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sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Acessórios dispensados e/ou dispensáveis

A moda só é moda porque é passageira - coisas que todo mundo usa em uma certa época tornam-se ridículas posteriormente. Ou, mesmo que não venham a ser pretexto para riso, são, pelo menos, totalmente dispensáveis, a não ser para quem gosta de vestir-se à antiga ou, talvez, em alguma festa em que se requer o uso de fantasia.
Temos aqui três itens que hoje poderiam bem ser classificados como acessórios dispensados e/ou dispensáveis, mas que no passado já foram parte obrigatória do traje de gente refinada. Vejamos:

a) Suspensórios
O próprio corte das calças já pressupunha o uso de suspensórios. Eles eram, portanto, imprescindíveis no vestuário masculino, e não simplesmente um adorno. Quando as calças mudaram, os suspensórios caíram em desuso.

Propaganda de suspensórios, datada de 1929 (¹)

b) Alfinetes para colarinho
Já neste caso, nem todo mundo usava (até porque, antigamente, havia colarinhos postiços, que eram apenas "encaixados" nas camisas). Alfinetes eram, pois, assim como as abotoaduras, um acessório para ocasiões especiais ou para aqueles que, por razões profissionais, estavam obrigados a usar diariamente um vestuário mais requintado.

Alfinetes para colarinho, de acordo com propaganda de 1930 (²)

c) Luvas femininas
Não estamos a falar de luvas de inverno, mas sim de peças muito delicadas, um verdadeiro luxo, feitas para as madames que não saíam de casa sem elas (assim como eram, pela mesma época, considerados indispensáveis os chapéus). 
Cumpre assinalar que muitos homens também usavam luvas, o que acontecia mesmo sob o sol do verão. Terrível, é certo, mas era o resultado óbvio da mania de copiar a moda vigente em terras distantes. 

Luvas finas para mulheres, propaganda de 1923 (³)
Para quem achar interessante o costume das luvas, devo recordar que a etiqueta recomendava enfaticamente que, ao estender a mão para cumprimentar alguém, era necessário, antes, tirar a luva. Não se esqueçam, portanto, senhores leitores!

(1) A CIGARRA, Ano XVI, nº 362, 1ª quinzena de dezembro de 1929.
(2) A CIGARRA, Ano XVII, nº 373, 2ª quinzena de maio de 1930.
(3) A CIGARRA, Ano XI, nº 222, 15 de dezembro de 1923.


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terça-feira, 17 de julho de 2012

Anúncios curiosos das primeiras décadas do Século XX - Parte 5

No universo machadiano, Sofia é personagem de Quincas Borba e, como dama de uma certa posição social, habituada à vida na Corte, comporta-se segundo os refinamentos de instrução e maneiras que, na época, eram bastante valorizados. Tem uma prima, Maria Benedita, que, ao contrário, é moça da roça, educada sem os costumes urbanos. Não toca piano e não fala francês, coisas que, para Sofia, são falhas imperdoáveis. Afinal, quem pode ir às compras sem saber francês?
Como romance, Quincas Borba foi ambientado nos anos em que transcorreu a Guerra do Paraguai. Já o anúncio abaixo (*) é muito posterior, data de janeiro de 1910. Não obstante, persiste a mania do francês, de mistura a palavras e expressões em português. Para decifrá-lo, era preciso estar bem informado do universo de modas e compras... Devia ser tudo bem compreensível para as senhoras a quem a propaganda era destinada. Hoje já seria quase um desafio.
Na época, políticos de viés nacionalista, inconformados, queriam proibir palavras e expressões francesas nos nomes das lojas e na propaganda. Obviamente, isso deu em nada. Aos poucos, por razões fáceis de imaginar, o francês foi cedendo espaço ao inglês. E, de vez em quando, alguém ainda aventa a possibilidade de proibir ou multar quem o usa em lugar do português. Ora, se não se conseguiu tal coisa quando o país era uma gigantesca ilha lusófona em meio ao Continente Americano, seria agora possível quando a comunicação em escala mundial é (felizmente) instantânea?


(*) A LUA, Ano I, nº 1, janeiro de 1910.


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