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quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Os saltos do Piracicaba e do Tietê, há quase um século e atualmente

Vai aqui, hoje, uma postagem diferente do habitual. Os leitores verão, a seguir, duas fotos com quase cem anos - a primeira, do salto do rio Piracicaba (na cidade de mesmo nome), tendo M. Ferraz como fotógrafo, publicada na revista A Cigarra em 15 de maio de 1919 (¹), e a segunda, do salto do rio Tietê, (na cidade de Salto - SP), também publicada em A Cigarra, desta vez na edição de 30 de abril de 1918 (²). Não há, neste segundo caso, menção do nome do fotógrafo.
Cada uma dessas fotos quase centenárias está acompanhada de uma outra, atual, dos mesmos lugares (ainda que não com o mesmo ângulo de visão). Para tornar a coisa mais interessante, são dois exemplares de fotografia infravermelha.

Salto do Piracicaba






Salto do Tietê





Divirtam-se, senhores leitores, e tenham um ótimo dia!
Observação muito importante: O aspecto um tanto leitoso do rio Tietê não é obra do acaso, nem uma peça que nos prega a fotografia infravermelha. Trataremos da explicação desse "fenômeno" na próxima postagem.

(1) Ano VI, nº 112.
(2) Ano V, nº 90.


Veja também:

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Viajantes estrangeiros no Brasil do Século XIX - O salto do Tietê (Parte 2)

Escultura às margens do Tietê representando
os viajantes que percorreram a região.
Hoje, leitor, as palavras serão poucas (as imagens dirão muito por si mesmas). Na postagem anterior referi-me aos viajantes estrangeiros que, ao longo do século XIX, percorreram o Brasil. Pois bem, há, na cidade de Salto (S.P.) um belíssimo monumento celebrando a passagem desses viajantes pelo lugar. É parte de um conjunto de seis esculturas (Índio, Bandeirante, Jesuíta, Viajante, Pescador e Operária), de autoria do artista plástico Murilo Sá Toledo, que pretende retratar personagens de destaque para a História local. Estão instaladas às margens do Rio Tietê, nas proximidades da grande queda d'água retratada por H. Florence (veja a postagem anterior), fazendo parte do Memorial que celebra o rio e sua importância para o Estado de São Paulo e para o Brasil. É um lugar que vale a pena visitar.
Entretanto, não sendo a primeira vez que passava por ali, notei recentemente um fato de arrepiar os cabelos. Sendo época de chuvas e, portanto, de elevação do nível das águas, constatei nas margens do rio uma quantidade enorme de lixo de todo tipo, havendo, em particular, garrafas e outros objetos de plástico, que a correnteza arrastou. Ora, isso tem que parar. O que ocorre com o Tietê acontece similarmente com a maioria dos rios no Sudeste.


Durante muito tempo acreditou-se, na maior parte do mundo ocidental, que a industrialização era, necessariamente, sinônimo de "progresso", ainda que a um preço absurdamente alto, o da destruição irresponsável dos recursos de que a humanidade necessita para sobreviver. Sabemos, agora, que não é assim, mas fugimos a todo custo de qualquer tentativa séria de reverter a situação, desconfiando de que venha a significar a redução de algum suposto conforto. Até quando? Desconheço a resposta, leitor, mas posso antever as consequências...

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Viajantes estrangeiros no Brasil do Século XIX - O salto do Tietê (Parte 1)

Ao longo do século XIX diversos viajantes estrangeiros, na condição de artistas e/ou cientistas, percorreram o Brasil, tanto a serviço do governo (em "missões científicas"), como também em empreendimentos particulares. Vários desses viajantes deixaram memórias, algumas delas escritas, outras na forma de desenhos e pinturas, que hoje, por uma série de razões, constituem um valioso material de estudo sobre o Brasil daquela época.  Dentre essas razões podem ser mencionadas:
- Como estrangeiros, esses viajantes lançavam sobre o Brasil um olhar de curiosidade ou até mesmo de estranhamento, refletindo em seus relatos aspectos do quotidiano que, aos autores naturais da terra, chegavam a passar despercebidos ou sequer eram referidos por parecerem demasiado óbvios;
- No século XIX o Brasil era uma nação majoritariamente analfabeta, razão pela qual eram produzidos poucos documentos escritos e, assim, as obras deixadas pelos viajantes estrangeiros ganham em significado, pois acrescem fontes de investigação a um universo consideravelmente restrito;
- Além disso, os viajantes percorreram um Brasil ainda pouco conhecido e pouco devastado e, no caso específico do Estado de São Paulo, antes do espalhar-se das fazendas de café e da industrialização, o que significa que seu testemunho revela aspectos da topografia original, da fauna e da flora que, não fosse assim, talvez permanecessem absolutamente incógnitos.
A lista dos nomes desses viajantes é enorme. Menciono aqui apenas três, pela importância de sua obra - Rugendas, Debret e Hércules Florence - e passo, a seguir, com respeito à obra deste último, a examinar um detalhe de seu relato e de sua produção artística, conforme aparece em Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas de 1825 a 1829 (¹). Como desenhista da Expedição Langsdorff, H. Florence esteve junto ao então chamado "Salto de Itu", que assim descreveu e assim retratou:


"Uma légua antes de chegar a Itu, transpõe-se o Tietê numa ponte de madeira. É o salto de Itu. Desde a ponte, o leito do rio se inclina: a água adquire forte correnteza; esbarra de encontro a rochas esparsas; espuma em torno; espadana branca como neve; precipita-se entre dois grandes maciços e forma uma primeira queda de 15 pés de altura mais ou menos. De contínuo se ergue espesso nevoeiro que o vento atira sobre as árvores. Adiante as águas fervem em curso vertiginoso; em borbotões saltam pelas pedras; chocam-se cachões contra cachões; desfazem-se em líquida poeira; rugem nas margens e alternadamente submergem ou descobrem grandes rochas. É a imagem eterna do mar em fúria.
Abaixo uns 800 passos da queda, volta o Tietê à tranquilidade primitiva e corre então mansamente por entre espesso e verdejante mato." (²)
Atualmente, leitor, o lugar é conhecido como "Salto do Tietê", já que pertence ao município de Salto, e não ao de Itu. Diz-se que o volume de água diminuiu bastante desde a construção da barragem, mas você poderá comparar por si mesmo a ilustração de H. Florence com a situação presente, assistindo ao pequeno vídeo abaixo.



(1) FLORENCE, H. Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas de 1825 a 1829. Brasília: Ed. Senado Federal, 2007.