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quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

Velas para marcar o tempo

Relógios de sol, de água e de areia foram muito usados no passado. Os romanos, por exemplo, somente aprenderam a usar relógios de sol depois que capturaram um, ao conquistarem Catania. Já uma clepsidra, relógio de água, foi vista pela primeira vez em Roma em 159 a.C. Alguns desses relógios eram belos e complexos, dependendo do grau de sofisticação tecnológica de quem os construía.
Houve, porém, um método rústico de marcar o t que esteve em uso em alguns lugares do norte da Europa durante a Idade Média: velas.
Como eram usadas:?
Quem as confeccionava tinha o cuidado de fazer nelas marcas a intervalos regulares e, por isso, à medida que queimavam, ofereciam uma ideia da passagem do tempo. Naturalmente não davam uma medida estrita das horas, mas é preciso lembrar que a correria contra o tempo, com uma agenda rigorosa para todas as tarefas, não era, ainda, uma preocupação da maioria das pessoas. Quanto ao mais, os sinos de igrejas e mosteiros se encarregavam de ditar, para a população adjacente, o ritmo da existência, em que a dimensão religiosa tinha um papel considerável.


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terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Luminárias para festejar a chegada da família real

Antes que houvesse luz elétrica, e mesmo antes da existência de iluminação de rua a óleo ou a gás, era costume, em ocasiões em que se pretendia dar demonstração pública de alegria, que fossem colocadas luminárias - candeias, velas ou tochas - diante das residências. Assim, tão logo anoitecia, em lugar da escuridão habitual, havia pequenos pontos de luz bruxuleante por toda parte. Em conjunto, o resultado devia ser até bonito.
Era comum que as autoridades locais ordenassem a colocação de luminárias em datas festivas, mas quase sempre a ordem era apenas formalidade, porque a população gostava da ideia e muitas famílias aproveitavam a ocasião para sair de casa e ir ver as luzes, ainda que, maldosamente, a intenção fosse comparar a glória da própria residência com o que se podia ver nas redondezas. 
Havia circunstâncias, porém, em que as demonstrações públicas de regozijo, não sendo do agrado popular, eram acolhidas com má vontade. Foi o que aconteceu, por exemplo, quando a população do Rio de Janeiro foi intimada a colocar luminárias na noite seguinte à execução de Tiradentes. A obediência, para muitos, deve ter vindo apenas pela conclusão de que um enforcado já era suficiente.
Caso oposto correu na noite de 8 de março de 1808, para marcar o desembarque da família real portuguesa no Rio de Janeiro. A população, nesse momento, deu mostras espontâneas de felicidade, e as velas se multiplicaram por toda parte. Nas palavras de José Vieira Fazenda em Antiqualhas e Memórias do Rio de Janeiro, "as casas ricas e edifícios públicos apresentavam velas de cera, e as pobres de carnaúba e sebo; bem certo é o ditado: cada um enterra seu pai como pode. Foi um rega-bofe completo, que durou por nove dias sucessivos". Talvez seja legítimo inquirir se, um ou dois meses mais tarde, a população ainda estaria tão disposta a festas para o príncipe regente e sua corte como estivera na hora da chegada.


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sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Lá se foram as lâmpadas incandescentes

Propaganda de lâmpada
incandescente, 1923 (²)
Tácito, historiador romano que viveu entre os Séculos I e II, escreveu: "Todas as coisas que agora achamos velhíssimas, já foram novas." (¹)
Duvida, leitor? Olhe para aquilo que, em seu conceito, é o máximo de tecnologia que está à sua mão. Tenha certeza de uma coisa: algum dia esse seu motivo de orgulho tecnológico terá o status de velharia, e, para tanto, nem será preciso muito tempo, se o ritmo atual de inovação for mantido.
No Brasil do começo do Século XX quase todas as casas, assim que anoitecia, precisavam de velas, lampiões ou lamparinas para que houvesse alguma luz - afinal, humanos não têm olhos de coruja. O máximo do luxo, só disponível em umas poucas localidades, era ter iluminação residencial a gás. Mas aí veio o uso da eletricidade e, com ela, as lâmpadas incandescentes entraram em cena. 
Agora que as lâmpadas incandescentes foram embora, substituídas por outras mais econômicas, como negar que o velho Tácito tinha razão?

(1) Annales, Livro XI
(2) O MALHO, 17 de março de 1923. O original pertence à BNDigital. A imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog.


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