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terça-feira, 6 de abril de 2021

Trabalhos manuais na escola, para meninos e meninas

Faz algum tempo, ouvi um idoso relatar que, quando menino, aprendeu na escola a fazer entalhes em madeira, nas aulas de trabalhos manuais. Em outra ocasião, uma senhora, também bastante idosa, explicou-me que na escola primária que frequentara quando menina havia um horário reservado, a cada semana, para o ensino de bordado e outros trabalhos de agulha. É bom considerar, leitores, que isso acontecia quando, na maioria das escolas, as classes eram separadas por sexo. 
Na edição de janeiro de 1905, a revista Echo Phonographico trouxe um anúncio de "serras de educação", cujo uso era, provavelmente, destinado às aulas de trabalhos manuais:
"Útil, instrutiva e interessante invenção. Própria para meninos e meninas. Constitui um interminável divertimento. Não exige experiência ou perícia. Qualquer pessoa pode usar este aparelho. Fabricado em 3 tamanhos." (¹)
A imagem algo precária que acompanhava o texto mostra que devia ser uma espécie de serra tico-tico (serra de arco) manual:


O anúncio dizia, ainda:
"As Serras de Educação são as melhores que se encontram no mercado. [...] Cada serra é acondicionada numa bonita caixa com indicações completas para o seu uso, contendo 28 peças, a saber: 1 armação da serra; 1 sovela; 1 folha de papel de lixa; seis lâminas de serra; 15 modelos; uma folha de papel de impressão; 1 fita V; 2 parafusos." (²)
Suponho que um estabelecimento de ensino que resolvesse adotar o uso de pequenas serras para trabalhos com madeira e/ou outros materiais deveria ter uma oficina adequada para as aulas. Não seriam muitas, evidentemente, as escolas assim, mas além de fundamentos de marcenaria, muitas outras tarefas poderiam ser aprendidas ao longo dos anos escolares, em um claro reconhecimento do valor de atividades práticas na formação de crianças e adolescentes. No mínimo, as aulas poderiam resultar na aquisição de um hobby muito útil, constituindo-se, também, em um complemento aos estudos tradicionais em outras disciplinas. É uma pena que, por razões que não discutiremos agora, essa ideia tenha, com o tempo, desaparecido quase por completo. Poderia retornar, adequada ao nosso século, é claro.

(1) ECHO PHONOGRAPHICO, Ano III, nº 35, Janeiro de 1905, p. 11.
(2) Ibid.


Veja também:

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Contra mosquitos, baratas e ratos

Compartilhar este planeta com certas espécies não tem sido exatamente uma aventura agradável para a humanidade, ainda que se reconheça o papel ecológico até de seres incômodos como são as baratas. Quem é que gosta delas? Aquelas longas antenas perscrutando o ambiente para uma investida desafiam a persistência até de maníacos por limpeza.
Guerra declarada contra baratas, portanto, mas não só contra elas. O Echo Phonographico, uma espécie de catálogo de produtos que podiam ser adquiridos pelo correio, trazia, em 1904, estes dois anúncios:
"Pó exterminador: o único infalível para extinguir pulgas, percevejos, mosquitos e outros insetos. Preço 1$000." (¹)

"Mata barata: Duas ou três latas acabam completamente com todas as baratas em sua casa. Preço da lata 1$600 réis." (²)
Que ilusão! Extinguir insetos? Talvez nem seja desejável. O mais bizarro, contudo, é este anúncio de uma espingarda de ar comprimido, que apareceu na mesma edição do Echo Phonographico:
"Sólida, atirando bolas de chumbo ou flechas, servindo para matar ratos e outros bichos. Tem boa pontaria.
Preço 15$000, com 12 flechas e 200 bolas 20$000. Frete a pagar [....]." (³)


No começo do Século XX a população rural era predominante. Seria desastroso, em um sítio ou fazenda, se ratos tivessem a péssima ideia de infestar o celeiro. Combatê-los com eficiência tinha a maior importância. A solução proposta pelo Echo Phonographico era inusitada, e isso é o mínimo que se pode dizer (⁴). Quem é que pensaria em deter uma praga de ratos com flechadas?  
Tentem imaginar, leitores, um fazendeiro furioso, ao perceber indícios da presença de ratos em seu estoque de milho; empunha, portanto, a dita espingarda, carrega uma flecha e um exército de murídeos à sua frente, como a zombar da pontaria, corre em todas as direções. Estranho desporto, esse... 

(1) ECHO PHONOGRAPHICO, Ano III, nº 22, janeiro de 1904.
(2) Ibid.
(3) Ibid.
(4) Não é improvável que esse brinquedinho pérfido fosse usado para matar pássaros.


Veja também: