Mostrando postagens com marcador Mitologia nórdica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mitologia nórdica. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de junho de 2017

Os corvos de Odin e as araras dos Araés

Odin, o deus nórdico, queria estar sempre atualizado. Para isso contava com a ajuda de dois corvos, que, sentados, um em seu ombro direito e outro em seu ombro esquerdo, traziam continuamente um relatório do que viam enquanto voejavam mundo afora (¹).
Se saísse da mitologia nórdica e viesse para a América do Sul, é possível que, em lugar dos dois corvos, Odin arranjasse dois papagaios. Seriam, com toda probabilidade, mais falantes, e talvez até tivessem mais para contar...
Dois papagaios - ou seriam duas araras?
Ao que parece, havia uma crença entre indígenas do Brasil Central, de que a aproximação dos que não eram indígenas era notificada por araras, de acordo com o que escreveu José Vieira Couto de Magalhães:
"Diversos bandos de araras passaram por cima de nossas cabeças; referiram-me que os índios dos Araés têm uma crença por virtude da qual pensam que, quando suas aldeias têm de ser visitadas pela nossa gente, as araras os advertem disso, esvoaçando e gritando por cima de suas moradas." (²)
Araras ou corvos novidadeiros faziam sentido na imaginação de quem vivia em tempos nos quais as comunicações eram lentas. Por isso, não deixa de ser intrigante que ainda exista quem venha dizer: Um passarinho me contou que...

(1) A conclusão óbvia é que, para a mentalidade nórdica, Odin, o maior dos deuses, não era, por si mesmo, onisciente.
(2) MAGALHÃES, José Vieira Couto de. Viagem ao Rio AraguaiaGoiás: Tipografia Provincial, 1864, p. 153.


Veja também: