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sexta-feira, 12 de abril de 2024

Vestuário dos antigos egípcios, de acordo com Heródoto

Alguns trajes egípcios da Antiguidade (*)

O vestuário básico de um egípcio na
Antiguidade compunha-se, segundo Heródoto, de uma túnica feita de linho, cujo comprimento alcançava os joelhos, e à qual, usualmente, se acrescentavam franjas; quando fazia frio, os egípcios vestiam, sobre a túnica de linho, uma capa feita de lã.
Contudo, ao ir aos templos, jamais egípcios deveriam usar qualquer roupa de lã, apresentando-se apenas com trajes de linho, porque, sempre de conformidade com Heródoto, vestir qualquer coisa de lã em cerimônias religiosas era, para eles, um sacrilégio. Pela mesma razão, os mortos, depois de mumificados, somente eram vestidos com trajes de linho para o sepultamento.
A moda é volúvel. Heródoto descreveu o que viu no Século V a.C., mas o Egito foi um império que durou muito, muito tempo, e, além disso, camadas sociais distintas, pela diferença na capacidade econômica, tinham também suas particularidades no vestuário. O linho, porém, crescia muito bem e tinha qualidade no Egito, daí seu uso generalizado para a confecção de roupas, que eram também preferidas pela adequação às condições climáticas em que eram usadas. 

(*) Cf. CHALMERS, Helena. Clothes on and off the Stage - A History of Dress. New York, London: D. Appleton and Company, 1928, p. 25. A imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog. 


Veja também:

quinta-feira, 19 de setembro de 2019

Em camisa e ceroulas

O vestuário doméstico usado por quem vivia no interior do Brasil na primeira metade do Século XIX


Quem andasse pelo interior do Brasil por volta da primeira metade do Século XIX esperando encontrar compostura, ainda que não formalidade, na recepção de visitas, provavelmente ficaria desapontado. É que o distanciamento dos centros urbanos, o pouco ou nenhum convívio social, faziam com que até mesmo os mais abastados não tivessem escrúpulos em aparecer diante das visitas em trajes sumários. Enviado à Província de Goiás pouco depois da Independência para organizar as forças militares da região, Raimundo José da Cunha Matos observou, quanto à gente que o hospedava ao longo do caminho (que, aliás, era longo mesmo, ainda mais naqueles tempos em que o meio terrestre de transporte mais rápido eram os cavalos): "A falta de educação urbana da gente do sertão induz a apresentarem-se os homens muitas vezes em presença de pessoas de respeito em trajes do interior das casas, em camisa e ceroulas; mas as mulheres pela  maior parte aparecem vestidas com decência, posto que estejam quase sempre sem meias, e com tamancos nos pés." (¹)
Mais tarde, já na Cidade de Goiás, capital da Província, Cunha Matos observou que as mulheres viviam quase reclusas, a não ser pelas idas à missa, e isso com um traje que, se não era a mantilha dos tempos coloniais, não deixava, para efeitos práticos, de ter a mesma finalidade: "As senhoras não saem fora de casa durante o dia senão em raríssimas ocasiões, mas nos dias santos e domingos vão à missa de madrugada, e então cobrem a cabeça com um lenço que forma uma espécie de elmo com babeira mas sem viseira, e por este modo só se lhes podem ver os olhos [...]." (²)
Uma viagem de inspeção de tropas deu ao mesmo autor a oportunidade de constatar que os hábitos quanto ao vestuário que havia presenciado não estavam restritos a uma pequena área, tampouco eram praticados somente por camadas mais baixas da população. Cunha Matos, que, ao lado de suas atribuições militares, aproveitava a ocasião para ir escrevendo as observações que hoje nos divertem, deixou-nos este registro em que, a despeito do transparente mau humor, descreve com precisão quase fotográfica o trajar diário de um indivíduo que, tendo-o hospedado, estava longe de pertencer à fração empobrecida da Província: "[...] O proprietário do engenho hospedou-me com a melhor vontade, e com tanta sem-cerimônia que sempre esteve em camisa e ceroulas, tamancos, e sem meias nas pernas. Tal é o estado de civilização destes sertões, ou a grosseria de alguns homens, ainda mesmo proprietários abastados." (³)

(1) MATOS, Raimundo José da Cunha. Itinerário do Rio de Janeiro ao Pará e Maranhão Pelas Províncias de Minas Gerais e Goiás. Rio de Janeiro: Typ. Imperial e Constitucional, 1836, p. 96.
(2) Ibid., pp. 138 e 139.
(3) Ibid. p. 188.


sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Acessórios dispensados e/ou dispensáveis

A moda só é moda porque é passageira - coisas que todo mundo usa em uma certa época tornam-se ridículas posteriormente. Ou, mesmo que não venham a ser pretexto para riso, são, pelo menos, totalmente dispensáveis, a não ser para quem gosta de vestir-se à antiga ou, talvez, em alguma festa em que se requer o uso de fantasia.
Temos aqui três itens que hoje poderiam bem ser classificados como acessórios dispensados e/ou dispensáveis, mas que no passado já foram parte obrigatória do traje de gente refinada. Vejamos:

a) Suspensórios
O próprio corte das calças já pressupunha o uso de suspensórios. Eles eram, portanto, imprescindíveis no vestuário masculino, e não simplesmente um adorno. Quando as calças mudaram, os suspensórios caíram em desuso.

Propaganda de suspensórios, datada de 1929 (¹)

b) Alfinetes para colarinho
Já neste caso, nem todo mundo usava (até porque, antigamente, havia colarinhos postiços, que eram apenas "encaixados" nas camisas). Alfinetes eram, pois, assim como as abotoaduras, um acessório para ocasiões especiais ou para aqueles que, por razões profissionais, estavam obrigados a usar diariamente um vestuário mais requintado.

Alfinetes para colarinho, de acordo com propaganda de 1930 (²)

c) Luvas femininas
Não estamos a falar de luvas de inverno, mas sim de peças muito delicadas, um verdadeiro luxo, feitas para as madames que não saíam de casa sem elas (assim como eram, pela mesma época, considerados indispensáveis os chapéus). 
Cumpre assinalar que muitos homens também usavam luvas, o que acontecia mesmo sob o sol do verão. Terrível, é certo, mas era o resultado óbvio da mania de copiar a moda vigente em terras distantes. 

Luvas finas para mulheres, propaganda de 1923 (³)
Para quem achar interessante o costume das luvas, devo recordar que a etiqueta recomendava enfaticamente que, ao estender a mão para cumprimentar alguém, era necessário, antes, tirar a luva. Não se esqueçam, portanto, senhores leitores!

(1) A CIGARRA, Ano XVI, nº 362, 1ª quinzena de dezembro de 1929.
(2) A CIGARRA, Ano XVII, nº 373, 2ª quinzena de maio de 1930.
(3) A CIGARRA, Ano XI, nº 222, 15 de dezembro de 1923.


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