As armas mais comuns dos povos indígenas - arcos, flechas, lanças de madeira, tacapes, pequenos machados de pedra - são bem conhecidas e, de fato, podiam ser encontradas, à época da chegada dos colonizadores europeus, entre a maioria dos nativos habitantes do litoral.
No entanto, cada grupo indígena tinha suas particularidades e técnicas específicas para a confecção de armas, fosse na escolha do material, no método de preparo ou mesmo na decoração que identificava a tribo.
Os goitacás arriscavam a pele à busca de tubarões. Motivo? Obter dentes, que usavam como ponta para flechas, segundo escreveu Gabriel Soares, na segunda metade do Século XVI:
"Costumavam estes bárbaros, por não terem outro remédio, andarem no mar nadando, esperando os tubarões com um pau muito agudo na mão, e em remetendo o tubarão a eles, lhe davam com o pau, que lhe metiam pela garganta com tanta força que o afogavam e matavam, e o traziam a terra, não para o comerem, para o que se não punham em tamanho perigo, senão para lhe tirar os dentes, para os engastarem nas pontas das flechas." (¹)
Já os ubirajaras, ainda de acordo com Gabriel Soares, usavam uma arma que lhes era específica, bem diversa das de outros povos:
"A peleja dos ubirajaras é a mais notável do mundo [...], porque a fazem com uns paus tostados muito agudos, de comprimento de três palmos, pouco mais ou menos cada um, e são agudos de ambas as pontas, com os quais atiram a seus contrários como com punhais; e são tão certos com eles que não erram tiro, com o que têm grande chegada, e desta maneira matam também a caça, que [...] não lhes escapa, os quais com estas armas se defendem de seus contrários tão valorosamente como seus vizinhos com arcos e flechas [...]. (²)
Para dar acabamento ao trabalho, muitos índios usavam um recurso semelhante, no efeito, a uma lixa, mas obtido de um vegetal muito comum no litoral brasileiro, a embaúba:
"Embaúba é uma árvore comprida e delgada, que faz uma copa em cima de pouca rama; a folha é como de figueira, mas tão áspera que os índios cepilham com elas os seus arcos e hastes de dardos, com o que se põe a madeira melhor que com a pele de lixa." (³)
Para dar acabamento ao trabalho, muitos índios usavam um recurso semelhante, no efeito, a uma lixa, mas obtido de um vegetal muito comum no litoral brasileiro, a embaúba:
"Embaúba é uma árvore comprida e delgada, que faz uma copa em cima de pouca rama; a folha é como de figueira, mas tão áspera que os índios cepilham com elas os seus arcos e hastes de dardos, com o que se põe a madeira melhor que com a pele de lixa." (³)
Estas descrições, como já disse, são do Século XVI. Como elas, há muitas outras. Boas imagens, porém, só as há do Século XIX, quando muitas tribos que originalmente habitavam o litoral já haviam desaparecido. Assim, o que se conhece é apenas uma parte do rico patrimônio original de técnicas, tanto para confecção de armas como de outros artefatos indígenas de uso diário.
![]() |
| Índios puris lutando (⁵) |
(1) SOUSA, Gabriel Soares de. Tratado Descritivo do Brasil em 1587. Rio de Janeiro: Laemmert, 1851, p. 78.
(2) Ibid., p. 348.
(3) Ibid., pp. 196 e 197.
(4) DEBRET, J. B. Voyage Pittoresque et Historique au Brésil vol. 1. Paris: Firmin Didot Frères, 1834. O original pertence à BNDigital. A imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog.
(4) DEBRET, J. B. Voyage Pittoresque et Historique au Brésil vol. 1. Paris: Firmin Didot Frères, 1834. O original pertence à BNDigital. A imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog.
(5) DENIS, Ferdinand. Brésil. Paris: Firmin Didot Frères, 1837. A imagem foi editada para facilitar a visualização neste blog.
Veja também:

