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terça-feira, 14 de maio de 2019

Trezentas cabeças de lobo

Com justiça ou sem ela, lobos são ícones da perversidade. O olhar lupino, sagaz e perscrutador, é mesmo feito para congelar o sangue dos mais valentes. Imagine-se, então, quando a ameaça vem, não de um lobo, apenas, mas de alcateias! 
A coisa é tão séria que, a cada inverno, um ou outro país acaba autorizando, mesmo em nossos dias, a caça restrita de lobos, seja porque atacam rebanhos, ou porque ameaçam povoações isoladas. Imagine-se o que seria, então, na Europa Medieval, com o povoamento menos denso, as dificuldades de comunicação e os caminhantes obrigados a se deslocarem, às vezes sob frio intenso, por rotas quase desertas, a não ser, talvez, pelos lobos famintos que perambulavam à espera de uma refeição.
Acham que estou exagerando, leitores? Posso provar que não. Aconteceu na segunda metade do Século X, quando Edgar I era rei da Inglaterra. Nessa época, inúmeras alcateias vagueavam pela Grã-Bretanha, constituindo-se em verdadeira ameaça à segurança da população. Foi aí que o rei teve uma ideia que, àquela altura dos acontecimentos, soou brilhante, ainda que, para nós, hoje, talvez pareça exageradamente antiecológica: determinou que o imposto anual a que os galeses estavam sujeitos fosse pago com trezentas cabeças de lobo. Querem saber o resultado? Em cerca de quatro anos o "problema dos lobos" desapareceu. Que governo eficiente!...


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sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Método usado pelos saxões para determinar se um acusado era inocente

A dificuldade existe desde tempos imemoriais - como descobrir se alguém acusado de um delito qualquer é ou não culpado?
Da Mesopotâmia de uns mil e setecentos anos antes de Cristo veio o Código de Hamurabi, segundo o qual o denunciado devia ser jogado no rio Eufrates. Se sobrevivesse, era declarado inocente. Se não... Se não, era considerado culpado, já estava, de todo modo, morto e, como vantagens adicionais, poupava aos magistrados o trabalho da execução e lançava a responsabilidade da sentença sobre as águas do rio ou sobre os deuses.
Os saxões que, durante a Idade Média, foram migrando da Europa Continental para a Grã-Bretanha, tinham um método para determinar a culpabilidade que lembra um pouco a "lógica" do Código de Hamurabi. Como verão, senhores leitores, o procedimento era bastante simples.
Uma bola de ferro era aquecida, até que ficasse incandescente. O acusado era então trazido à presença dos magistrados, sendo por eles convidado a segurar a dita bola de ferro. Se não sofresse qualquer queimadura, era declarado inocente e, ato contínuo, posto em liberdade. Antes dessa horripilante prova o acusado ou acusada tinha um tempo apropriado para jejuar e fazer suas orações, o que era, afinal, uma evidência de grande humanidade e justiça, não é mesmo?

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