quinta-feira, 1 de março de 2012

Quem Pode Escrever com a "Pena de um Vampiro"?

Para que meus leitores tenham um dia feliz, nada melhor que começar esta manhã com um sorriso. Como conseguir isto? Para quem tiver senso de humor, bastará ler o que vem a seguir, tratando das confusões que se faziam sobre seres vivos da América do Sul, assunto já abordado em postagens anteriores (¹)
Pois bem, a "vítima" do dia será o Padre Ayres de Casal, que certamente prestou um inapreciável serviço com sua obra em dois volumes, datada de 1817, a Corografia Brasílica, a despeito de deixar algo a desejar em questões, por assim dizer, "zoológicas". Vejamos, então, duas citações, e será suficiente, tenham certeza:
"O cupim é uma formiga pequena, esbranquiçada e gorda, que só se mantém do farelo de lenho (...)." (²)
E, se essa chega a doer, vem coisa pior. Referindo-se à Guiana Francesa, então ocupada por ordem da Coroa Portuguesa, o mesmo Padre Ayres de Casal escreveu:
"Posto que o vento leste refresque a atmosfera todas as manhãs, o ar é doentio por causa dos pântanos que o infeccionam, e criam multiplicadas espécies de insetos, como sejam mosquitos, sapos, rãs, moscardos, formigas e outros, que incomodam a gente." (³)
Cupins viram formigas, sapos e rãs são insetos - coisas que enlouqueceriam Carl von Linné. Mas, para não deixar Ayres de Casal solitário em tão má situação, concluo com uma referência literária de ninguém menos que Machado de Assis, em seu conto "Bagatela", datado de 1859:
"É um morto que te escreve, meu caro Henrique, um verdadeiro morto, com a tinta negra do Estígio lago, e com a pena arrancada à asa de uma qualquer ave noturna ou maligna, vampiro ou o que quiseres."
Pena de um vampiro, Machado?

(1) Veja, sobre isso:
(2) AYRES DE CASAL, Manuel Corografia Brasílica, vol. 1
Rio de Janeiro: Impressão Régia, 1817, p. 74
(3) AYRES DE CASAL, Manuel Corografia Brasílica, vol. 2
Rio de Janeiro: Impressão Régia, 1817, p. 357


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