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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Uniformes esportivos no início do Século XX - Parte 1

Atendendo a pedidos, esta pequena série de três postagens versará sobre os uniformes esportivos que eram usados no início do século XX. É verdade que este blog já tem duas séries relacionadas aos esportes nessa época ("Os Esportes no Brasil do Século XIX e Início do Século XX" e, especificamente sobre futebol, "Futebol no Brasil no Início do Século XX"), cuja consulta poderia ser útil a quem está interessado no assunto dos uniformes, mas aqui o leitor poderá visualizar, a partir de fotos publicadas em revistas das duas primeiras décadas do século XX, como se vestiam os praticantes de atividades esportivas.
Cabem, antes de prosseguirmos, algumas considerações gerais:
a) Há modalidades em que se vê, claramente, o padrão que, acompanhado do desenvolvimento tecnológico, é seguido até hoje;
b) Em outros casos, se não houvesse legenda, seria quase impossível identificar a modalidade praticada;
c) Não se deve esperar encontrar qualquer referência às grandes marcas do mundo esportivo da atualidade: isso é coisa posterior e, inicialmente, nem colocavam algum logotipo nos uniformes, como agora se usa;
d) Embora, na época, o recato no vestuário fosse uma questão inegociável, vê-se que os homens tendiam a usar trajes que, de algum modo, ressaltassem as formas atléticas, enquanto que, das mulheres, esperava-se que cobrissem o corpo e, se possível, o corpo todo, como as fotos mostrarão.
Isto posto, vamos às modalidades:

1. Futebol - Chegado há pouco ao Brasil, cresceu exageradamente na segunda década do século XX, tanto no que se refere ao número de praticantes quanto em admiradores, os "torcedores", que iam em massa às partidas. E ninguém pense que as torcidas eram compostas apenas de homens. Futebol, nesse tempo, era programa de família e as senhoritas eram particularmente interessadas nos confrontos.

Equipe de futebol do C. A. Paulistano (¹)

2. Regatas (Remo e Canoagem) - Essas modalidades já foram muito populares no Brasil, mas perderam espaço para outros esportes. A foto abaixo dá uma ideia de como se vestiam os praticantes.

Regatas, com praticantes de ambos os sexos (²)

3. Esgrima - Praticada principalmente por militares, era considerada parte importante na formação de oficiais. A mudança do perfil da guerra faria dela, aos poucos, apenas mais um esporte.

Lição de esgrima no Quartel da Luz, na cidade de São Paulo (³)

4. Hipismo - Outra modalidade que, no passado, já foi bastante associada às atividades militares. Tornou-se mais "civil" quando a cavalaria perdeu espaço como recurso importante de combate.

Um cavaleiro e seu cavalo realizando um salto (⁴)

(1) A CIGARRA, 26 de junho de 1917.
(2) A CIGARRA, 11 de maio de 1915.
(3) A CIGARRA, 23 de novembro de 1914.
(4) A CIGARRA, 14 de dezembro de 1914.


quinta-feira, 7 de julho de 2011

Os esportes no Brasil do Século XIX e início do Século XX - Parte 4


Regatas em Santos, A Cigarra,
15 de junho de 1914.
Compreende-se facilmente que em um país com vastíssimo litoral como é o Brasil, as regatas já tenham ocupado uma posição de destaque entre os esportes. Para dizer a verdade, chega a surpreender que não alcancem hoje tanta importância quanto tiveram no passado. Embora não se possa relacionar a canoagem indígena à prática essencialmente esportiva, sendo antes uma habilidade de caráter prático, vem a ser proverbial a facilidade que tinham os indígenas do século XVI em remar suas canoas a grande velocidade, o que lhes dava uma vantagem extra quando em confronto com tribos inimigas.
Como esportes, o remo e a canoagem despertaram muito interesse do público, isso desde os anos que precederam a virada do século até às décadas de 1920 e 1930. Não é, pois, estranho, que muitos clubes brasileiros, nos quais hoje o futebol é hoje a atividade mais importante, conservem ainda nomes do tipo "Clube de Regatas..." ou "Sociedade de Regatas...".

Canoa a quatro remos construída nas oficinas do "Club Esperia",
A Cigarra, 31 de outubro de 1917.
À semelhança de muitos outros esportes, nesse caso também a influência britânica foi marcante. As regatas aconteciam no mar, embora rios como o Tietê (pode acreditar!) também fossem palco de competições que atraíam vasta assistência e despertavam as paixões dos torcedores, com o mesmo ímpeto que hoje observamos em outras modalidades.
Ora, não se pode negar que, em uma época na qual as polêmicas sobre a relevância dos esportes eram acaloradas, havia também quem, desdenhando o interesse dos torcedores, olhasse com azedume para as regatas. Para que meus leitores tenham um exemplo disso, vai aqui um trechinho curioso, escrito por Lima Barreto:
"O segundo filho não quisera ir além do curso primário.
Empregara-se logo em um escritório comercial, fizera-se remador de um clube de regatas, ganhava bem e andava pelas tolas festas domingueiras de esporte, com umas calças sungadas pelas canelas e um canotier muito limpo, tendo na fita uma bandeirinha idiota." (*)
Já se vê que o escritor não era adepto da modalidade, não é?

(*) LIMA BARRETO. A Biblioteca, in Histórias e Sonhos.


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