segunda-feira, 13 de julho de 2015

Leis Suntuárias na Roma Antiga

Durante um bom tempo os romanos deram na mania de tentar proibir o luxo entre cidadãos de todas as camadas sociais, entendendo que o livre consumo de artigos sofisticados - de comida a mobiliário - acabava levando à perda dos severos costumes que garantiam a força de Roma. Fizeram-se leis nesse sentido, as chamadas "Leis Suntuárias", que restringiam o direito a usar certas roupas, por exemplo, apenas ao topo da sociedade. Mas não era só. Nos dias de Tibério - foi Tácito quem registrou - o Senado Romano proibiu não apenas que refeições fossem servidas em bandejas de ouro, mas também que homens usassem roupas de seda. Sim, às mulheres de alta posição social elas eram ainda consentidas.
A prática mostrava, no entanto, que as Leis Suntuárias dificilmente eram cumpridas...
As guerras externas trouxeram grandes riquezas para os romanos. Famílias poderosas, em busca de prestígio político junto às camadas populares, não hesitavam em gastar muito dinheiro em festas enormes, espetáculos de circo e de gladiadores, além de banquetes, tudo com o objetivo de ganhar apoio para suas pretensões na esfera do poder.
Dama romana (³) 
Talvez até hipocritamente, por volta do ano 775 da fundação de Roma (nono ano do império de Tibério) voltou o Senado à tentativa de apertar o cerco aos exibicionistas. Tibério foi, por suposto, consultado, e em uma carta que enviou aos senadores fez uma lista das coisas que, a seu ver, eram já excessivas entre o patriciado romano e, por isso mesmo, difíceis de extirpar: "...moradias construídas em grandes propriedades, escravatura numerosa e originária de diversos lugares, grande quantidade de prata e ouro, objetos mágicos (¹), roupas delicadas tanto para mulheres como para homens, joias femininas pelas quais damos nosso dinheiro a estrangeiros que são nossos inimigos (...)." (²)
Pois bem, o fato é que, a essas alturas, o próprio Tibério manifestava uma certa má vontade em combater o luxo, ou devido a achar que não valia a pena, ou mesmo porque também gostasse dele. Vespasiano ainda tentaria, até com o próprio exemplo, pôr obstáculos à ostentação e à gastança, mas sua frugalidade, se é que existia, foi embora com ele. De qualquer modo, as Leis Suntuárias, seja na Roma Antiga, seja em tempos posteriores e nos mais diversos lugares, pertencem à coleção daquelas que "não pegaram". O motivo foi, talvez, bem simples: elas atentavam contra as predileções humanas.

(1) Amuletos, talvez em forma de quadros.
(2) Tácito, Annales, Livro Terceiro. Tradução de Marta Iansen exclusivamente para uso no blog História & Outras Histórias.
(3) STRONG, Eugénie Art in Ancient Rome vol. 2
New York: Charles Scribner's Sons, 1928
A imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog.

2 comentários:

  1. Marta, estou feliz porque aprendi alguma coisa nova hoje. Nunca tinha ouvido falar das leis suntuárias.
    Os romanos gostavam muito de legislar. Pelo menos isso (o Direito romano), foram capazes de deixar como legado civilizacional.
    Beijinhos
    Ruthia d'O Berço do Mundo

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    1. Muitos povos gostavam de fazer leis. Há, atualmente, uns tantos que vão pelo mesmo caminho. A dificuldade está em garantir que as leis sejam cumpridas rsrsrsrsrrssssssssssssss.

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