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domingo, 15 de agosto de 2010

A arquitetura sacra paulista e mineira nas regiões cafeeiras - 5

Santuário do Senhor Bom Jesus (Monte Alegre do Sul - SP)


Quem quer que vá à pequenina Monte Alegre do Sul  por certo ficará encantado com a paisagem natural, que faz da cidade e de seus muitos hotéis campestres um excelente lugar para repouso. Não tenho dúvidas quanto ao potencial turístico da região, apenas considero-o subexplorado, uma vez que seu precioso patrimônio histórico sequer é divulgado como deveria.
Como já tive oportunidade de mencionar em outras postagens, são muitas as povoações nascidas a partir da construção de uma capelinha e, neste caso, o fenômeno se repete. A capela do Senhor Bom Jesus foi construída muito modestamente em 1873, em terras que pertenciam a Lourenço de Godoi. Entretanto, nova construção foi feita em 1882, sendo o atual edifício inaugurado em 1919 (a última restauração data de 1997). A elevação a Santuário do Senhor Bom Jesus ocorreu em 1932.
Algumas singularidades deste pequeno e belo templo são os altares (altar-mor em madeira, os demais em mármore) e as pinturas, do artista italiano D. Rocco.
A igreja é emoldurada pelo casario do século XIX e início do século XX que ainda se conserva, e que vale uma visita se você, leitor, viajar pela região.

Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário (Serra Negra - SP)


Serra Negra é famosa como estância hidromineral, pelo seu turismo de inverno, suas muitas malharias e pela indústria do vestuário em couro. Em meio a tantas atrações, seu aspecto histórico fica um pouco esquecido, mas não é, por isso, menos valioso. Menciono aqui, de acordo com o propósito desta série, a Matriz de Nossa Senhora do Rosário, por estar associada às origens da própria cidade.
A capela de N. Sra. do Rosário data de 1841, sendo edificada em terras pertencentes a Lourenço Franco de Oliveira, quando a época do apogeu do café ainda estava distante - as árvores com seus frutinhos vermelhos só viriam a integrar-se à paisagem montanhosa a partir de 1873, e, no rastro da necessidade de braços para a lavoura, a imigração italiana começou em 1880. Hoje, quem visita Serra Negra logo percebe, sem sequer precisar estudar História, que os descendentes dos imigrantes tornaram-se a maioria da população, sendo fácil notar, por toda parte, a influência italiana na arquitetura.


A atual Igreja Matriz foi construída entre os anos de 1909 e 1916, com o emprego do estilo arquitetônico toscano-lombardo, em conexão com as origens da população da cidade. Na década de 60 toda a construção passou por reforma, principalmente em seu interior, em que se destacam belas pinturas e vitrais.


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quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Esqueceram-se da placa!



Ainda em  minha ida a Monte Alegre do Sul (veja a postagem anterior), visitei uma ponte da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, datada de 1887, que se encontra em excelente estado, depois de passar por restauração mais ou menos recente. Entretanto, leitor, eis que observo um fato insólito: esqueceram-se da conservação da placa de identificação existente no local.
Paciência! Ao menos Dona  Aranha, que lá reside, cuida dela. Zelosamente.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

O conjunto arquitetônico em taipa e a Ferrovia Mogiana em Monte Alegre do Sul


Igreja do Senhor Bom Jesus
Casario em taipa
Estive visitando no domingo, dia 14, a pequena cidade de Monte Alegre do Sul. Meu interesse era ver o casario de taipa, datado de fins do Século XIX e início do Século XX. Como esperava, o estado de conservação, no geral,  não é dos melhores, mas foi divertido percorrer as ruas estreitas que nos trazem lembranças de outros tempos. Monte Alegre do Sul tem clima muito agradável e está situada no vale do rio Camanducaia, rodeada pelas elevações da Serra da Mantiqueira. A Igreja do Senhor Bom Jesus, ponto central do conjunto arquitetônico, está bem cuidada e, pelo que pude ver, não apresenta, ao menos externamente, nenhuma descaracterização significativa.
Fui depois ver a antiga estação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro, desativada, pelo que soube, em 1966. Lá funciona agora a Biblioteca Municipal e, defronte dela, há uma máquina a vapor (fabricada em 1910) e um carro de passageiros, excepcionalmente bem restaurados e conservados. Uma beleza!
Locomotiva da Cia. Mogiana
Tudo quase perfeito? Infelizmente não.
Às vezes me pergunto: quando será que as autoridades competentes vão barrar os pichadores irresponsáveis, que detratam o já combalido patrimônio histórico?
Em uma cidade cuja população residente é de mais ou menos seis mil habitantes, não deveria ser difícil, a despeito do grande movimento de turistas, controlar eventuais engraçadinhos (que, aliás, não têm graça nenhuma), que se acham no direito de arruinar a pintura de casas particulares e edifícios públicos. E, como se não bastasse, há ainda a mão, seguramente bem intencionada, de alguém que, tentando preservar, acabou descaracterizando o belo conjunto de locomotiva e carro de passageiros da extinta Mogiana ao colocar, coladas com durex, advertências para impedir o acesso indevido.
Gostaria de acreditar que medidas educativas poderiam convencer os pichadores a irem em busca de alguma forma legítima de expressão, mas não consigo ter essa inocência. É preciso que medidas punitivas sejam devidamente aplicadas.

Imagens do descuido com o patrimônio histórico

Por outro lado, não há dúvidas de que o poder público tem condições de adotar providências adequadas para promover a conservação e divulgação da memória ferroviária, sem a necessidade de recorrer a soluções prosaicas como as tais advertências coladas com durex ou a estranha amarração com arame das entradas da máquina e do carro de passageiros. Cuidando disso, a pequena e agradável Monte Alegre do Sul só terá a ganhar.


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