sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Sobre a Esperteza de Homens e Animais

Documentários de televisão e revistas de curiosidades abordam, de vez em quando, a questão da inteligência dos animais. Chegam a apresentar listas, algumas mostrando uma hierarquia de inteligência entre as raças de cães, outras com um índice de esperteza entre os primatas, e por aí adiante. Sim, leitor, eu sei que o mais inteligente entre os cães é aquele que você tem em casa (todo mundo acha a mesma coisa de seus animais de estimação), mas não é preciso ser um grande observador para constatar que, na natureza, há mesmo alguma variação quanto à habilidade, astúcia, inteligência, afinal.
E os humanos, onde ficam nessa escala? 
Nada de sorrisos. Políbio de Megalópolis, um grego que viveu entre romanos e foi contemporâneo de parte das Guerras Púnicas, escreveu (e já posso ouvir latidos, miados e outros ruídos em comemoração):
"O homem parece o mais esperto dentre os animais, porém há razão de sobra para crer que é o mais miserável. Todos os outros animais estão submetidos apenas às paixões do corpo, e só por elas é que erram, enquanto o homem, além de servir às paixões do corpo, é também escravo de suas próprias opiniões e, portanto, erra contra a natureza e contra a razão." (*)
É direito seu, leitor, concordar ou não com Políbio. Devo lembrar, no entanto, que, de brigas de torcedores de futebol a guerras e massacres por divergências religiosas, passando por uma quantidade inumerável de outras ausências de bom senso, há provas incontestes de que a escravidão às opiniões, sejam elas próprias ou alheias, não é exatamente um fato que contribua para honrar a espécie humana.

(*) O trecho citado da História de Políbio é tradução de Marta Iansen, para uso exclusivamente no blog História & Outras Histórias.

2 comentários:

  1. O homem, por aspirar a enxergar mais longe, tende a ser manipulador. Ponto.

    Um bom final de semana, Marta :)

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    1. Não acho que todo ser humano seja manipulador, ao menos intencionalmente, mas concordo que há muita gente que é, sim.

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