao modo como cada um observava os dias, os babilônios contavam entre dois sóis [de um nascer de sol a outro], os atenienses entre dois ocasos [de um pôr de sol a outro], os úmbrios de um meridiano a outro [meio-dia a meio-dia], pessoas comuns [em Roma], da luz às trevas [do amanhecer ao pôr do sol], os sacerdotes romanos e autoridades civis, assim como os egípcios, de meia-noite a meia-noite". (⁴)
Ora, convenhamos, seria uma enorme confusão se, até hoje, cada povo contasse o tempo como bem entendesse. Quando as comunicações entre países eram poucas e difíceis, os fusos talvez não fossem necessários, e cada lugar podia adotar a contagem das horas que lhe caísse no agrado; à medida que as comunicações se intensificaram, os fusos se tornaram imprescindíveis. Sua implantação, portanto, foi ditada não só pela conveniência, mas pela necessidade.

(1) Que se obtém pela divisão de 360° (supondo a Terra uma esfera perfeita) por 24, que é o número de horas de cada dia.
(2) Lembram-se do Meridiano de Greenwhich?
(3) É o caso do Brasil.
(4) O trecho citado de Naturalis Historia foi traduzido por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias.


Veja também:

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Terremotos no Império Romano

Parte expressiva do território até onde se estendeu o Império Romano estava em áreas sujeitas a tremores de terra mais ou menos frequentes. Não é surpresa, portanto, que, nos registros feitos por autores da Antiguidade, os terremotos fossem seguidamente mencionados.
Tácito (¹), por exemplo, citou vários incidentes relativos a tremores: um que atingiu Pompeia alguns anos antes que a cidade fosse soterrada pelo Vesúvio (²), uma sucessão de tremores sentidos em Roma no ano 52 d.C., provocando o desabamento de casas (³), e um grande terremoto que, nos dias de Tibério, arruinou doze cidades da Ásia Menor (⁴), entre outros.  
Plínio, o Velho (⁵), em extensa dissertação no Livro II de sua Naturalis Historia, afirmou que "os babilônios achavam que terremotos e rachaduras, como tudo o mais, eram consequência da ação das estrelas." (⁶) Sensatamente cético, Plínio procurava causas naturais para os tremores de terra, ainda que nada soubesse sobre a existência de placas tectônicas. Já entendia, porém, que alguns terremotos são seguidos por tsunamis (⁷): "Tremores de terra são seguidos por inundações que vêm do mar" (⁸), escreveu.
Mais enfático que Tácito em relação ao mesmo incidente, Plínio entendia que o terremoto ocorrido nos dias de Tibério fora o maior de que, até então, se tivera notícia:
"O maior tremor de terra de que os mortais têm memória aconteceu durante o principado de Tibério César, quando doze cidades da Ásia vieram ao chão em uma noite [...]." (⁹)
É claro que, para os supersticiosos romanos, tremores de terra, assim como outros fenômenos naturais, eram vistos como prodígios, manifestações da ira dos deuses que deviam ser conjuradas com sacrifícios. Tertuliano (¹º) referiu, na Apologia, que tremores estavam entre os pretextos que conduziam à perseguição de cristãos no Império:
"Se o Tibre alcança os muros da cidade, ou se o Nilo não transborda o suficiente para as plantações, se o céu, sem nuvens, não traz chuva, se há tremor de terra ou se ocorre escassez de trigo, ou se grassa a peste, o povo não tarda a gritar para que joguem os cristãos ao leão."
Voltemos a Tácito. Quando um terremoto de maiores proporções ocorria dentro dos limites do Império Romano, era usual que recursos públicos fossem oferecidos - e aceitos - para reparar os danos materiais. Bem, assim era na maioria dos casos. Prodígio, mesmo (¹¹), a ponto de merecer registro no Livro XIV dos Annales, ocorreu no ano 814 da fundação de Roma (¹²): "Naquele ano, a ilustre cidade de Laodiceia, na Ásia, que havia sido arrasada por um terremoto, foi reconstruída com seus próprios recursos, sem receber qualquer auxílio de nossa parte [de Roma]." (¹³) Pelo visto, esse fato foi novidade até para Tácito, tão acostumado às manhas de seus contemporâneos.

(1) 47 - 120 d.C.
(2) TÁCITO, Annales, Livro XV.
(3) Ibid., Livro XII.
(4) Ibid., Livro II.
(5) 23 - 79 d.C.
(6) PLÍNIO, Naturalis Historia, Livro II.
(7) Ainda que a palavra "tsunami" lhe fosse, como é óbvio, desconhecida.
(8) PLÍNIO, Op. cit., Livro II.
(9) Ibid. 
(10) 160 - 220 d.C.
(11) Até para os critérios do Século XXI.
(12) 61 d.C.
(13) Todas as citações das obras de Plínio, Tácito e Tertuliano que aparecem nesta postagem foram traduzidas por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias.


Veja também:

quinta-feira, 8 de junho de 2017

A navegação em águas do Império Romano no Século I

A fonte de informação - Plínio, o Velho - é confiável. Afinal, além de ser um dos grandes nomes da ciência na Antiguidade, ele chegou a ocupar um cargo importante no comando da marinha de Roma, de modo que não vem a ser nenhuma surpresa que, no Livro II de sua Naturalis Historia, tenha dedicado atenção às questões náuticas. Assim é que somos informados de alguns aspectos interessantes que regiam a navegação no Século I d.C., particularmente para as embarcações que percorriam águas do Mediterrâneo e adjacências.
Muitos navios comuns no mundo romano desse tempo eram mistos, ou seja, eram impelidos pela força do vento (tinham velas) e de músculos humanos, tanto de escravos como de condenados por algum crime. Empunhando longos remos, esses homens eram obrigados, em diversas manobras, a mover embarcações, quer mercantes, quer de guerra. 
O vento, todavia, era preponderante. De acordo com Plínio, a temporada anual de navegação começava na data a que hoje chamamos 8 de fevereiro. Era a ocasião em que os ventos furiosos de inverno serenavam e o mar parecia mais calmo. Comércio e viagens eram possíveis e, nessas condições, com menor perigo. Assim seguia o ano, até que a chegada de uma nova estação fria obrigava quem tinha juízo a permanecer em terra. Lemos em Naturalis Historia:
Calendário romano para os meses de
novembro e dezembro (³)
"Cerca de quarenta e quatro dias depois do equinócio de outono o ocaso das Plêiades assinala o começo do inverno, que usualmente sucede nos idos de novembro (¹), quando sopra o vento hibernal chamado Aquilão." (²) 
Entretanto, ainda de acordo com Plínio, havia, no inverno, uns poucos dias de navegação favorável, "seis dias antes e seis dias depois do dia mais curto do ano", ou seja, do solstício de inverno. Para viagens breves, eram uma possibilidade, e também um risco. O mar podia sofrer mudanças bruscas, a viagem talvez não ocorresse tão depressa quanto se supunha possível. Era realmente perigoso. Somente piratas - sempre eles! - e que se arriscavam em meio às ondas de inverno, esperando pilhagem maior, desde que sobrevivessem.
Marinheiros desse tempo eram homens supersticiosos. Em qualquer estação do ano, o mar tinha (e tem) seus perigos, daí porque, dentre todas as divindades do panteão romano, Castor e Pólux, os deuses-estrelas da Constelação de Gêmeos, eram, segundo informação de Plínio, invocados como protetores dos marinheiros: "O povo faz preces a eles, como deuses que socorrem no mar." (²)
É certo que Plínio, com justificado ceticismo, não parecia demonstrar muita fé na intervenção de tão ilustres personagens. Não censurava, porém, a devoção popular. Que mal haveria nessa crença ingênua (talvez pensasse), se ela ajudava a marinhagem a levar de vencida o receio que a fúria das ondas encorajava?

Pequena embarcação romana (⁴)

(1) Nota-se que o começo das estações estava, na mentalidade romana, associado às condições climáticas, não sendo visto como um evento astronômico com data fixa, não importando o frio ou calor em dias predeterminados.
(2) Os trechos citados de Naturalis Historia são tradução de Marta Iansen, para uso exclusivo no blog História & Outras Histórias.
(3) MALLET, Allain. Manesson Beschreibung des gantzen Welt-Kreises. Frankfurt am Main:  J. A. Jung, 1719, p. 59.
(4) HOLMES, George C. V. Ancient and Modern Ships Parte I. London: Eyre and Spottiswoode, 1910, 49.


Veja também: