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terça-feira, 20 de julho de 2021

Abridor de latas do começo do Século XX

A ideia que levou ao desenvolvimento, no começo do Século XIX, da técnica de conservar alimentos, primeiro em frascos de vidro e, depois, em latas, pode ser considerada uma pequena, mas fundamental revolução, nos padrões de alimentação, para uma parcela nada desprezível da humanidade (¹).
Antes disso, algumas técnicas de conservação de alimentos tornavam a comida detestável. No entanto, os processos de defumar e salgar, com aperfeiçoamentos, são usados até hoje, ainda que não se apliquem a uma grande variedade de produtos. Todo mundo sabe que alimentos frescos são superiores, mas as conservas enlatadas significaram uma melhora nas refeições oferecidas em longas viagens oceânicas, permitiram o consumo de certos vegetais fora da estação em que são cultivados, popularizaram alguns alimentos provenientes de regiões distantes e, em lugares frios, tornaram possível um suprimento variado para os meses de inverno. Vejam, leitores, que não foi pouca coisa.
Porém... 
Porém, o problema com a comida trancafiada em latas é que as embalagens devem ser abertas, e, no passado, isso resultava quase em uma operação de guerra, exigindo habilidades e ferramentas que talvez correspondessem às profissões de serralheiro ou mecânico. Foi assim, até que, em meados do Século XIX, outra invenção começou a mudar o cenário: surgiu o abridor de latas!
Em 1905, a revista paulistana Echo Phonographico trouxe este anúncio, no qual oferecia aos consumidores um novo modelo de abridor de latas, que dizia ser melhor que todos os antecedentes. Seu nome, "Relâmpago", diz muito sobre ele, mas a ênfase no longo texto era a segurança, afirmando que até mesmo uma criança poderia utilizá-lo:
"Até que enfim temos um abridor de latas que cumpre o seu dever em toda a linha. Durante anos e anos, tivemos de suportar os sistemas antigos, os quais além de funcionar mal, muitas vezes cortavam as mãos do operador. O abridor de latas Relâmpago mudou tudo isso. Agora uma criança pode abrir uma lata de qualquer tamanho, sem risco de cortar-se e com a ligeireza de uma flecha. É feito de finíssimo aço temperado e polido." (²)


Não estou certa de que abridores de latas sejam brinquedos apropriados para crianças, nem mesmo na atualidade. Todavia, esse anúncio precisa ser entendido não só pelo que afirma, como também pelo que não diz, ou seja, como deviam ser, nesse tempo, os abridores existentes na maioria das residências.

(1) A despeito dos casos esporádicos de botulismo, que teimam em não desaparecer.
(2) ECHO PHONOGRAPHICO, Ano III, nº 35, São Paulo, janeiro de 1905, p. 13.


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sábado, 5 de março de 2011

Novidades carnavalescas de outros carnavais

Dizem que, no Brasil, o ano só começa de verdade depois do Carnaval. Discordo. Quase todo mundo está trabalhando duro, como sempre, e há muita gente que nem gosta de Carnaval ou, ao menos, não se envolve muito com ele. Mas, para efeitos turísticos, procura-se vender a ideia de que vivemos num eterno Carnaval. Tolice, claro.
Vamos ao assunto de hoje, as novidades carnavalescas, mas novidades de outros Carnavais, ou melhor, do Carnaval de 1904.
Em janeiro de 1904 a revista Echo Phonographico trouxe o seguinte anúncio:


Eis os produtos anunciados:

"Bonés e Gorros Carnavalescos - Feitos de papel de diversas cores, abrem-se e fecham-se automaticamente, servindo para qualquer cabeça."

"Para amigos de bom humor CAIXA DE FÓSFOROS SURPRESA - São confetes! Para reuniões familiares, bailes etc. Com um pacote de confetes que acompanha cada caixa pode-se repetir muitas vezes a brincadeira."

"Narigões carnavalescos
1º Tipo: Nariz aperfeiçoado, grande, com óculos e bigodes e tendo uma grande mosca que se move por meio de um fio.
2º Tipo: Outro nariz pequeno, tendo a vantagem de crescer à vontade com o sopro. A parte que cresce é feita de papel de seda encerado, provocando o riso quando se usa."

Finalmente, leitor, o último artigo de Carnaval anunciado, ANEL SURPRESA ou Lança-Perfume. Não, não é, felizmente,  o que você pensou. Veja a descrição:

"Anel de metal oco, tendo um pequeno orifício por onde sai água ou perfume; na palma da mão está o depósito, feito de borracha; quando se fecha a mão a água sai, causando grande admiração."

E a propaganda do inocente brinquedinho conclui: "Atira a grande distância".


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