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sexta-feira, 15 de março de 2024

Prodígios antes da morte de Júlio César

Busto de Júlio César em mármore (*)
Para os antigos romanos, não poderia haver um grande acontecimento - fosse bom ou mau - sem ser precedido por um ou mais prodígios, eventos "fora da curva", contra o curso da natureza ou que evidenciassem aviso dos deuses. 
De acordo com Suetônio em De vita Caesarum, Livro I, estes prodígios e presságios precederam o assassinato de Júlio César em 15 de março de 44 a.C.:
  • Em Cápua, um grupo de colonos que removia um cemitério muito antigo para, em seu lugar, construir casas, teria encontrado uma placa de bronze, na qual se lia, em grego, que, ao ser aberta aquela sepultura, um membro da família Júlia seria morto por seus concidadãos, e que, após sua morte, haveria uma série de infortúnios em toda a península itálica;
  • Dias antes de sua morte, os cavalos que César havia consagrado ao Rubicão, por ocasião de sua travessia, subitamente teriam parado de comer e começado a chorar;
  • Um arúspice teria avisado César, por ocasião de um sacrifício, que se guardasse de grave perigo nos idos de março;
  • Um bando de aves, perseguindo um pássaro que levava um ramo de louro, alcançou-o e o fez em pedaços;
  • Na véspera de seu assassinato, o próprio César teria visto, em sonho, que voava entre nuvens e tocava a mão direita do deus Júpiter;
  • Enquanto isso, Calpúrnia, mulher de César, também sonhava, e, em seu sonho, via cair o teto da casa em que estava, enquanto segurava, em seus braços, o corpo do marido assassinado;
  • Finalmente, como se tantos sonhos agitados fossem pouca coisa, afirmou-se que, de súbito, as portas do quarto em que Calpúrnia dormia teriam sido abertas sem intervenção humana.
Era um exagero de prodígios para a mentalidade romana. César, talvez tentando dar a todos uma demonstração de racionalidade, ignorou os supostos avisos, e foi ao encontro dos senadores que o aguardavam. Não voltaria vivo para casa. 

(*) HEKLER, Anton. Die Bildniskunst der Griechen und Römer. Stuttgart: Julius Hoffmann, 1912, p. 158. A imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog. 


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quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Prodígios associados à morte de Calígula

Calígula, imperador romano (⁵)
Calígula, imperador romano, foi assassinado em 24 de janeiro de 41 d.C. Os romanos da época afirmavam, conforme relatou Suetônio (¹), que vários prodígios (²) serviram de aviso desse acontecimento, dentre os quais:

  • Calígula havia mandado desmontar e levar a Roma a estátua de Zeus (³) que estava em Olímpia, e, quando os trabalhadores, em andaimes, realizavam a tarefa, a própria estátua deu uma gargalhada, os andaimes caíram e os trabalhadores fugiram de medo;
  • Ainda em Olímpia, apareceu, logo em seguida, um homem chamado Cássio, pretendendo sacrificar um touro a Zeus - como se sabe, foi outro, de mesmo nome, Cássio Quereia, quem liderou o grupo que apunhalou Calígula;
  • Um raio atingiu o Capitólio de Cápua nos idos de março, data que recordava a morte de Júlio César em 44 a.C.;
  • Sila, astrólogo a quem Calígula consultava, avisou-o de que morreria em breve;
  • Na véspera de ser assassinado, Calígula teria sonhado que estava no céu e que lá se encontrava com Júpiter (⁴), o qual, ao vê-lo, lhe dava um chute com o dedão do pé direito, arremessando-o de volta à terra. 
Com prodígios ou sem eles, Calígula era, àquela altura, odiado por quase todos em Roma (e fora dela). Não era preciso grande capacidade de adivinhação para saber que, a qualquer momento, sendo as coisas em Roma como eram, alguém acabaria com ele. E foi o que aconteceu. Calígula tinha, então, vinte e nove anos, e seu tempo como imperador não chegou a quatro anos, mas foi o bastante para que ninguém se esquecesse dele. Não eram boas, todavia, as recordações. 

(1) De vita Caesarum, Livro IV. 
(2) Um prodígio era um evento considerado sobrenatural ou profético de que algo importante deveria ocorrer. 
(3) Júpiter, para os romanos).
(4) Júlio César também teria sonhado que se encontrara com Júpiter, e que este lhe estendia a mão direita - bem diferente do sonho de Calígula, portanto. 
(5) Cf. HEKLER, Anton. Die Bildniskunst der Griechen und Römer. Stuttgart: Julius Hoffmann, 1912. A imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog. 


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