Mostrando postagens com marcador Amazonas. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Amazonas. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 6 de dezembro de 2024

Manaus antes da borracha

Casa do presidente da Província em Manaus,
 antes do surto de extração e exportação do látex (¹)

Durante os anos em que a exploração e exportação da borracha fez de Manaus um centro importante no norte do Brasil, a cidade cresceu, tanto economicamente como em população, e ganhou prédios que até hoje são admirados. Mas como era Manaus antes da borracha?
Uma breve descrição, presente nos registros feitos pelo casal Agassiz, que visitou o Brasil entre os anos 1865 e 1866, dará uma resposta simples, se quem lê tiver um pouco de imaginação:
"Que poderei dizer da cidade de Manaus? É uma pequena reunião de casas, a metade das quais parece prestes a cair em ruínas, e não se pode deixar de sorrir ao ver os castelos oscilantes decorados com o nome de edifícios públicos: Tesouraria, Câmara Legislativa, Correios, Alfândega, Presidência. Entretanto, a situação da cidade, na junção do rio Negro, do Amazonas e do Solimões, foi das mais felizes na escolha. Insignificante hoje, Manaus se tornará, sem dúvida, um grande centro de comércio e navegação. [...]" (²)
Não era mesmo para impressionar ninguém, como muitas outras povoações ribeirinhas contemporâneas, com sua vidinha sossegada, até sonolenta. Mas aí veio a febre da borracha, e tudo mudou. Mesmo com o declínio extrativista do látex, Manaus nunca mais seria a mesma. 

(1) Cf. BIARD, François. Deux Années au Brésil. Paris: Hachette, 1862, p. 415. Desenho de E. Riou, sobre esboços de F. Biard. A imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog. 
(2) AGASSIZ, Jean Louis R. e AGASSIZ. Elizabeth Cary. Viagem ao Brasil 1865 - 1866, trad. Edgar Süssekind de Mendonça. Brasília: Senado Federal, 2000, p. 196.


Veja também:

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Rio Negro

Jovem barqueiro no rio Negro - AM

Muito apreciado no Século XIX, o Dicionário Geográfico, Histórico e Descritivo do Império do Brasil, de J. O. R. Milliet de Saint-Adolphe (publicado em 1845, quando o jovem D. Pedro II já ocupava o trono), fornecia um grande número de informações sobre o País, há pouco independente, e sobre o qual havia, então, escassas notícias confiáveis. É certo, porém, que uma obra dessa natureza, quando muito do território brasileiro era completamente desconhecido, devia conter falhas e imprecisões, que, todavia, em nada desmerecem sua importância.
Vamos a um exemplo prático, com a descrição que o Dicionário fazia do rio Negro, afluente à margem esquerda do grande rio Amazonas:
"Rio da Província do Pará (...), chamado pelos indígenas Guariguacuru, nome que os primeiros exploradores portugueses trocaram no de Negro, por isso que suas águas com serem límpidas têm certa tinta escura, mormente se se comparam com as águas louras do Hiapura, com o qual corre paralelamente obra de 10 léguas antes de ajuntar-se com o Amazonas." (*)
"Certa tinta escura"?!!!...
O rio Negro, não tem, em seu leito, grande quantidade de partículas argilosas, já que suas águas correm por terreno rochoso. Além disso, em virtude da decomposição da grande quantidade de material orgânico que a floresta deposita ao longo de seu curso, há liberação de ácidos que também contribuem para a aparência escura da água, daí o nome - rio Negro. Essas são duas das explicações de maior aceitação atualmente.


Embarcação em viagem pelo rio Negro - AM

Saint-Adolphe não tinha, é claro, como percorrer por si mesmo, com todas as dificuldades de deslocamento que havia em seu tempo, todo o território que sua ambiciosa obra descrevia. Dependia de informações de outros autores, de alguns dados oficiais, de registros feitos por expedicionários das várias missões estrangeiras que andavam percorrendo o Brasil (coisa que, aliás, era moda, na época). O valor do seu Dicionário Geográfico, Histórico e Descritivo do Império do Brasil estava em sistematizar informações e atribuir-lhes relevância, fato que ganha maior significado se levarmos em conta que, no Século XIX, mesmo os brasileiros de maior instrução pouco sabiam sobre seu próprio país, dando antes preferência ao estudo e conhecimento de outras nações, em particular as da Europa.

(*) SAINT-ADOLPHE, J. O. R. Milliet de. Dicionário Geográfico, Histórico e Descritivo do Império do Brasil vol. 2. Paris: J. P. Aillaud, 1845, p. 147.


Veja também: