sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Gauleses Novidadeiros

Novidadeiros e novidadeiras de plantão: leiam isto e vejam como se comportavam seus equivalentes da Antiguidade!
"É costume entre os gauleses obrigar a todo viajante, quer ele queira, quer não, a parar entre eles para relatar as novidades; fazem o mesmo aos mercadores quando chegam às suas povoações, já que o povo os cerca e passa a interrogá-los insistentemente para que digam de que região vieram e o que sabem de lá. Ocorre, por vezes, que apenas com base nesses rumores, decidem assuntos muito relevantes, o que os leva, logo, a que se arrependam, já que, apenas para não desagradá-los, os viajantes lhes respondem alguma coisa." (*)
Foi ninguém menos que Júlio César - o romano do Primeiro Triunvirato - quem escreveu o trecho acima, em De Bello Gallico, explicando o quanto os gauleses, por amor às novidades, chegavam a ser importunos, cada vez que um viajante se aproximava. Porém, se não queremos ser injustos com os habitantes das Gálias no primeiro século antes de Cristo, devemos assumir que, naquele tempo, eram poucas as pessoas que viajavam e, portanto, poucas também as oportunidades para que populações sedentárias ou mesmo seminômades se pusessem bem informadas. É certo que a visita de um mercador, que corria o mundo comprando em um lugar para vender em outro, não podia de modo algum ser desperdiçada. Salvo alguma (tenebrosa) exceção, coisa semelhante devia ocorrer com muitos outros povos e culturas da Antiguidade, quando se desejava saber um pouquinho do que acontecia em lugares remotos.

(*) CÉSAR, Caio Júlio De Bello Gallico
(Tradução de Marta Iansen para uso apenas no blog História & Outras Histórias).

2 comentários:

  1. Não esquecendo que não havia internet também, certo? Mas hoje é um dia triste para os novidadeiros gauleses. E para a liberdade de expressão como um todo...
    Beijinhos, Marta
    Ruthia d'O Berço do Mundo

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    Respostas
    1. Sim, muito triste e lamentável. E o que é pior, não consigo ver expectativa de mudança. Os radicalismos de todo tipo proliferam (as causas dariam uma lista enorme), enquanto respeito e tolerância tornam-se virtudes quase extintas. Liberdade de expressão chega a ser, hoje, um luxo restrito a pouquíssimos países. Gostaria de ser otimista, mas não consigo.

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