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quinta-feira, 14 de abril de 2022

Por que jovens espartanos gostavam de ir à guerra

Os meninos que nasciam em Esparta eram considerados filhos do Estado, não uma propriedade dos pais ou extensão da família. Eram educados para que, quando adultos, se tornassem os melhores soldados. No dizer de Plutarco, "desde a infância os meninos espartanos eram ensinados a pensar que não haviam vindo ao mundo para satisfação própria. [Haviam nascido] para buscar o que fosse favorável à sua cidade natal" (¹).
Nada havia de meigo ou delicado na educação dos jovens espartanos. Usavam roupas muito simples (quando usavam!), dormiam em lugares péssimos e a comida, ao menos para nossos padrões, era detestável. Verão e inverno, com extremos de calor e frio, deviam ser suportados com a mesma indiferença. Aprendiam, também, a obedecer sem questionar. Não deviam ter medo, se fosse necessário caminhar rumo à morte.
A despeito de tudo isso (ou, talvez, por causa disso), os rapazes de Esparta não continham o entusiasmo quando lhes era ordenado que fossem para a guerra. Por quê? Continuemos com Plutarco: "Permitia-se, enquanto durava a guerra, que os jovens espartanos deixassem um pouco da vida rústica para a qual eram treinados e que praticavam durante o tempo em que, havendo paz, permaneciam em Esparta. [Durante a guerra] era-lhes consentido que deixassem os cabelos crescerem, além da autorização para o uso das armas e de um manto. Por isso, os jovens ficavam muito entusiasmados nas ocasiões em que saíam da cidade para ir à guerra [...], ansiosos pelo enfrentamento de inimigos." (²)
Entendem agora, meus leitores, por que alguns Estados totalitários, inclusive no Século XX, fizeram de Esparta uma inspiração para suas pretensões?

(1) PLUTARCO. Vitae parallelae. O trecho citado foi traduzido por Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias. 
(2) Ibid. 


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