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sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Dez fatos interessantes sobre guerras da Antiguidade

Estão aqui alguns fatos interessantes, registrados por cronistas e historiadores da Antiguidade, que podem ser úteis para quem quiser visualizar mentalmente como eram as guerras daqueles tempos remotos.

1. Tiglate-Pileser, rei da Assíria, quando pretendia arrasar uma cidade ou não conseguia conquistá-la, mandava cortar todas as árvores que havia ao seu redor.

2.  Nas guerras da Antiguidade não era incomum a participação de fundeiros, ou seja, soldados que atiravam com fundas (como Davi contra Golias...). Ocorre que a técnica, por assim dizer, foi aperfeiçoada, de modo que, ao tempo dos romanos, já não eram atiradas pedras, e sim bolas de chumbo.

3. Uma prática muito comum nas guerras da Antiguidade, tendo em vista enfraquecer o(s) inimigo(s), consistia em roubar as colheitas e depois inutilizar os campos de cultivo enchendo-os de pedras.

4. De acordo com Júlio César, em seus Commentarii de Bello Gallico, os belgas eram os mais valentes de todos os moradores das Gálias, uma vez que não eram acostumados ao consumo de coisas delicadas, pois os mercadores raramente iam ao seu território.

5. Também de acordo com César, os gauleses, que eram muito altos, zombavam dos romanos, a quem consideravam "baixinhos".

6. Políbio de Megalópolis afirmava que as tropas comandadas por Cipião, o Africano, quando atacaram Cartagena (durante as Guerras Púnicas), eram compostas por vinte e cinco mil soldados de infantaria e dois mil e quinhentos de cavalaria, com seus respectivos cavalos, por suposto.

7. Ainda Políbio: as tendas dos cartagineses em seus acampamentos militares eram feitas de folhas e ramos de árvores.

Um soldado romano, de acordo com desenho
em uma parede de Pompeia (*)
8. Durante as Guerras Púnicas, percebendo os romanos que as vitórias dos cartagineses vinham em razão da superioridade de sua cavalaria, trataram de destruir os campos de onde provinham o feno e a cevada para os cavalos. A prática dava resultado porque era bastante difícil trazer de longe a forragem para os animais.

9. Tácito, historiador romano, no livro segundo dos Annales, afirmou que os germanos não eram, em relação aos romanos, menos valentes no combate; porém as armas e táticas dos romanos mostravam-se superiores, vindo daí sua vantagem.

10. As vitórias de César nas Gálias foram comemoradas em Roma durante quinze dias; segundo o próprio César, nunca antes havia ocorrido entre os romanos uma celebração assim, mas, posteriormente, outras comemorações ordenadas pelo Senado, também por conquistas de César, duraram nada menos que vinte dias.

(*) PARTON, James. Caricature and Other Comic Art. New York: Harper & Brothers, 1877, p. 15. Este desenho teria sido feito provavelmente por um soldado romano, na parede de um alojamento militar em Pompeia (portanto, antes que a cidade fosse destruída pelo Vesúvio em agosto de 79 d.C.).


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segunda-feira, 1 de junho de 2015

Soldados de Roma contra a fúria do Mar do Norte

No ano 16 d. C. as legiões romanas comandadas por Júlio César Germânico, um general destacado e irmão do futuro imperador Cláudio, alcançaram, por uma rota marítima, as terras dos bárbaros germanos que viviam além do Reno. Lá entraram em combate contra os comandados de Armínio e venceram. Do ponto de vista romano, lavava-se a honra das legiões lideradas por Públio Quintílio Varo, que em 9 d.C. haviam sido destroçadas pelos germanos.
A ação das forças de Germânico foi bem planejada. Sabendo que ir por terra resultaria em grande desgaste tanto para seus soldados como para os cavalos, o comandante romano preparou transporte pelo Mar do Norte, cuidando em viajar numa ocasião de clima favorável e, tanto quanto possível, buscando combater em campo aberto, uma situação mais propícia ao raciocínio militar de Roma do que os combates em meio a densas florestas, visivelmente preferidos pelos germanos.
Tendo alcançado a vitória, as forças romanas prepararam-se para retornar. Aí, porém, tiveram que enfrentar um inimigo poderoso, com o qual não havia a possibilidade de qualquer negociação: o mar em fúria. Tendo deixado a terra com tempo bom, logo as embarcações foram batidas por vento fortíssimo, acompanhado de chuva, de modo que ondas gigantescas jogavam as embarcações de um lado para outro. Em desespero, a soldadesca, que nunca tinha enfrentado nada semelhante, atrapalhava as manobras dos marinheiros, ao mesmo tempo procurando jogar ao mar tudo o que era possível - segundo Tácito, historiador romano, não foram poupados cavalos, animais de carga, bagagem, suprimentos e nem mesmo as armas.
Tudo em vão. Muitos morreram afogados, enquanto outros, com um pouco mais de sorte, foram arremessados em ilhas desertas. Ainda de acordo com Tácito, os que se recusaram a comer os cavalos mortos que eram jogados na praia pelas ondas simplesmente morreram de fome. O próprio comandante Júlio César Germânico sobreviveu a duras penas. 
Cessado o furor da tempestade, fez-se uma tentativa de reparar as embarcações que ainda existiam, com o uso de velas improvisadas. Uma busca em algumas ilhas permitiu reunir um número maior de soldados. Soube-se, posteriormente, que alguns tinham ido parar na Inglaterra. 
É certo que esses sobreviventes tinham muito a contar, e pode-se supor que não faltou quem quisesse ouvir. Diz o relato de Tácito, no Livro Segundo dos Annales:
"De quanto mais longe voltavam, maiores eram as coisas fantásticas que contavam sobre a violência da tempestade, a existência de aves completamente desconhecidas, de monstros marinhos e de seres que eram metade humanos e metade animais" (¹). E o prudente Tácito concluiu: "Coisas vistas ou coisas que o medo fazia crer" (²). 

(1) O trecho citado é tradução de Marta Iansen para uso exclusivo no blog História & Outras Histórias.
(2) Ibid.


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