terça-feira, 7 de março de 2017

Os Urubus de Manaus no Século XIX

Rua de Manaus em meados do Século XIX, , na qual se vê, à esquerda,
um bando de urubus - desenho de E. Riou, sobre esboço de F. Biard (¹)

A cidade era pequenina. A borracha não dera ainda sinal do brilhareco que fez explodir o crescimento urbano na margem esquerda do rio Negro. Mas já havia em Manaus, de acordo com o pintor francês François Biard, uma lei que daria orgulho a muito ecologista de hoje - era proibido causar dano aos urubus:
"Não se pode matar nenhum deles, sob pena de multa ou prisão, porque essas aves ajudam a limpeza das ruas, sempre atulhadas de cisco." (²)
François Biard esteve no Brasil entre 1858 e 1859. Mais de século e meio depois, o porto fluvial de Manaus é bastante movimentado, de modo que passageiros e mercadorias chegam e partem a cada instante. Turistas observam o mar de água doce à sua frente, em meio a embarcações de todos os tamanhos. Petroleiros gigantescos vêm e vão. Lá estão, também, os felizes descendentes dos urubus manauaras do Século XIX (³), tentando cumprir, como seus ancestrais, o honroso papel de ajudar na manutenção da limpeza. Não é difícil presumir, no entanto, que a tarefa está muito além do alcance de suas forças.

Este grupo de urubus foi visto, há algum tempo, enquanto disputava uma carcaça de peixe
no porto de Manaus
(1) BIARD, François Deux Années au Brésil
Paris: Hachette, 1862, p. 457
(2) Idem.,  Dois Anos no Brasil
Brasília: Ed. Senado Federal, 2004, p. 179
(3) É apenas uma conjectura, leitores...

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