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sexta-feira, 12 de julho de 2024

O que era uma cidade para os romanos

Muitos povos da Antiguidade passaram, gradualmente, da condição de nômades ou seminômades a sedentários, à medida que se fixaram em uma localidade e constituíram espaços urbanos. Embora nem todas as cidades do passado fossem iguais, sob alguns aspectos as características coincidiam. Marco Túlio Cícero (¹), político, escritor e orador romano, definiu assim o que entendia como uma verdadeira cidade, e é provável que tivesse Roma em mente, quando escreveu:
"Este ajuntamento é, primeiro, o lugar de moradia, escolhido pela situação favorável, e então fortificado, e recebe, pela construção de residências, edifícios públicos e templos, a denominação de cidade [...]." (²)
Vale a pena dissecar esse pequeno texto de Cícero. Povoações eram formadas quando um grupo de pessoas decidia viver em vizinhança, ou seja, perto umas das outras, e não isoladas. Por que o fariam? Talvez logo percebessem que era mais fácil a defesa contra outros grupos quanto mais numerosos fossem, e que, além disso, podiam prestar ajuda mútua na agricultura e cuidado de rebanhos. Havia vantagem, também, e isso não é pouco relevante, quando se vivia em um grupo numeroso, por maiores possibilidades para um casamento - os romanos antigos que o dissessem, se é que aquela história do rapto das sabinas é verdade. 
Para formar uma povoação, contudo, era preciso sabedoria na escolha do lugar. Devia haver um suprimento confiável de água, pastagens para os animais, campos para cultivo. Também seria bom não ser lugar de temperaturas extremas, nem muito perto de outras povoações, para evitar disputas por território, tanto mais prováveis se, por acaso, na área estivessem povos caçadores. 
Depois que o lugar era escolhido, era preciso pôr mãos à obra e construir algum tipo de fortificação, que podia ser, no princípio, uma simples paliçada, mas que, com o passar do tempo, à medida que a população aumentava e cresciam as forças, devia ser substituída por uma verdadeira muralha. Algumas cidades da Antiguidade tiveram sistemas complexos de muralhas - Babilônia e Jerusalém, por exemplo - e Roma também teve as suas. 
Supõe-se que, com essas características, a cidade deveria prosperar. O gradual aumento da riqueza permitiria a construção de melhores casas e de templos, porque a religião foi, na Antiguidade, um instrumento importantíssimo para o fortalecimento de vínculos políticos e sociais. Prédios públicos, finalmente, como um fórum ou outro lugar de reunião dos cidadãos e de exercício da justiça, deveriam ser erguidos como símbolo do orgulho cívico dos moradores. A isso os romanos, segundo Cícero, davam o nome de cidade. 

(1) 106 a.C. - 43 a.C.
(2) CÍCERO, Marco Túlio. De re publica. c. 51 a.C. O trecho citado foi traduzido por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias.


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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Pastores de ovelhas na Mesopotâmia de Hamurabi

Uma economia pastoril, com o correspondente estilo de vida, foi praticada por muitos grupos nômades na Antiguidade. A sedentarização gradual conduziu à inserção dos rebanhos e seus condutores no contexto de comunidades urbanas.
Com o objetivo de inibir confrontos entre agricultores e pastores, o Código de Hamurabi (c. 1750 a.C.) determinava que aqueles que tinham rebanhos eram obrigados a indenizar proprietários de plantações que, eventualmente, fossem danificadas por animais. O Código disciplinava, também, as relações entre pastores assalariados e seus patrões, os proprietários de rebanhos, através de leis que podem ser assim sistematizadas:

1. Circunstâncias em que os pastores estavam obrigados a compensar os proprietários de quem recebiam um salário:
  • Se matassem algum animal intencionalmente (para comer);
  • Se, por sua negligência, o rebanho diminuísse ou o número de nascimentos, que deveria fazer crescer o rebanho, não fosse satisfatório;
  • Se algum acidente evitável, ainda que dentro do estábulo, resultasse em perda de animais.

2. Dano intencional ao patrimônio de um proprietário de rebanho, causado por trabalhador assalariado:
  • Se um pastor cometesse alguma fraude que resultasse em perda do rebanho ou de parte dele, ou se vendesse os animais sob seu cuidado, estava obrigado a pagar ao proprietário dez vezes (!!!) o valor estimado do prejuízo que causara. 

3. Situações em que um pastor estava isento de penalidade:
  • Se um acidente inevitável - a lei sugere que por obra de algum deus (¹) - atingia o rebanho, o pastor devia jurar diante daquele deus (²) que era inocente, e não seria obrigado a compensar o proprietário;
  • Um pastor era também considerado sem culpa e, portanto, desobrigado de qualquer ressarcimento, se um animal sob seu cuidado fosse morto e/ou devorado por um animal selvagem.

Então, leitores, podemos disso extrair ao menos três conclusões. A primeira delas é que, embora houvesse ênfase na criação de ovelhas, as leis eram aplicáveis também para quem cuidava de caprinos e bovinos; a segunda, sugerida pela quantidade de regulamentos associados ao pastoreio, é que a pecuária tinha muita importância nesse tempo, mesmo para comunidades sedentárias; finalmente, como as leis faziam referência a trabalhadores assalariados para o cuidado dos rebanhos, eles deviam ser a maioria nessa atividade, sem exclusão, no entanto, do emprego de mão de obra escrava, talvez em caráter auxiliar.

(1) Na Antiguidade havia deuses associados a diferentes fenômenos, tais como tempestades, fogo, etc.
(2) Diante dos juízes ou talvez no templo correspondente.


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quinta-feira, 26 de abril de 2018

As cidades da Mesopotâmia na Antiguidade

Pensem, leitores, naquilo que, para vocês, é parte indispensável de uma cidade: residências, prédios públicos, ruas, avenidas e praças, meios de transporte, estabelecimentos comerciais variados... Moradores, naturalmente. Tenho certeza de que a lista que fizeram tem muitos outros itens, porque os centros urbanos de nosso tempo são extremamente complexos e, muitas vezes, especializados. 
Pensem, agora, no que compunha uma cidade na antiga Mesopotâmia, antes que a Assíria ou a Babilônia viessem a ser impérios dominantes na área - o que encontraríamos nelas? Sim, havia diferenças de uma povoação para outra, mas algumas coisas não podiam faltar:

Templo
Tendo em vista que a vida urbana girava em torno de práticas religiosas, nada poderá exagerar a importância dos templos. Cidades grandes tinham vários deles, mas as pequenas tinham pelo menos um, o que não significa que adotassem ideias monoteístas - um só lugar podia ser centro de culto de vários deuses. Parte da produção local e/ou impostos tinha como destino a manutenção dos locais de culto e dos sacerdotes. Rituais sofisticados só foram possíveis à medida que circunstâncias econômicas possibilitaram que algumas pessoas fossem dispensadas das obrigações normais do dia a dia (¹), tornando-se especializadas na manutenção do culto. A complexidade religiosa podia refletir, assim, o nível de desenvolvimento das forças produtivas.

Palácio
Se a cidade chegava a ser rica e poderosa, podia ter um palácio para residência de seu líder mais importante, a quem chamamos rei. Na antiga Mesopotâmia os reis tinham obrigações civis (como governantes e juízes), deveres militares (sendo, ao menos formalmente, comandantes do exército local) e funções religiosas, sendo reis-sacerdotes, que não eram vistos como deuses e sim como representantes dos deuses, ou figuras capazes de uma conexão entre os humanos e as divindades.

Muro
A existência de uma muralha ao redor de uma povoação era essencial para que fosse considerada uma cidade "de verdade", e não um mero ajuntamento de pessoas. Os muros eram importantes como defesa contra ataques de povos inimigos, contra hordas nômades que pilhavam a produção alheia e, quando construídos junto a um rio, contra eventuais inundações. Os primeiros muros devem ter sido simples e pouco duráveis, mas o uso de materiais resistentes, tais como tijolos, tornaram a proteção razoavelmente eficaz, pelo menos até que máquinas de guerra, como torres e rampas sobre rodas, fossem desenvolvidas, para permitir o acesso de exércitos invasores ao interior das cidades.

Áreas de cultivo
Alimentos são essenciais à sobrevivência de uma população - alguém duvida? Portanto, depois dos muros, mas geralmente fora deles, vinham os campos de cultivo, nos quais trabalhavam os homens livres das cidades e, muitas vezes, também um bom número de escravos, para assegurar um suprimento de alimentos, não só para a população local, mas também para comércio.

Áreas de pastagens
O fato de que a população da Mesopotâmia tenha se sedentarizado não levou ao abandono das atividades pastoris. Elas continuaram a ter papel importante, e muitas cidades tinham, para além dos campos agricultáveis, áreas destinadas a pastagens. O Código de Hamurabi (²) tinha leis que obrigavam os pastores descuidados a compensar o dano que suas ovelhas ou cabras houvessem causado à plantação de alguém, mostrando que campos de cultivo e pastagens podiam estar próximos (às vezes, até próximos demais).

Além de oficinas de artesãos de várias especialidades, toda cidade que se prezava devia ter algum tipo de comércio. Em muitos casos, a recorrência de uma feira de mercadores nômades em certos lugares contribuiu para que ali, gradualmente, se formassem povoações permanentes. Então, o comércio local podia ser fixo - sabe-se que algumas cidades tinham ruas dedicadas exclusivamente à compra, venda e troca de mercadorias - ou mais parecido com uma feira livre da atualidade, com a reunião periódica de comerciantes que iam e vinham de um lugar para outro. À parte disso, o comércio foi importante para o desenvolvimento entre os mesopotâmios de uma forma de escrita (³), já que era imprescindível registrar o que se comprava e vendia, a que preço e em que condições de pagamento. Com a escrita, nascia também a contabilidade, vital em comunidades nas quais impostos já eram cobrados para manter toda a estrutura urbana e administrativa acima referida.

(1) Comunidades sem o mesmo grau de desenvolvimento não tinham, em geral, um grupo de pessoas dedicadas exclusivamente ao sacerdócio; portanto, a autoridade religiosa competia, quase sempre, ao líder da família ou clã. Isto é particularmente verdade em relação às comunidades nômades ou seminômades cuja ocupação predominante estava relacionada ao pastoreio.
(2) Cerca de 1750 a.C.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Cidades-Estado na Antiguidade

Uma cidade-Estado, leitores, pode ser definida como uma unidade que é, do ponto de vista político, autônoma e independente, mas com território reduzido. Assim, tem governo próprio, leis próprias e juízes e tribunais próprios, exército próprio e, em muitos casos, religião e costumes próprios. Sim, tudo próprio! Ressalvadas algumas diferenças, bem poderíamos dizer, no limite da simplificação, que uma cidade-Estado é um país em forma de cidade. 
Isto posto, podemos considerar que cidades-Estado existiram em muitos lugares na Antiguidade. Em algumas épocas e circunstâncias eram a regra, e não a exceção. A despeito disso, é fácil constatar que, em locais distintos, cidades-Estado tinham também suas especificidades. Na Grécia Antiga, por exemplo, uma cidade-Estado:
  • Era um agrupamento urbano, ao qual correspondiam as áreas de cultivo adjacentes; 
  • Era habitada por indivíduos que, como cidadãos, tinham direitos políticos, inclusive quanto à participação no governo;
  • Tinha um culto em comum;
  • Exercia funções de defesa, já que, em tempos de guerra, a população rural das redondezas vinha buscar proteção dentro de suas muralhas;
  • Era um local de trabalho para artesãos e para o comércio local;
  • Geralmente passava por várias fases de desenvolvimento político, de modo que, ao longo dos anos, podia apresentar diferentes formas de governo.
Em sua grande maioria, as cidades-Estado da Grécia Antiga começaram como um ponto de sedentarização para grupos que migravam de outras regiões. Por sua vez, muitas cidades, posteriormente, deram origem a outras, por terem enviado grupos de colonizadores. Disso nasceria a chamada Magna Grécia.
Agora, leitores, se observarmos o que acontecia nas cidades-Estado encontradas na Palestina e na Mesopotâmia, veremos que:
  • Como regra, eram pontos de encontro para caravanas de mercadores;
  • Os "cidadãos" eram simplesmente os moradores da cidade, que adotavam seus costumes e praticavam a religião da comunidade, sem ter, necessariamente, algum direito à participação política;
  • Exerciam, como as cidades gregas, funções de defesa, o que explica a construção de muros e torres;
  • O governo era, com frequência, confiado a um rei, que contava ainda com a assessoria de um conselho de anciãos;
  • Tendo nascido como entrepostos de rotas comerciais, tinham costumeiramente um mercado anexo à porta principal;
  • À medida que se desenvolviam, passavam a contar também com oficinas de artesãos, de modo que algumas cidades vieram a ser notáveis por uma determinada modalidade de trabalho artesanal.
Nos dois casos que acabamos de investigar - cidades da Grécia Antiga e cidades da Palestina e Mesopotâmia - a "fundação oficial" era sempre descrita como um evento de caráter religioso, já que a nova povoação era consagrada a um deus ou deusa, cujo templo, ainda que modesto, era logo construído, como um símbolo da própria cidade e da proteção da divindade invocada. Os atos cívicos eram, então, quase sempre também atos religiosos, praticados no templo principal ou em suas imediações. Isso não descarta o fato de que algumas cidades podiam nascer "por acaso", sem uma intenção deliberada de fundação. Para esse defeito havia uma solução formidável: cronistas tratavam de criar as mais mirabolantes fábulas, remontando a origem de sua pátria a tempos tão distantes que a fundação só poderia ser obra dos deuses... E estava tudo resolvido, ao menos para eles. Para quem hoje tenta, seriamente, deslindar a verdadeira origem de cidades e povos, toda essa megalomania dos antigos é uma grande dor de cabeça.


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segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Moinhos de pedra e seu uso na Antiguidade

Pedra de moinho

Indispensável à sedentarização, o desenvolvimento da agricultura, incluindo o cultivo de cereais, tornou possível a existência daquele que é, apesar de suas inúmeras variantes, o mais universal dos alimentos: o pão.
No entanto, havia nômades que também apreciavam um bom pão. Hábeis na pilhagem, faziam ataques repentinos a comunidades sedentárias logo após a colheita; tão rápido quanto haviam chegado, desapareciam, levando consigo o produto de todo um ano de trabalho alheio, e iam fartar-se em algum lugar seguro - seguro para eles, é claro. A defesa contra esses bandos de rapina foi um fator importante, e até decisivo, para que exércitos permanentes e cidades muradas fossem estabelecidos.
Para fazer pão é necessário algum tipo de farinha, e é aí que entraram em cena os moinhos, constituídos, em sua expressão mais singela, por duas pedras, entre as quais o cereal era triturado. Em seguida, a farinha e o farelo deviam ser separados, fosse pelo método rústico de soprar com auxílio do vento ou, já com certa sofisticação, mediante o emprego de algum tipo de peneira.
Pequenos moinhos manuais, de uso doméstico, eram conhecidos desde tempos remotos; pô-los em funcionamento, na maioria das culturas, era uma tarefa de competência das mulheres. Semelhantes àqueles destinados a triturar cereais, havia, principalmente no mundo mediterrânico, moinhos usados para prensar azeitonas, delas extraindo o precioso azeite.
Mais tarde foram desenvolvidos moinhos de maiores proporções, capazes de triturar grande quantidade de grãos. Eram, portanto, compatíveis com a realidade do crescimento urbano, em que fazer pão deixava de ser uma atividade exclusivamente doméstica e ia para a esfera dos estabelecimentos comerciais, que faziam da panificação uma arte, atendendo às grandes cidades do mundo antigo, como Atenas e Roma.
Esses novos moinhos, também feitos, em sua maioria, de pedra, eram movidos costumeiramente por jumentos que trabalhavam com os olhos vendados, enquanto faziam girar, girar e girar o mecanismo (*).
Para concluir, refiro aqui um detalhe penoso. É que ao escravo desobediente, ou que não fazia um trabalho considerado satisfatório, era imposto, em Roma, um castigo estupidamente humilhante: o de ir, também de olhos vendados, substituir o jumento que trabalhava em um moinho. 

(*) Há evidência de que moinhos hidráulicos já eram conhecidos na Roma imperial, embora não fossem predominantes.


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segunda-feira, 19 de maio de 2014

As comunidades nômades e o pastoreio

O nomadismo, nos tempos antigos, não era, para os que se dedicavam ao pastoreio, uma opção. Era, antes, uma necessidade. Quando ovelhas e/ou cabras consumiam todas as pastagens de um lugar, era preciso, a bem da conservação dos rebanhos, procurar outro espaço para viver.
Além disso, dependendo das condições climáticas, podia ser necessário mover os rebanhos de acordo com as estações do ano. As montanhas podiam ter bons locais de pastagem desde fins da primavera, por todo o verão e até começar o outono; porém, em se aproximando o inverno, era preciso conduzir os animais para as planícies, cujas temperaturas, em geral mais amenas, bem como os ventos menos intensos, faziam as nevascas mais toleráveis, em termos de sobrevivência, tanto para os pastores como para seus rebanhos. É importante lembrar que, em algumas regiões do mundo, essa prática de migração sazonal de pastores e rebanhos ainda persiste, e é denominada transumância.
Quer-se dizer, então, que povos dedicados ao pastoreio tinham, obrigatoriamente, que ser nômades?
Certamente não. A sedentarização era possível em áreas de pastagens mais férteis, com variações climáticas menos intensas ao longo do ano, nas quais a ocorrência de chuvas regulares possibilitava mais célere recuperação da cobertura vegetal, de modo que, nessas condições, bastava fazer, com os rebanhos, um rodízio nas proximidades de uma dada povoação, combinando o pastoreio com a agricultura, da qual, inclusive, podia vir um suprimento de forragem para o gado nos meses mais frios.
No entanto, em áreas menos férteis, a atividade pastoril precisava ser nômade. Esgotada uma pastagem, era indispensável desmontar as tendas e partir. Lá iam homens e rebanhos em busca de um novo local para viver, que tivesse grama verde e água - local que acabaria também abandonado quando, de novo, os pastos fossem totalmente consumidos.
E o que é que acontecia se diferentes grupos de pastores nômades se encontrassem e resolvessem disputar uma mesma área? Os senhores leitores têm bastante experiência quanto ao que é a natureza humana. Não é difícil imaginar. Negociações pacíficas seriam improváveis. O que variava, naqueles tempos, em relação aos nossos dias, era apenas a capacidade destrutiva, com as armas mais que rudimentares então disponíveis. O resto é muito parecido ao que vemos até hoje, embora as brigas da atualidade não sejam, usualmente, por bons pastos. A disputa pela água, no entanto, anda a frequentar a ordem do dia.


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