quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

A Introdução do Cultivo de Espécies Vegetais do Velho Mundo no Brasil Colonial

Embora os frutos exóticos das árvores do Brasil despertassem entusiasmo nos primeiros colonizadores, não há dúvida que aqueles que pretendiam estabelecer-se, ainda que temporariamente, na Colônia, logo tentaram cultivar, em terras da América, as espécies do Velho Mundo que mais apreciavam. Assim é que, na primeira metade do século XVII, escreveu Frei Vicente do Salvador (¹):
"Das árvores e plantas frutíferas que se cultivam em Portugal, se dão no Brasil as de espinho com tanto viço e fertilidade, que todo o ano há laranjas, limões cidras e limas doces em muita abundância. Há também romãs, marmelos, figos e uvas de parreira, que se vindimam duas vezes no ano, e na mesma parreira se têm juntamente uvas em flor, outras em agraço, outras maduras, se as podam a pedaços em tempos diversos."


Além disso, também já se cultivavam hortaliças e ervas aromáticas, tão prezadas na culinária lusitana:
"Finalmente se dá no Brasil toda a hortaliça de Portugal, hortelã, endros, coentro, segurelha, alfaces, acelgas, borragens, nabos e couves (...)." (²)
É certo que nem todos os experimentos foram bem sucedidos - algumas espécies, para serem cultivadas com sucesso no Brasil, precisaram esperar por séculos, até que pesquisas científicas levassem ao desenvolvimento de variedades compatíveis com o clima e o solo. Entretanto, a extensão latitudinal da Colônia favorecia amplamente a experimentação, e as descrições favoráveis dos resultados indicam que, para os padrões portugueses da época, a produção de algumas espécies não-nativas era já bastante aceitável.

(1) História do Brasil, c. 1627.
(2) Ibid.


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