segunda-feira, 22 de junho de 2015

Elefantes de Guerra

Imaginem esta cena: estamos andando por uma rua qualquer e, em dado momento, levantamos os olhos e vemos, à distância, uma manada de dinossauros que caminha em nossa direção... 
Absurdo? Claro que sim. Mas admitamos, só por um instante, que a coisa fosse real. A sensação seria, com enorme probabilidade, semelhante à experimentada pelos soldados romanos que viram os elefantes de guerra (¹) que marchavam à frente das tropas cartaginesas (durante as Guerras Púnicas, 264 a.C. a 146 a.C.). Não é sem causa que representações da Antiguidade mostravam romanos pequenininhos diante de elefantes enormes. Era questão de como os próprios romanos viam a si mesmos no campo de batalha.
Ora, meus leitores, com alguma prática, os romanos perceberam que era possível fazer frente aos elefantes de Cartago. Como? 
Bem, os elefantes lá estavam com o objetivo de causar terror aos cavalos. Portanto, antes de mais nada, era preciso evitar um confronto imediato entre a cavalaria romana e os elefantes de Cartago - pensaram que eu iria dizer "elefantaria" cartaginesa?!!!
O caso dos elefantes na guerra foi tão sério que
mereceu a cunhagem de uma moeda (²)
Perversamente, os comandantes romanos, estruturando a formação de suas tropas para o combate, começaram a colocar na linha de frente as forças auxiliares, compostas geralmente por estrangeiros pedestres, que acabavam muitas vezes massacrados, mas dando tempo para que os "romanos de verdade" fizessem cair uma chuva de setas sobre os elefantes. Conta Políbio de Megalópolis (c. 203 a. C. - 120 a.C.) que, a partir disso, os elefantes faziam um grande estrago, porque, feridos, tornavam-se incontroláveis, e o dano sobrevinha a quem estivesse por perto, fosse aliado ou inimigo. Ganhava-se tempo e os elefantes eram inutilizados. O combate retornava aos postulados clássicos, nos quais as forças romanas, muito bem treinadas, eram, naquela época, quase insuperáveis.

(1) Ao que parece, a primeira vez que os romanos enfrentaram elefantes em combate foi quando lutaram contra os exércitos de Pirro, rei do Épiro, no Século III a.C.; os cartagineses, porém, faziam uso maciço de elefantes na guerra, e isso causava forte impressão sobre o exército romano.
(2) LIDDELL, Henry G. A History of Rome
London: John Murray, 1865, p. 219
A imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog.

4 comentários:

  1. Sagaz ainda que cruel. Mas assim são as guerras.
    A visão devia ser um portento.
    Fantástico post, como de resto já é habitual
    Uma linda semana
    Ruthia d'O Berço do Mundo

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    1. Hmmm, uma daquelas batalhas que bem mereciam a existência de uma máquina do tempo.

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  2. Olá Marta! Mais um ótimo post!
    Tenho uma curiosidade: em algum lugar li/ouvi a respeito do uso de trombetas que assustavam os elefantes e faziam com que voltassem e atacassem os cartagineses. Isso procede?

    Abraço!

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    1. Olá, abnerantunes, trombetas eram usadas em combates da Antiguidade para sinalizar às tropas o que deviam fazer (como os toques dos corneteiros militares, em tempos mais recentes). Não eram, portanto, novidade nos campos de batalha. Assim, levando em conta o alarido que devia reinar nos combates, é pouco provável que, isoladamente, assustassem os elefantes, aliás já habituados a elas. Como se sabe, os romanos tiveram, a princípio, grandes problemas em lutar contra os elefantes de Cartago, daí a importância de terem desenvolvido uma tática para vencê-los. Não se pode descartar, todavia, algum incidente neste sentido.

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