terça-feira, 15 de junho de 2021

A Catedral Metropolitana de Manaus

Quase concluindo a sua "viagem ao redor do Brasil", João Severiano da Fonseca (¹) passou por Manaus e considerou que a construção mais importante da localidade era, na ocasião, a Igreja Matriz, que assim descreveu:
"[...] O mais notável de seus edifícios é a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, templo severo e elegante, onde se veem reunidos a simplicidade e a majestade: seus altares de mármore branco lavrado são, se não falha a memória das informações que nos deram, do valor de vinte e quatro contos cada um, andando todo o fabrico em mais de mil contos." (²)
Vão aqui duas observações:
  • João Severiano da Fonseca visitou Manaus antes que fosse construído e inaugurado o Teatro Amazonas, concluiu que a Igreja Matriz era "o mais notável de seus edifícios" e dificilmente emitiria a mesma opinião se fosse o caso de compará-la ao teatro;
  • De onde viera tanto dinheiro para a construção da Matriz? Lembrem-se, leitores, de que isso foi no tempo em que a exportação da borracha fez algumas fortunas notáveis, ainda que não para os trabalhadores que extraíam a chamada "goma elástica".
A Igreja Matriz vista por João Severiano da Fonseca, hoje Catedral Metropolitana de Manaus, era nova em folha naquela ocasião, mas não foi o primeiro templo de Manaus com a invocação de Nossa Senhora da Conceição, conforme o mesmo autor teve o cuidado de explicar:
"É já a terceira [igreja] que se ergue. A primeira foi construída em 1695 pelos carmelitas, infatigáveis missionários a quem muito deveu a Província nos seus começos; reedificada pelo não menos benemérito governador Gama Lobo, no fim do século passado (³), incendiou-se em 1858, e sua reconstrução durou vinte anos." (⁴)
Aqueles dentre os leitores que conhecem Manaus e sua catedral podem julgar facilmente se a descrição feita por Severiano da Fonseca corresponde à realidade. Aos demais, aqui estão algumas fotos, para um pequeno passeio virtual.








(1) Médico veterano da Guerra do Paraguai, participou, também como médico, da expedição enviada para demarcar a fronteira entre o Brasil e a Bolívia. 
(2) FONSECA, João Severiano da. Viagem ao Redor do Brasil 1875 - 1878 Volume 2. Rio de Janeiro: Typographia de Pinheiro e C., 1881, p. 369.
(3) O autor se referiu, evidentemente, ao Século XVIII, porquanto escreveu no XIX.
(4) FONSECA, João Severiano da. Op. cit., p. 369.


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