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sexta-feira, 29 de março de 2024

Luto na capital do Império nas horas da Sexta-feira Santa

No Brasil do Século XIX, ostentar religiosidade fazia bem à imagem pública de qualquer pessoa - com fé ou sem ela. Por isso, em ocasiões em que tradicionalmente as práticas religiosas eram lutuosas, ninguém que se pretendesse respeitável fugia à obrigação de aparentar tristeza. Era o que acontecia nas Sextas-feiras Santas. 
O olhar observador de um mercenário alemão que esteve no Brasil entre 1824 e 1826, C. Schlichthorst, captou esta imagem em palavras, a partir do que acontecia no Rio de Janeiro, capital do Império:
"Na Sexta-feira da Paixão, todas as igrejas se cobrem de preto, os altares, as alfaias de prata e ouro se envolvem em crepes, e toda a gente põe luto. De cinco em cinco minutos, as fortalezas e navios de guerra salvam com um tiro de canhão. Põem-se as bandeiras a meio pau e braceiam-se as vergas nos navios de guerra. Para onde quer que se volva o olhar, veem-se sinais da mais profunda tristeza. [...]" (*) 
Era, como já foi dito, tristeza aparentada, como mandava a boa conduta, não necessariamente tristeza sentida. Nesse tempo, o catolicismo era religião oficial. Explica-se, portanto, que a necessidade de ostentar luto fosse muito além do espaço das igrejas, alcançando, também, as unidades militares em terra e no mar.
 
(*) SCHLICHTHORST, C. O Rio de Janeiro Como É (1824 - 1826), trad. Emmy Dodt e Gustavo Barroso. Brasília: Senado Federal: 2000, p. 118.


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quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

O que é povo

Povo: dificilmente haverá palavra mais usada em época de campanha eleitoral. "O povo quer", "o povo precisa", "em nome do povo", "em favor do povo", "pela vontade do povo", e por aí segue o discurso repetitivo adotado por muitos candidatos. Quase não há quem desconheça o quanto o conceito de povo foi manipulado por regimes totalitários do Século XX.
Mas, afinal, o que é povo?
Resolvi fazer uma consulta popular (!!!), solicitando a várias pessoas que dissessem qual a primeira ideia que lhes vem à cabeça quando ouvem a palavra "povo". Selecionei algumas respostas, entre sérias e pitorescas:
  • "Quase todo o conjunto da população (com exceção da classe política)."
  • "É o que eu vejo na rodoviária todo dia, pela manhã."
  • "Povo são os habitantes de uma comunidade."
  • "Multidão de pessoas que falam a mesma língua e têm costumes e interesses semelhantes."
  • "Povo são os amigos, a galera."
  • "Habitantes de uma determinada região."
E vocês, leitores, o que dizem?
Em Roma, o conceito de povo estava, ao que parece, profundamente ligado ao exercício de tudo o que envolvia a cidadania romana, e, portanto, não será exagero dizer que, nesse sentido, povo podia, perfeitamente, ser entendido como o coletivo dos cidadãos. Como prova disso, vejam, leitores, estas palavras de Cícero, político e filósofo notável pela oratória no Século I a.C.: "Povo, porém, não é o ajuntamento de homens reunidos de qualquer modo, mas a multidão ligada pelo consenso da justiça e da utilidade comum [...]." (¹)
Muitos séculos mais tarde, "povo" passou a ter outro sentido. Coletivamente, veio a designar todos aqueles que não pertenciam à nobreza. Foi assim em parte dos tempos medievais e, com toda certeza, nos dias conhecidos como a "Era Moderna". Compreende-se, pois, sem grande dificuldade, que tal polarização tenha contribuído para acirrar conflitos e conduzir a revoltas e revoluções nada favoráveis à cabeça de reis e nobres. Afinal, o que é que havia de especial na gente da nobreza que, hereditariamente, lhe assegurava privilégios obtidos à custa do restante da população? Alexandre Herculano expressou opinião deveras interessante sobre a diferença moral entre o povo e as elites: "Sobre os farrapos do povo", disse ele, "não têm cabida os adornos de ouropel. É a única diferença moral que há entre ele e as classes superiores, que se creem melhores, porque no ginásio da civilização aprendem desde a infância as destrezas e os momos de compostura hipócrita" (²).
Que dizer do Brasil? C. Schlichthorst, militar alemão contratado como oficial para o 2º Batalhão de Granadeiros do Império, observou, em relação às mudanças introduzidas pela aplicação do ideário iluminista que, no caso do Brasil, teve, de permeio, o processo de Independência: "Como no Brasil nem todos os habitantes constituem o povo, pois os escravos são considerados mais coisas do que pessoas, depressa se decidiu a luta entre o velho e o novo sistema. Talvez por isso mesmo seja mais demorada sua completa consolidação." (³) 
O assunto é vasto, leitores, e dá margem a muita polêmica. Digo apenas que, a meu julgar, e tendo em conta o modo como se fizeram a Independência, a abolição do sistema de trabalho escravo e a proclamação da República, paralelamente à estrutura social vigente e a algumas ideias e valores muito antigos que, a despeito de caducos, insistiram (e insistem) em sobreviver, a consolidação de que falou Schlichthorst ainda é obra a ser concluída.

(1) CÍCERO, Marco Túlio. De re publica. O trecho citado foi traduzido por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias
(2) HERCULANO, Alexandre. Lendas e Narrativas vol. 1. Lisboa: Bertrand e Filhos, 1851, p. 55.
(3) SCHLICHTHORST, C. O Rio de Janeiro Como É (1824 - 1826). Brasília: Senado Federal: 2000, p. 195.


terça-feira, 4 de dezembro de 2018

De que se ocupavam os barbeiros

Parece óbvio que barbeiros são profissionais especializados em aparar barba e cabelo, certo? Já houve tempo, porém, em que, no Brasil, barbeiros tinham, além dessas, outras atribuições. Mas, a título de curiosidade, vamos começar pela Roma Antiga, onde o hábito de fazer a barba foi introduzido muito depois da origem da cidade. Pelo menos, é o que diz Plínio, o Velho (¹), no Livro VII de Naturalis historia:
"De acordo com Varrão, os primeiros barbeiros que vieram a Roma foram trazidos da Sicília por Públio Titínio Mena no ano 454 da fundação da cidade (²); antes disso, os romanos jamais se barbeavam. [...]. O divino Augusto sempre manteve o hábito de se barbear." (³)
Passemos agora ao Brasil, onde, por muito tempo, a escassez de profissionais de saúde devidamente qualificados foi enorme, e, por essa razão, barbeiros tiveram uma gama de atribuições que não se restringiam ao corte de barba e cabelo. Vejam, leitores, este relato feito pelo militar alemão C. Schlichthorst (⁴), sobre a experiência de ter a barba devidamente aparada por um barbeiro português no Rio de Janeiro, a capital do Império:
"Não preciso recear a mão pesada dum barbeiro alemão. A aveludada e perfumada mão dum português de Portugal, como gostam de ser chamados os brasileiros vindos da Metrópole, ata-me ao pescoço imensa toalha guarnecida de rendas, ensaboa-me durante cinco minutos com água de flor de laranjeira e gasta dez para raspar minha barba com outras tantas navalhas, sem que eu sinta mais do que o leve roçar do aço e um pouquinho de tédio. Depois de empoar-me o rosto para amaciar a pele, o fígaro penteia meus cabelos e gasta muito tempo quanto pomada para dar-lhe uma forma elegante. E ainda não acabou! Oferece-se para arrancar-me este ou aquele dente, o que cortesmente não aceito. Então, lava-me o rosto e fricciona-me a nuca com a mesma água de flor, apresenta-me o espelho e diz com profunda mesura: - 'Vossa Excelência está preparado para fazer sua reverência à dama de seu coração'." (⁵)

Barbeiros ambulantes trabalhando no Rio de Janeiro na primeira metade
do Século XIX, de acordo com Debret (⁶)

Schlichthorst entrou, está claro, em uma barbearia algo sofisticada. Contudo, havia, nesse tempo, até barbeiros ambulantes nas ruas do Rio de Janeiro, e deles não seria possível exigir tantos cuidados. Suponho, porém, que os leitores devem ter ficado um tanto intrigados com a proposta feita pelo barbeiro, quanto à extração de dentes. Ora, não se espantem, era coisa comum no Século XIX. E não só: barbeiros também eram chamados para fazer sangrias, recomendadas principalmente quando alguém tinha febre. O avanço dos conhecimentos científicos desobrigou os barbeiros de tal prática, poupando, com isso, muitas vidas.


Barbeiros e sangradores estabelecidos no Rio de Janeiro em meados do Século XIX




Esta lista de barbeiros e sangradores estabelecidos na capital do Império foi publicada na edição de 1854 do Almanaque Laemmert (⁷). Observem-na atentamente e vejam que, além dos serviços tradicionais de um barbeiro, eram também oferecidas aplicações de ventosas e sanguessugas (hirudíneos).

(1) 23 - 79 d.C.
(2) 300 a.C. 
(3) Naturalis historia, Livro VII. O trecho citado foi traduzido por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias.
(4) Esteve no Brasil pouco depois da Independência, como oficial do Segundo Batalhão de Granadeiros do Império.
(5) SCHLICHTHORST, C. O Rio de Janeiro Como É (1824 - 1826). Brasília: Senado Federal: 2000, pp. 86 e 87.
(6) DEBRET, J. B. Voyage Pittoresque et Historique au Brésil vol. 2. Paris: Firmin Didot Frères, 1835. O original pertence à Brasiliana USP; a imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog.
(7) LAEMMERT, Eduardo. Almanaque Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro Para o Ano de 1854. Rio de Janeiro: Eduardo e Henrique Laemmert, 1854, pp. 512 e 513.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Escravas trabalhavam como intérpretes para comerciantes franceses

Na capital do Império do Brasil, a Rua do Ouvidor era um centro de comércio em que as madames podiam encontrar os artigos de moda mais recentes - recentes, é claro, depois de uma longa viagem de navio entre a Europa e o porto do Rio de Janeiro. Era lá, portanto, que muitos comerciantes franceses estabeleciam suas lojas. Porém, como é que esses empreendedores podiam fazer contato com a clientela, tendo em vista o obstáculo da diferença de idioma?
Será bom lembrar, primeiro, que, nesse tempo, as meninas de famílias ricas começavam a receber aulas de francês (¹), um conhecimento que passaria a ser considerado indispensável à boa educação. Por isso, letreiros das lojas e mesmo anúncios em jornais e revistas de moda que circulavam no Império vinham, muitas vezes, escritos em francês - essa mania foi longe, e existiu até em tempos já republicanos. Supõe-se, pois, que pelo menos algumas freguesas eram capazes de falar a língua dos lojistas. 
Por outro lado, C. Schlichthorst, um militar alemão contratado como oficial para o Segundo Batalhão de Granadeiros entre 1824 e 1826, fez um registro muito interessante sobre quem eram as pessoas que, em caso de necessidade, atuavam como intérpretes para os comerciantes franceses que não falavam português (²):
"Os franceses são na generalidade negociantes a retalho ou de modas, o que para eles torna indispensável o uso da língua. Contudo não a aprendem e na Rua do Ouvidor se encontram muitas lojas com negras servindo de intérpretes." (³)
A visão popular de escravos no Brasil é a de homens suando nos canaviais do Nordeste ou nos cafezais de São Paulo - quem imaginaria, então, que escravas pudessem atuar como intérpretes? Mas, se Schlichthorst está correto (e, neste caso, não parece haver razão para suspeita de engano), podemos concluir, sem levar sua observação longe demais, que:
a) Escravas atuavam como intérpretes para comerciantes franceses que não falavam português;
b) Para que pudessem servir como intérpretes, essas escravas deviam falar não somente português, mas também o suficiente de francês - eram, no mínimo, bilíngues;
c) Para um país como o Brasil, no qual grande parte da população era analfabeta, essas escravas, a seu modo, eram bastante instruídas.
Ainda assim, eram escravas. 
Por hoje é só, leitores. Ponto final.

(1) E também de piano, além dos clássicos trabalhos de agulha, etc., etc., etc...
(2) Schlichthorst tinha uma explicação sobre o motivo pelo qual comerciantes franceses que viviam no Rio de Janeiro não aprendiam português, mas deixei de transcrevê-la aqui porque, ao que parece, seria antes um reflexo dos velhos revanchismos nacionalistas da Europa que propriamente uma justificativa.
(3) SCHLICHTHORST, C. O Rio de Janeiro Como É (1824 - 1826). Brasília: Senado Federal: 2000, p. 68.


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quarta-feira, 15 de junho de 2016

Escravos levavam almofadas para as mulheres que iam à missa

No Brasil Colonial (e mesmo durante o Império) as igrejas não tinham bancos


Em As Minas de Prata, José de Alencar descreve as matronas da cidade da Bahia (Salvador), isso em 1609, indo à igreja acompanhadas por escravos, cuja função era carregar almofadas para uso das respectivas senhoras:
"D. Luísa de Paiva e sua filha desceram do palanquim, e recebendo as saudações dos cavalheiros que estavam parados no adro, dirigiram-se à capela-mor onde já estavam as almofadas de veludo roxo, que então as damas faziam conduzir à igreja por pajens escravos." 
Fantasia de autor de romance histórico? Não, as igrejas coloniais em geral não tinham bancos para os fieis que iam à missa, e só os membros do clero e aqueles que ocupavam altos cargos na administração colonial é que tinham cadeiras à disposição (¹). Esse mau costume de não haver bancos nas igrejas, como já veremos, existiu no Brasil por longo tempo, extrapolando (e muito) os dias coloniais.
Em sua breve permanência no Rio de Janeiro como oficial do Segundo Batalhão de Granadeiros do Exército Imperial, o alemão C. Schlichthorst teve ocasião para observar:
"O Rio de Janeiro possui umas quarenta igrejas, quase todas construídas com estilo e bom gosto. Internamente parecem-se muito umas com as outras. Afetam duas formas principais: rotundas e em cruz, com vastas naves bem ventiladas sem bancos nem cadeiras. [...] Poucas têm camarotes e tribunas para os ouvintes. Estes se ajuntam na nave, os homens de pé, as mulheres sentadas nos degraus dos altares ou, de pernas dobradas, no próprio chão. Durante a missa, se a aglomeração o permite, todos se ajoelham." (²)
Ora leitores, que incômodo!... E, vejam, era na capital do Brasil, e já nos dias do Império. Mas vamos adiante, que temos um outro registro, vindo dos anos finais do Período Regencial, escrito por Daniel P. Kidder, pastor e missionário metodista, de nacionalidade americana, que assistiu, na catedral de São Paulo, a um serviço religioso em comemoração ao aniversário de fundação da cidade (25 de janeiro):
"A construção dessa igreja, como em geral a das outras, no Brasil, não leva em consideração as conveniências do orador nem as do auditório. O púlpito fica de lado e o fundo da igreja é invariavelmente ocupado pelo altar-mor. A assistência não tem onde sentar, a não ser o piso de terra, de madeira ou de mármore, conforme a suntuosidade do templo. O chão é, às vezes, juncado de folhas, outras vezes coberto com tábuas limpas, sendo que, em alguns casos, vimos transportarem cadeiras para a igreja. Por ocasião de nossa visita, a grande área que ficava para o lado de dentro das grades estava cheia de senhoras sentadas à la turque, todas juntas. Assim instaladas com frente para o altar onde estava sendo celebrada a missa, não podiam olhar para o pregador, conquanto tivesse ele tido o cuidado de se colocar ao lado direito." (³)
Kidder vinha de uma tradição religiosa em que a fala do pregador era geralmente vista como o ponto central do serviço religioso, daí estranhar a localização do púlpito na lateral da igreja - para ele, não fazia sentido, mas era a regra nas igrejas brasileiras.
Só para mostrar que a falta de bancos continuou ao longo do Século XIX, vai aqui um relato feito pelo britânico Richard Burton, já na década de 1860, em que somos discretamente informados de que, afinal, o hábito segundo o qual os fieis assistiam aos ofícios religiosos em pé ou sentados no chão começava a dar sinais de cansaço e preparava a retirada:
"Todos entraram, os brancos tomando lugar à frente e os pretos atrás, os homens de pé e as mulheres sentadas no chão. O velho costume continua no interior (⁴); somente nas cidades mais civilizadas do Brasil, as igrejas dispõem de bancos." (⁵)

(1) A moda não foi inventada no Brasil, já que o mesmo acontecia na maior parte das igrejas medievais.
(2) SCHLICHTHORST, C. O Rio de Janeiro Como É (1824 - 1826). Brasília: Senado Federal: 2000, p. 112.
(3) KIDDER, Daniel P. Reminiscências de Viagens e Permanência no Brasil. Brasília: Senado Federal, 2001, p. 199.
(4) Burton estava, nessa ocasião, em uma localidade no interior de Minas Gerais.
(5) BURTON, Richard. Viagem do Rio de Janeiro a Morro Velho. Brasília: Senado Federal, 2001, pp. 278 e 279.


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sexta-feira, 10 de junho de 2016

Gente que não queria que a escravidão acabasse

A época do debate sobre a questão abolicionista, em especial a partir de 1870, foi das mais intensas na vida política brasileira, não só pelas divergências que o tema levantava, mas pelo envolvimento, em algum grau, de parte considerável da população que vivia nas grandes e nas pequenas cidades.
É fácil perceber que os proprietários de escravos estavam entre os maiores interessados nas discussões abolicionistas, mas não eram os únicos que expressavam opiniões contrárias ao fim da escravidão. Havia muitas outras pessoas cujos empreendimentos estavam vinculados à existência e manutenção do sistema escravista e que, por isso mesmo, tinham horror ao movimento que queria, tão cedo quanto possível, arrancar o País da situação nada honrosa em que se encontrava diante de outros povos, pela insistência em manter gente cativa quase às portas do Século XX. Vejamos, pois, quais eram algumas atividades que subsistiam apenas porque ainda havia escravos.

1. Comércio de escravos

É verdade que o tráfico de africanos foi definitivamente abolido em 1850 (¹) pela Lei Eusébio de Queirós, mas ainda havia quem negociasse escravos que algum proprietário queria vender, aqueles que eram parte do espólio de um falecido e, durante certo tempo, os que iam de uma Província do Império para outra. No entanto, o comércio de escravos, apesar de ser considerado um "negócio sujo", foi, por muito tempo, altamente lucrativo. O militar alemão C. Schlichthorst observou, ainda nos dias de D. Pedro I: "Os traficantes de escravos são considerados os negociantes mais ricos da cidade" (²). A cidade em questão era a capital do Brasil naquela época, ou seja, o Rio de Janeiro.
O Almanaque Laemmert de 1854 trazia o seguinte anúncio de comerciantes de escravos (³):


Era importante assegurar que os escravos eram "ladinos", já que o comércio de "negros novos" estava proibido. Expliquemos: "negros novos" eram chamados os escravizados que chegavam da África, enquanto que "ladinos" eram os escravizados já experientes na condição de cativos, que estavam no Brasil há muito tempo ou mesmo que eram nascidos no País.

2. Avaliação de Escravos

A avaliação de escravos era feita habitualmente quando, tendo morrido um proprietário, os bens deixados (nos quais estavam incluídos os escravos) deviam ter seu valor estipulado para efeitos de partilha de herança ou para a quitação de dívidas. Além disso, uma avaliação podia ser solicitada sempre que escravos fossem parte do pagamento em alguma aquisição, ou quando fossem vendidos junto com uma propriedade.
Um anúncio, também do Almanaque Laemmert de 1854, listava avaliadores de escravos (⁴) disponíveis no Rio de Janeiro:


Havia avaliadores juramentados, cuja opinião quanto ao preço de um escravo tinha valor legal.
Mais tarde, à medida que o movimento abolicionista ganhava corpo, avaliadores passaram a ser requisitados sempre que um escravo comparecia em Juízo apresentado um pecúlio com o qual pretendia comprar a própria liberdade. Avaliadores deviam, então, arbitrar o valor, para que a Justiça determinasse se o escravo tinha o suficiente para a manumissão. O aspecto interessante, aqui, é que não era incomum que o pecúlio que o escravo apresentava fosse provido por uma sociedade abolicionista. Havia senhores que, insatisfeitos com a avaliação, chegavam a alegar que os abolicionistas estavam mancomunados com autoridades, que concediam a liberdade ao escravo por um valor muito baixo.

3. Aluguel de escravos

Em lugar de fazer uso direto dos escravos em uma propriedade agrícola ou em trabalhos urbanos, alguns senhores preferiam ter cativos para aluguel, que prestavam serviços a interessados por tempo limitado. É evidente que o pagamento pelo trabalho ia para o proprietário, e não para os cativos. "No Brasil não se pode empregar seu dinheiro melhor do que comprando escravos e alugando-os para trabalhar" (⁵), afirmou Schlichthorst. Talvez o mercenário alemão até sonhasse em virar alugador de escravos, a despeito das muitas encrencas em que andava metido e de viver contando os tostões... Façamos justiça: os militares recebiam pagamentos anoréxicos, isso quando chegavam a receber alguma coisa.
Voltando ao assunto dos alugadores de escravos, no Almanaque Laemmert de 1854 aparecia este anúncio (⁶):


Observem o detalhe, leitores, junto ao último endereço: "...asseguram boa conduta"!...

4. Fornecimento de roupas para escravos

Escravos recebiam, usualmente, roupas confeccionadas com algodão rústico. Durante muito tempo os tecidos eram feitos nas próprias fazendas, mas a gradual especialização nas atividades produtivas levou ao aparecimento de fábricas e de comerciantes de tecidos que, por suposto, não trabalhavam apenas com o fornecimento de roupas para escravos, mas tinham nisso um filão importante, que desapareceria tão logo a escravidão saísse de cena. Os leitores que tiverem interesse no assunto podem ver a postagem "Algodão Para a Roupa dos Escravos".

5. Seguro de vida de escravos

Talvez pareça estranho encontrar essa faísca de capitalismo no Brasil escravocrata. Mas era verdade. Havia, sim, quem oferecia seguro de vida de escravos, não para os próprios cativos, é claro, mas para os respectivos proprietários, que investiam na compra de mão de obra (principalmente para a lavoura), e que temiam perder o investimento com a morte de trabalhadores, bastando, para isso, o surto de uma doença letal, coisa que, no século XIX, não era acontecimento nada incomum.
Vejam, a título de exemplo, o anúncio que apareceu na edição de 1871 (⁷) do Almanaque Laemmert (que, nesse tempo, tinha já outro editor):


(1) Embora nos anos imediatos ainda tenha havido algumas tentativas de introduzir - ilegalmente - africanos escravizados no Brasil.
(2) SCHLICHTHORST, C. O Rio de Janeiro Como É (1924 - 1926). Brasília: Senado Federal: 2000, p. 135.
(3) LAEMMERT, Eduardo. Almanaque Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro Para o Ano de 1854. Rio de Janeiro: Eduardo e Henrique Laemmert, 1854, p. 500.
(4) Ib., p. 362.
(5) SCHLICHTHORST, C. Op. cit., p. 150.
(6) LAEMMERT, Eduardo. Op. cit., p. 509.
(7) HARING, Carlos Guilherme. Almanaque Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro Para o Ano de 1871. Rio de Janeiro: E & H Laemmert, 1871, p. 396.


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sexta-feira, 3 de junho de 2016

Como D. Pedro I reagia a um sermão desagradável

D. Pedro I, de acordo com Debret (¹)
A intriga palaciana vem de C. Schlichthorst, um mercenário alemão que, entre 1824 e 1826, serviu como oficial no Segundo Batalhão de Granadeiros do Exército Imperial. A par do aspecto pitoresco, tem lá sua utilidade, se quisermos entender um pouco do clima político que reinava - oh, não, que imperava na Corte do Rio de Janeiro ao tempo do primeiro imperador.
D. Pedro, como se esperava do monarca de um país que tinha uma religião oficial, ostentava a devoção conveniente que o obrigava a comparecer às missas e outras cerimônias da Igreja, em especial em datas festivas, celebradas com solenidade. Seguimos com a descrição de Schlichthorst:
"O imperador senta-se no trono, ao pé do altar-mor. Junte dele, o bispo. Em frente, os cônegos da Capela Imperial. Se a imperatriz comparece, fica só ou em companhia da filha, a princesa Maria da Glória, na tribuna imperial. Uma ou duas damas da Corte ocupam uma tribuna maior ao lado." (²)
Engana-se, porém, quem imagina que, em tal situação, o imperador era, para seus leais súditos, um exemplo acabado de bom comportamento. Tudo dependia, como já veremos, do teor do sermão. "Se a prédica agrada ao imperador", escreveu C. Schlichthorst, "ele a ouve com a maior atenção. Se, porém, escapa ao orador uma expressão que desagrada a Sua Majestade, acabou-se a sua devoção. O imperador jamais esconde sua suscetibilidade e, nessas ocasiões, vira as costas para o pregador, pigarreia, brinca com o sabre e, por outros sinais inequívocos, demonstra seu aborrecimento." (³)
A despeito da imperial falta de compostura, os oradores sacros eram, com frequência, bastante destemidos, e sua audácia tinha imperial utilidade:
"Graças, no entanto, à franqueza e destemor do clero brasileiro, os pregadores lhe fazem ouvir coisas que, cercado por uma corte escravizada, só assim poderia saber." (⁴)
Ao tempo de Pedro I havia, no Rio de Janeiro, frades notáveis pela erudição e pelo talento na oratória. Portanto, não devia ser tanto a forma que caia mal aos ouvidos de Sua Imperial Majestade, e sim o conteúdo. Todos sabemos, porém, que não escasseavam os motivos para uns puxões (exclusivamente verbais) nas imperiais orelhas. Compreende-se, compreende-se...

(1) DEBRET, J. B. Voyage Pittoresque et Historique au Brésil vol. 3. Paris: Firmin Didot Frères, 1839. O original pertence à Brasiliana USP; a imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog.
(2) SCHLICHTHORST, C. O Rio de Janeiro Como É (1824 - 1826). Brasília: Senado Federal: 2000, p. 114.
(3) Ibid., pp. 114 e 116.
(4) Ibid., p. 116.


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segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Como eram examinados os escravos vendidos no mercado do Valongo

Em uma imagem de M. Rugendas, o desembarque de escravos no porto do Rio de Janeiro (¹)

Um dos aspectos mais grotescos da escravidão estava relacionado ao modo como eram tratados os escravizados, que, trazidos da África, chegavam ao Brasil e eram logo apresentados aos potenciais compradores. Infelizmente, para muitos brasileiros acostumados ao espetáculo diário da escravidão, a existência de um lugar em que seres humanos eram comprados e vendidos parecia uma coisa absolutamente normal, daí ser muito útil verificar o que é que pensava um estrangeiro ao observar o mercado de escravos do Valongo (²).
Temos um depoimento interessante, registrado por C. Schlichthorst, militar alemão contratado, pouco depois da Independência, como oficial para o 2º Batalhão de Granadeiros. Esse homem permaneceu pouco tempo no Brasil, mas foi o suficiente para que, pelo menos em assuntos relacionados à escravidão, tivesse uma visão bastante abrangente quanto ao que ocorria na capital do Império. Como poderia ser diferente, se os cativos estavam por toda parte, se ninguém parecia constrangido em ostentar o título de "senhor de escravos", se, afinal, os grandes do Império eram considerados tanto mais poderosos quanto maior o número de escravizados que tinham à disposição?
Mas vamos ao que Schlichthorst escreveu sobre o desembarque de africanos:
"Ao chegar ao porto, dá-se a cada escravo do sexo masculino ou feminino, um pano azul e um barrete vermelho, pois viajaram em trajes do Paraíso. Com essas tangas e barretes, veem-se longas filas de negros levados como rebanhos de ovelhas para os armazéns dos traficantes, onde as transações continuamente se realizam, feitas com a mesma cautela com que na Alemanha se compra um cavalo." (³)
Nesses armazéns cada escravo era examinado, ou pelos futuros senhores, ou por seus representantes comerciais encarregados de negócios na Corte:
"Verificam-se, para começar, mãos e pés. Mandam-se fazer vários movimentos, para ver que não têm defeitos. Examinam-se os dentes e o tórax. Afinal, levam-no repentinamente do escuro para a claridade, a fim de provar a sua vista. Não será preciso dizer que esse exame não é feito com muita delicadeza nas escravas. [...]." (⁴)
Imagino que os leitores estejam entre constrangidos e horrorizados. Schlichthorst ainda acrescentou:
"Numa palavra, este comércio de carne humana equivale ao comércio europeu de cavalos." (⁵)
C. Schlichthorst deixou, porém, de fazer uma observação que seria de todo pertinente: se é fato que o tráfico de africanos só existia porque havia gente interessada em comprar escravizados, é igualmente verdade que, desde os primórdios da colonização, o maldito comércio de seres humanos era feito por europeus, e de diversas nacionalidades. Não era coisa que envolvesse apenas os habitantes das jovens colônias do continente americano. Era, por assim dizer, um drama quase mundial.

(1) O original pertence à Biblioteca Nacional; a imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog.
(2) No Rio de Janeiro, capital do Império do Brasil.
(3) SCHLICHTHORST, C. O Rio de Janeiro Como É (1924 - 1926). Brasília: Senado Federal: 2000, p. 137.
(4) Ibid.
(5) Ibid., p. 138.


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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Algodão para a roupa dos escravos

Grupo de escravas, de acordo com Thomas Ender (¹)

Nos tempos coloniais, eram frequentes as reprimendas do clero contra senhores que sequer tinham a preocupação de prover vestuário decente para seus escravos. Aos poucos, ao menos nesse aspecto, práticas mais civilizadas foram introduzidas, embora seja fácil perceber, pelas obras de desenhistas da primeira metade do Século XIX, que, mesmo no Rio de Janeiro, capital do Brasil, havia escravos verdadeiramente maltrapilhos percorrendo as ruas.
Na opinião do segundo barão de Paty do Alferes, todo fazendeiro deveria, em suas terras, cultivar algodão, ainda que apenas à beira dos caminhos, "embora essa não seja a cultura especial do agricultor, pois além de muitos outros usos domésticos e constantes, o algodão fiado fornece a melhor linha para coser a grosseira roupa dos escravos." (²)
Um pouco depois da Independência, um militar alemão de nome C. Schlichthorst, que esteve Brasil contratado como oficial do Segundo Batalhão de Granadeiros de Primeira Linha, observou que na capital do Império as mulheres de condição livre tendiam a usar, ao menos em público, roupas pretas ou coloridas, porém jamais peças brancas, e logo explicaria o motivo:
"As senhoras e moças vestem-se de preto ou de cores variegadas, cada qual seguindo, quanto a cores, seu gosto pessoal e não os rigores da moda. [...].
Em casa e nos passeios, senhoras e moças trazem vestidos coloridos de casa. Nunca brancos, pois esta cor é reservada ao trajar dos negros." (³)
Se é verdade que os registros de Schlichthorst eram às vezes inexatos (quer por um lapso de memória ou por falta de informação), neste caso ele estava correto, ao menos em parte: escravos, é fato, não tinham, necessariamente, que vestir roupas brancas, mas havia entre pessoas livres algum preconceito quanto a usar traje branco, que se imaginava uma característica dos cativos, já que muitas peças de vestuário usadas por escravos nos tempos do Império eram feitas com tecido rústico de algodão cru, embora camisas de tecido listrado, para os homens, e saias e turbantes coloridos, no caso das mulheres, não fossem incomuns. O caso é que, malgrado a pouca ou nenhuma delicadeza do tecido, não podemos deixar de notar que, em termos de cor, o vestuário dos escravos, com a predominância do branco, acabava sendo mais adequado ao clima de grande parte do Brasil do que eram as roupas usadas por pessoas de condição livre. No Rio de Janeiro, ao longo do Século XIX e mesmo mais tarde, a casimira inglesa, sempre em circunspectas cores escuras, tinha a preferência para a confecção do vestuário masculino usual entre a gente que se supunha de alguma importância. Imagine-se o que é que tal coisa significava sob um típico sol de verão!...
Mas voltemos ao vestuário dos escravos. 
Em algumas fazendas, o tecido de algodão era feito a partir da produção local. Porém, como muitos fazendeiros reservavam quase a totalidade de suas terras para culturas como café ou cana-de-açúcar, além da produção de gêneros de subsistência, havia espaço, no mercado, para quem se dispunha a fornecer o tecido pronto e na metragem desejada. Um anúncio de uma fábrica de tecidos de algodão do município de Magé, que apareceu no Almanque Laemmert de 1853, trazia a seguinte explicação:
"Esta fábrica [...] é de cardar, fiar, torcer e tecer algodão, tocada por água [...]. Fabrica panos grossos superiores aos de Minas, para roupas de escravos e sacaria [...]." (⁴)
Para maior comodidade dos interessados em compras, informava também ter depósito na capital:
"O depósito destes algodões é no Rio de Janeiro, Rua do Hospício, Casa de Samuel Southam &; C., únicos agentes, Rua dos Pescadores, 26." (⁵)

(1) O original pertence ao acervo da BNDigital; a imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog.
(2) WERNECK, Francisco Peixoto de Lacerda. Memória Sobre a Fundação e Custeio de uma Fazenda na Província do Rio de Janeiro 2ª ed. 
Rio de Janeiro: Laemmert, 1863, p. 22.
(3) SCHLICHTHORST, C. O Rio de Janeiro Como É (1924 - 1926). Brasília: Senado Federal: 2000, 92.
(4) LAEMMERT, Eduardo. Almanaque Administrativo, Mercantil e Industrial da Corte e Província do Rio de Janeiro Para o Ano de 1853. Rio de Janeiro: Eduardo e Henrique Laemmert, 1853.
(5) Ibid.


Veja também:

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Escravos domésticos

Portuguesa com escravos no Rio de Janeiro do Período Joanino,
de acordo com desenho de Thomas Ender (¹)

Fala-se muito sobre os escravizados que trabalhavam nos engenhos de cana-de-açúcar, na mineração ou nas fazendas de café. Mas havia, também, escravos que trabalhavam em casas de famílias das áreas urbanas, e estes tinham, naturalmente, um modo de vida algo diverso em relação àqueles que labutavam em atividades agrícolas ou extrativistas.
Pessoas abastadas adoravam ostentar uma grande escravatura - era um indício externo de riqueza e, por vezes, também de poder. O número de escravos variava, então, com as dimensões da casa e a fortuna dos moradores. C. Schlichthorst, militar alemão contratado como oficial do Segundo Batalhão de Granadeiros ao tempo de D. Pedro I, comparou o costume brasileiro de ter escravos domésticos ao dos europeus que ostentavam vasta criadagem, e observou que, como regra, famílias ricas urbanas (²) tinham entre dez e vinte escravos:
"É uma espécie de vaidade fazer-se servir por muitos, luxo que, como todo exagero, acaba se tornando incômodo. Nas casas ricas, empregam-se geralmente de dez a vinte. [...] Lisonjeia o orgulho do brasileiro ser acompanhado à missa ou aos passeios por longa filha de escravos e escravas, cuja ociosidade como que até causa prazer aos senhores. A mesma coisa ocorre não raras vezes na Europa." (³)
É difícil determinar o quanto trabalhavam os escravos domésticos, e se havia, de fato, alguma ociosidade entre eles, ao menos nos casos de famílias que tinham mais escravos do que o trabalho requeria. Sabemos, porém, que os escravos eram ocupados em uma grande variedade de tarefas: limpar a casa, cozinhar, costurar, bordar, amamentar bebês, cuidar de crianças, conduzir meninos à escola, cuidar de cavalos, conduzir pelas ruas o tílburi ou sege de propriedade da família, buscar água, descartar lixo e outros dejetos, cuidar dos jardins, levar recados, fazer compras, lavar e passar a roupa, carregar cadeirinhas de arruar ou liteiras - a lista poderia ir mais além, mas isto já é suficiente para os leitores que quiserem formar um juízo adequado da movimentação existente, no dia a dia, em uma casa de família de posição econômica elevada. Se havia muitos escravos, talvez o trabalho não fosse tão árduo, mas, com um número menor, as tarefas eram, sem dúvida, mais do que suficientes para garantir a ocupação de todos.

(1) O original pertence à BNDigital; a imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog.
(2) No Rio de Janeiro, capital do Império.
(3) SCHLICHTHORST, C. O Rio de Janeiro Como É (1924 - 1926). Brasília: Senado Federal: 2000, p. 149.


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