quinta-feira, 30 de agosto de 2012

As Comemorações, em 1922, do Centenário da Independência do Brasil

Moeda cunhada em comemoração ao
centenário da Independência do Brasil:
uma visão personalista dos acontecimentos,
destacando as figuras do primeiro imperador
(D. Pedro I) e do presidente da República
em 1922 (Epitácio Pessoa).
Em 1922 comemorou-se o centenário da Independência do Brasil. Foram grandes os festejos, tanto na data oficial - 7 de setembro - quanto nos anos precedentes.
Acontece que não foram poucas as críticas relativas às grandes despesas feitas para a comemoração: o País vivia um momento de crise econômica (mais uma, dentre muitas), em que seu principal produto de exportação, o café, estava já demasiadamente desvalorizado, e muitos achavam que era um verdadeiro despropósito que se fizessem grandes gastos com a festa, diante do fato de estar a economia em situação não exatamente invejável. Por outro lado, politicamente, havia uma certa instabilidade, decorrente de agitações que hoje chamamos de Movimento Tenentista, mas pode-se entender que, para um governo bastante questionado, era importante aparentar solidez e credibilidade, e os eventos associados aos cem anos da Independência pareciam especialmente talhados para isso. Um certo ufanismo nacionalista podia ser muito útil para camuflar problemas bem conhecidos mas nunca resolvidos, o que, aliás, é fenômeno político que não está, de modo algum, restrito a uma época ou lugar. Não é, nem de longe, monopólio do Brasil.
A lembrança da data teve, no entanto, um lado positivo. Nos anos precedentes, cresceu o interesse pelo estudo dos acontecimentos relacionados à História do Brasil, valorizou-se a descoberta e análise de documentos antigos, particularmente relativos ao período colonial; publicaram-se livros, atribuiu-se maior importância à cultura nacional, locais de interesse histórico foram restaurados (para, infelizmente, serem depois abandonados, em muitos casos), construíram-se monumentos (alguns de muito bom gosto, a maioria, nem tanto). Enfim, os debates intelectuais que nasceram nesse momento alimentaram o interesse de gente pensante por um bom tempo.
E quanto ao bicentenário, a ser comemorado em 2022? Bem, os próximos anos nos trarão, necessariamente, a resposta...


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