terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Unidades de Medida de Uso Culinário no Século XVIII e Início do Século XIX

Quem folheia hoje um livro de receitas culinárias percebe facilmente que muitas das medidas empregadas pertencem ao Sistema Métrico Decimal, que é usado quase no mundo todo. A padronização é vantajosa, pois torna possível a fácil compreensão das medidas, mesmo em textos escritos dentro de culturas muito diferentes entre si. A utilização das chamadas "unidades imperiais" britânicas em poucos países não invalida esse fato.
Entretanto, antes que o uso do sistema métrico se generalizasse, consultar um livro de receitas podia ser uma aventura de resultados práticos um tanto desastrosos, se o cozinheiro ou cozinheira não estivesse devidamente familiarizado com o uso das medidas ali mencionadas. Para ter uma ideia do que isso realmente significava, veja abaixo uma pequena lista de medidas culinárias que estiveram em uso até meados do século XIX, e descubra quantas conhece:

Alcatruz - Concha, balde, colher.

Almude - equivalente a 16,8 litros.

Arrátel - equivalente a 0,459 quilogramas.

Canada - equivalente a 1,4 litros.

Covilhete - pratinho usado para sobremesas ou doces.

Libra - aproximadamente o mesmo que um arrátel, a libra é proveniente do sistema britânico de medidas, valendo aproximadamente 0,453 gramas.

Quartilho - 0,35 litros.


Balança Antiga (*)

O aparecimento no mercado, particularmente desde fins do século XIX, de balanças mais precisas, tanto de uso geral quanto especificamente culinário, bem como a generalização do emprego do sistema métrico decimal, mais prático e lógico, permitiram que gradualmente essas ambiguidades nas medidas fossem acabando. Ainda assim, são ainda usuais em muitos livros de receitas algumas expressões do tipo "uma colher de sopa", "um copo", "uma xícara", "uma colher de café" ou, pior ainda, "uma pitada", "um pouco de" ou "uma porção de". Qual o problema? Há copos e xícaras de diversos tamanhos, as colheres podem estar mais ou menos cheias e a pitada depende da percepção que cada um tem do que seja isso. E pensar qual foi a origem dessa expressão...


(*) A balança da foto pertence ao Museu da Cidade de São Pedro, SP.


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