quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Como os Tupinambás Cortavam os Cabelos, Segundo Hans Staden

Os portugueses que vieram ao Brasil em 1500, na esquadra de Pedro Álvares Cabral, observaram que os indígenas tinham os cabelos devidamente cortados, conforme relatou Pero Vaz de Caminha:
"Todos andam rapados até por cima das orelhas, e assim mesmo de sobrancelhas e pestanas."
O tempo e o contato cada vez mais frequente entre colonizadores e povos indígenas acabaria revelando aos primeiros que havia muitos tipos de cortes diferentes para os cabelos, que constituíam verdadeira tradição tribal, praticada segundo costumes muito antigos.
Podem, no entanto, perguntar alguns de meus leitores, que talvez já tenham visto neste blog postagens relativas ao escambo entre portugueses e índios: Se os índios só começaram a usar tesouras ao trocá-las por mercadorias que forneciam aos portugueses, como é que podiam cortar tão bem os cabelos?

Corte de cabelos dos tupinambás, de acordo com Hans Staden (**)

Hans Staden (*), que absolutamente contra a vontade permaneceu algum tempo entre os tupinambás, levantou a mesma questão (vale lembrar que esses tupinambás tinham por hábito um corte de cabelo que lembrava um pouco a tonsura dos frades). Foi-lhe explicado que uma concha de pedra servia de molde para o corte, enquanto que uma outra pedra cortante era usada para friccionar os cabelos até que se partissem. Já a coroa no alto da cabeça era conseguida também com uma pedra, usada para raspar os fios.
É certo, porém, que este método funcionava para os tupinambás. Outros povos empregavam técnicas diferentes, que eram parte de uma rica tradição que, em muitos casos, se perdeu, de modo que hoje pouco sabemos a respeito.


(*) Conforme STADEN, Hans Zwei Reisen nach Brasilien
Marburg: 1557
(**) Idem. A Imagem foi editada para facilitar a visualização.


Para ler mais sobre este assunto, acesse:

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