terça-feira, 17 de agosto de 2021

Quanto decaiu a arrecadação dos reais quintos em Minas Gerais

A arrecadação correspondente aos reais quintos do ouro extraído no Brasil despencou em um tempo relativamente curto. Mas quanto, afinal, rendiam os quintos? 
De acordo com o Barão de Eschwege, a situação em Minas Gerais, com o correr dos anos, foi a seguinte:
1764: 99 arrobas;
1774: 75 arrobas;
1777: 70 arrobas;
1811: 24 arrobas;
1813: 20 arrobas;
1816: 18 arrobas;
1818: 12 arrobas;
1819: 7 arrobas;
1820: 2 arrobas. (¹)
Eschwege veio ao Brasil em 1810, a convite do governo joanino - a Corte, nesse tempo, se instalara no Rio de Janeiro - e percorreu as Gerais na intenção de verificar por que os quintos haviam decaído tanto e o que se poderia fazer para incentivar a mineração. Descobriu que as autoridades culpavam o contrabando de ouro pelo decréscimo na arrecadação, mas, por observação própria, concluiu que esse era apenas um dos aspectos envolvidos. Cada vez menos gente trabalhava na extração aurífera: "Nos anos da riqueza se ocupavam oitenta mil pessoas com a mineração, porém no atual tempo da miséria apenas seis mil; por consequência não é só o extravio o que erradamente se dá por principal causa da diminuição do Real Quinto [...], mas a diminuição do número de braços, braços que o mineiro empobrecido [...] retirou desses trabalhos, por já cansado de não ter a fortuna dos seus antepassados" (²). Os "braços" a que se referiu Eschwege eram de escravos, quase única mão de obra nas minas.
O maior problema, que esse cientista não tardou a perceber, estava na falta de conhecimentos técnicos dos mineradores. Extraía-se o ouro de superfície, com quase inacreditável desperdício de solo aurífero, e, acabando o que se podia arrancar da terra com meios escassos, abandonava-se o terreno em busca de outro, supostamente mais promissor. "Era para prever", concluiu o Barão de Eschwege, "que os grandes tesouros que os mineiros acharam quase na superfície da terra, e com pouco trabalho, deveriam diminuir com o tempo, ajudando sobretudo a ignorância para destruir mais depressa o que por uma regular administração montanística seria objeto de indústria para muitos séculos" (³). 

(1) Cf. ESCHWEGE, Wilhelm Ludwig von. Notícias e Reflexões Estadísticas a Respeito da Província de Minas Gerais.
(2) Ibid.
(3) Ibid.


Veja também:

2 comentários:

  1. Na prática, para quem estava habituado à abundância, quintos de coisa nenhuma.
    Para os outros, os mineradores, a miséria de sempre.

    Um abraço, Marta :)

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    1. As minas se esgotaram rapidamente, em razão dos métodos de extração aurífera que apenas permitiam a exploração superficial. Os governantes, que nunca tinham posto os pés por lá, pareciam não entender esse fato.

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