quinta-feira, 6 de outubro de 2011

A Pequena Matriz de São Sebastião, Uma Igreja do Século XVII

"A Vila de S. Sebastião, assim chamada do padroeiro de sua Matriz, é ainda pequena, de casaria mesquinha, e ruas de areia. Está sobre o Estreito de Toque-Toque em frente da ilha do seu nome, junto à embocadura de um rio inconsiderável, no princípio de uma planície fértil, onde pode florescer uma agricultura assaz variada; e que esteve largos anos quase abandonada por causa de não se permitir aos fazendeiros a liberdade de exportar as suas produções para onde melhor interesse lhes fizessem.
Perto de uma légua a Leste em um sítio vistoso há um convento de Franciscanos, e junto dele um arraial denominado o Bairro: as mulheres ocupam-se em olarias; os homens, uns na pescaria, outros na cultura de vários comestíveis." (*)
A cidade de São Sebastião de hoje não corresponde, é claro, à descrição de Ayres de Casal (cuja obra foi publicada em 1817), mas a igrejinha ainda está lá, e é um exemplo bem interessante da arquitetura sacra seiscentista, simples, modesta, refletindo fielmente as condições de vida difíceis dos primeiros tempos da colonização, tempos nos quais a intensa religiosidade fazia da igreja o centro da vida social de um povoado, por isso mesmo demandando, ao ser edificada, o que de melhor houvesse à disposição. Daí o interesse dessa pequena edificação, conforme meus leitores podem ver nas fotos desta postagem.
O trecho citado da Corografia Brasílica faz referência ainda a entraves à exportação que impediam o desenvolvimento da agricultura - e diga-se, não apenas em São Sebastião, mas em todo o litoral norte em princípios do século XIX. Disso trataremos na próxima postagem. Por hora, ficamos com as fotos da igreja.

1. Fachada da Igreja Matriz de São Sebastião, edificada no século XVII:



2. Entrada principal:



3. Uma das portas laterais, através da qual se pode ver a espessura da parede:



4. Vista do interior da igreja:



5. Pia Batismal:



6. Vista externa da torre com sino:



(*) AYRES DE CASAL, Manuel Corografia Brasílica, vol. 1, 1817, p. 238


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