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quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

Em 2024

No último dia 25 este blog completou quatorze anos. É muito tempo, se pensarmos que a maioria dos blogs não chega nem perto disso. 
Estamos entrando, portanto, no décimo quinto ano de História & Outras Histórias, e, para comemorar, teremos algumas novidades, ou, pelo menos, faremos o possível para que elas aconteçam. Haverá um número maior de postagens a cada semana, e, quase sempre, os textos serão um pouco menores do que têm sido até aqui. Quem tiver pouco tempo para leitura, não terá pretexto para deixar de ler. Novos textos estarão disponíveis às segundas, quartas e sextas-feiras, a partir das dez horas. Como sempre, comentários serão bem-vindos. 
Talvez essas mudanças sejam uma maneira gentil de começar a dizer adeus - se eu efetivamente mantiver o blog ativo até seu décimo quinto aniversário. Não é assunto completamente decidido, mas algo em que tenho pensado bastante. Talvez seja hora de partir para novos projetos. 
Mas, deixando esse assunto de lado agora, quero desejar a todos os que leem este blog um ano-novo maravilhoso, em que os desafios sejam oportunidades para grandes realizações. Que venha 2024!


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quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

As cidades do futuro, na imaginação de quem vivia em 1929

Os dias finais de dezembro costumam ser férteis em previsões quanto ao que acontecerá no ano seguinte. Para bem dos supostos profetas, esses vaticínios são habitualmente esquecidos em razão da luta quotidiana que faz questão de comparecer a cada janeiro. Vejam como exemplo, leitores, o que aconteceu com o ano de 2020: se, por curiosidade, voltarem às profecias feitas no final de 2019, terão diversão garantida.
Era dezembro de 1929. A revista carioca O Malho trouxe este curioso prognóstico quanto às cidades do futuro, coisa de quarenta ou cinquenta anos adiante:
"Arranha-céus de duzentos ou trezentos andares, que ocupem áreas correspondentes a quatro ou cinco dos grandes quarteirões da atualidade, separados por vastos parques e locais para estacionamento de automóveis; aeroportos; grandes terraços com jardins; calçadas suspensas a cem ou duzentos metros do solo; paredes de vidro, que permitam a entrada da luz e do sol nos compartimentos mais interiores; garagens de tetos planos e muito elevados para a descida de máquinas aéreas tipo helicópteros; gigantescos hospitais aéreos, com paredes de cristal, suspensas sobre a cidade, a alturas fantásticas, a fim de proporcionar aos enfermos ar puro acima das nuvens.
Tudo isto é coisa infalível, que verão, desassombrados, talvez, os nossos olhos, daqui a quarenta ou cinquenta anos." (*)
Bem, leitores, a coisa seria para 1970 ou 1980, e nós, no final de 2020, vemos, felizmente, pouco disso por aí. É verdade que os estacionamentos se multiplicaram e parecem nunca ser suficientes, que aeroportos se tornaram indispensáveis e que prédios mais altos às vezes têm um heliporto, mas não se vê, em lugar algum, construções com trezentos andares. Paredes externas quase totalmente de vidro existem e são facilmente encontradas, mas não creio que as internas, com essa característica, sejam sequer desejáveis. Quanto às calçadas e hospitais aéreos... Nem parques de diversões são assim. Alguns doentes talvez morressem de desespero, só em olhar para baixo.
Mas, como disse, essa previsão parcialmente fracassada foi oferecida ao público no final de 1929. Lembrem-se, leitores, de que foi esse o ano em que eclodiu a maior crise econômica do Século XX. Multidões de desempregados, sem ter onde viver com a família, produção encalhada nas lavouras e nas fábricas por falta de compradores, grandes fortunas desfeitas em questão de horas e a sombra do totalitarismo ganhando o apoio dos crédulos e desesperados - esse era o cenário daqueles dias. Sonhar com um futuro brilhante, limpo e luminoso, com conquistas incríveis na arquitetura, nos transportes, na saúde, podia ser, ao menos, um magro consolo, diante da dura realidade, observável em quase todo lugar. 

(*) O MALHO, Ano XXVIII, nº 1422, 21 de dezembro de 1929.


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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Os fusos horários e a chegada do ano-novo

Todos aprendemos na escola que a Terra é, teórica e artificialmente, dividida em faixas verticais de 15º cada uma (¹), que são chamadas fusos. Para os leitores mais jovens, eu faria a seguinte comparação: imaginem que a Terra seja mais ou menos como uma laranja, composta por vinte e quatro gomos iguaizinhos - nessa comparação (simplista, mas útil), cada gomo corresponderia a um fuso.
Por convenção, utiliza-se o horário de Londres (²) como ponto de partida para a contagem dos fusos. Assim, o horário teórico de um ponto qualquer na superfície terrestre será dado ao se ter em conta se está localizado a Leste ou a Oeste do Meridiano Principal, bem como a quantos graus de distância.
Parece simples? Periodicamente, o horário de verão complica tudo, assim como outros ajustes, que são feitos por questões práticas - se estritamente seguidos, os fusos com base na divisão em faixas de 15º poderiam muito bem acabar fazendo com que lugares muito próximos, ou mesmo dentro de uma mesma cidade, tivessem horários diferentes. Seria uma calamidade! Então, cada país define a adoção de fusos ajustando-os à conveniência, até porque há países com mais de um fuso (³).
Em quase todo o mundo a contagem do tempo obedece a uma divisão em 24 horas, em que 12 horas correspondem ao meio-dia, e 24, à meia-noite. Assim, no final de cada ano, é de acordo com o fuso relativo a cada lugar que é celebrado o ano-novo: quem está em Tóquio ou em Sidney vai festejar um novo ciclo de trezentos e sessenta e cinco dias antes de quem está em São Paulo ou Los Angeles.
Mas vocês já pensaram, leitores, que a contagem do tempo, do dia e das horas nem sempre obedeceu a esse critério?
Plínio, o Velho, no Livro II de sua Naturalis Historia, relatou que "quanto ao modo como cada um observava os dias, os babilônios contavam entre dois sóis [de um nascer de sol a outro], os atenienses entre dois ocasos [de um pôr de sol a outro], os úmbrios de um meridiano a outro [meio-dia a meio-dia], pessoas comuns [em Roma], da luz às trevas [do amanhecer ao pôr do sol], os sacerdotes romanos e autoridades civis, assim como os egípcios, de meia-noite a meia-noite". (⁴)
Ora, convenhamos, seria uma enorme confusão se, até hoje, cada povo contasse o tempo como bem entendesse. Quando as comunicações entre países eram poucas e difíceis, os fusos talvez não fossem necessários, e cada lugar podia adotar a contagem das horas que lhe caísse no agrado; à medida que as comunicações se intensificaram, os fusos se tornaram imprescindíveis. Sua implantação, portanto, foi ditada não só pela conveniência, mas pela necessidade.

(1) Que se obtém pela divisão de 360° (supondo a Terra uma esfera perfeita) por 24, que é o número de horas de cada dia.
(2) Lembram-se do Meridiano de Greenwhich?
(3) É o caso do Brasil.
(4) O trecho citado de Naturalis Historia foi traduzido por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias.


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sexta-feira, 1 de abril de 2016

Ano-novo em Babilônia

Você gosta dos festejos de ano-novo? Os antigos babilônios também gostavam. Entre eles, porém, a data que marcava o começo de um novo ano tinha um significado religioso especial.
Na época do Segundo Império Babilônico a mais importante divindade era Marduk (*), a quem, se usarmos uma linguagem de nossos dias, poderíamos chamar de "padroeiro de Babilônia". É claro que, dentro de uma cultura politeísta, havia também muitos outros deuses, que também eram alvo da devoção popular - uns mais, outros menos.
Pois bem, de acordo com a mitologia da Mesopotâmia, Marduk era pai do deus Nebu, uma divindade cuja ação estava associada à previsão do futuro, ao trabalho intelectual e às investigações que, na lógica de Babilônia, podiam ser consideradas científicas. Além de tudo isso, Nebu era visto como um mensageiro dos deuses, aquele a quem todo o panteão de divindades da Mesopotâmia encarregava de trazer mensagens reveladoras aos seres humanos. Não será difícil compreender, portanto, que os escribas tinham em Nebu o seu patrono, de tal modo que, em muitas representações daqueles tempos, esse deus aparecia com uma tabuinha de argila nas mãos, exatamente como as que eram usadas para grafar os textos em escrita cuneiforme.
Já houve quem tentasse associar Nebu às divindades gregas Hermes e Apolo, mas a ligação fica restrita ao terreno das especulações.  
Pois bem, se Babilônia era a orgulhosa protegida de Marduk, Nebu era particularmente cultuado em Borsipa. É justamente aqui que entra a questão das festanças de ano-novo: no princípio de cada ano a estátua que representava Nebu era levada, em solene procissão, desde Borsipa até o templo de Marduk em Babilônia. O evento era acompanhado de todos os ingredientes habituais que as festas costumavam (ou costumam) ter. Depois que tudo acabava, a estátua voltada para a tranquilidade de seu templo em Borsipa. Com a ajuda dos homens, naturalmente.

(*) Existe uma tendência de aportuguesar os nomes das divindades de Babilônia, de modo que o deus Marduk ou Maruduk também pode ser grafado "Marduque", enquanto que o deus Nebu também pode ser Nebo. Prefiro as formas Marduk e Nebu por considerá-las uma transliteração mais adequada.


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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Feliz ano-novo

Na maior parte das culturas, o início de um novo ano (ou de um novo ciclo no calendário, ainda que não necessariamente um período de mais ou menos 365 dias) vem acompanhado de festividades e intensa expectativa. Assume-se um consenso amplamente coletivo de que o novo ano representa a "virada de página" para os problemas do ano anterior. E expressões do tipo "ano novo, vida nova" são repetidas como verdade incontestável, quase sempre acompanhadas de promessas e resoluções que, de qualquer modo, têm a estranha capacidade de entrar em envelhecimento precoce tão logo as luzes das festas comecem a desaparecer.
Interessante (e muito humano) esse hábito de estabelecer datas, o mais das vezes aleatórias, como marcos da passagem do tempo. Seriam elas, quem sabe, uma tentativa de exercer controle sobre o tempo? Se for assim, a tentativa é não apenas inútil, mas resulta em ferramenta cruel, servindo antes para recordar-nos de que o tempo, enquanto categoria indefinível (como bem lembrou Agostinho de Hipona), é metrônomo que bate o compasso de nossa transitoriedade, alheio à melodia, alegre ou triste, que tocamos (ou deixamos tocar) em nossas vidas.
Demais disso, os calendários são em grande parte calcados em convenções, ainda que obedeçam a um fundamento astronômico. Tanto faz se um calendário começa em 1º de janeiro, ou fevereiro, ou março... O caso é que nós, ocidentais, usamos um calendário cujo ano estreia em 1º de janeiro e, por isso, a maioria de nós está, a estas horas, vivendo uma tortura autoimposta de correria e intensos preparativos para celebrar a chegada do novo ano. Então, para não decepcionar a você, leitor, vão aqui meus votos de feliz ano-novo, acompanhados da recomendação de que releia este post no próximo dezembro (prometa!). Eu lhe asseguro que ele estará novinho em folha, como hoje. E nós, naturalmente, um ano mais velhos.

Fogos de artifício para celebrar a chegada do Ano-Novo em Brasília - DF

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