terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Um Sonho de Natal - Os Brinquedos de Antigamente

Tente lembrar, leitor, qual foi, em sua infância, o presente de Natal mais esperado. Não cometerei a indiscrição de perguntar se recebeu-o ou não... Como se sabe, Papai Noel não traz presentes para crianças desobedientes e pouco estudiosas. Em vez disso, e fazendo jus ao propósito desde blog, trataremos de descobrir quais eram os presentes mais almejados nas primeiras décadas do século XX.
Nessa empreitada, vêm em nosso socorro dois anúncios publicados em diferentes edições de A Cigarra, sendo a primeira  do dia 1º de dezembro de 1919 e a segunda de 27 de setembro de 1930. Vai, portanto, pouco mais de uma década de distância entre uma e outra.
O primeiro caso, como se vê abaixo, é um anúncio de página inteira, com ilustrações bem interessantes das mercadorias oferecidas:


Bonecas, instrumentos musicais, bolas, cavalinhos de madeira sobre rodas, velocípede - aos jovens leitores, explico que velocípede era o nome dado a uma bicicleta de três rodas. Tive um mais ou menos assim, embora, obviamente não tenha vivido em 1919. Posso assegurar que era muito divertido correr com ele. O caso é que, em última instância, são brinquedos que, em suas respectivas versões contemporâneas, podemos encontrar em qualquer boa loja. Mas vamos adiante.
O segundo anúncio, também de página inteira, mostra brinquedos que seriam entregues a título de premiação para os vencedores de um concurso (o título diz: "Alguns dos ricos prêmios do Grande Concurso de Natal de "O Tico-Tico"" (*)).


Imagino que devia haver prêmios específicos para meninas, já que estes, pelo menos na época, pareciam ser destinados aos guris. Vemos modelos de automóveis, ônibus (de um tipo mais conhecido como "jardineira" aqui em São Paulo), um barco a motor, uma tuba, um caminhão de bombeiros. Esses são brinquedos que até hoje fariam a alegria de um colecionador. Infelizmente, o concurso foi há oitenta anos...
Dadas as condições econômicas do Brasil ao tempo desses anúncios, dado também o fato de ser a população eminentemente rural, sem acesso a lojas especializadas, é provável que brinquedos assim tenham sido presenteados a bem poucos meninos e meninas, àqueles cujas famílias, vivendo em áreas urbanas, tinham recursos suficientes para admitir tal luxo. Para a maioria das crianças, os presentes de Natal eram, no máximo, bonecas de pano feitas pelas mães ou avós, um cavalinho de pau feito pela habilidade paterna, talvez algum brinquedo barato. Seriam felizes os que recebiam tais presentes? Não podemos ter nenhuma ideia dos casos individuais, mas sabe-se que, ao menos no Brasil, ainda não predominava nenhuma regrinha capitalista obrigando a crer que "quanto mais caro, melhor". O que não impedia, que, vez por outra, uma belíssima boneca que abria e fechava os olhinhos brilhantes ou um modelo perfeito de automóvel pudesse frequentar os sonhos da criançada.

(*) TICO-TICO era uma revista infantil que, na época, fazia muito sucesso.

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