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quarta-feira, 12 de outubro de 2016

Unhas de tamanduá viravam apitos

Sabem, leitores, o que é o objeto da foto abaixo?


É artesanato indígena: um pequeno apito de cerâmica. Para que funcione, deve-se colocar água dentro dele. Interessante, não?
No primeiro século da colonização do Brasil esteve em uso outro tipo de apito. Pelo menos, foi o que disse Gabriel Soares (¹), em seu Tratado Descritivo do Brasil em 1587, ao falar do tamanduá:
"Tem as mãos como cão [sic], com grandes unhas e muito voltadas, de que se fazem apitos." (²)
Pra falar a verdade, não acho muita semelhança entre a pata de um cão e a de um tamanduá. Portanto, cada um de vocês, leitores, decida por conta própria sua opinião a respeito. Já quanto ao uso que era dado às unhas, Gabriel Soares não explicou se os apitos eram feitos pelos colonizadores ou pelos indígenas. Fica evidente, porém, que, para que as unhas virassem apitos, era preciso abater seu proprietário. Que injustiça!

Tamanduá-mirim (Tamandua tetradactyla)

Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla)

(1) Era português de nascimento; veio ao Brasil, foi senhor de engenho e acabou a vida em uma expedição que foi ao interior à procura de metais preciosos.
(2) SOUSA, Gabriel Soares de. Tratado Descritivo do Brasil em 1587. Rio de Janeiro: Laemmert, 1851, p. 247.


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