É sabido que muito dos valores da sociedade medieval provinha de um sincretismo entre tradições romanas e costumes bárbaros. O uso de que cavaleiros tivessem um escudeiro como auxiliar parece vir do sistema amplamente empregado, segundo Júlio César, entre os germanos que viviam além do Reno:
"Seis mil cavalos iam escoltados por número correspondente de infantes, selecionados individualmente entre os mais velozes e mais valentes, pelos homens da cavalaria, de modo que cada um escolhia o que mais lhe agradava; cavaleiro e infante entravam juntos em combate, de modo que, se um cavaleiro era ferido, o infante o socorria imediatamente; em marchas forçadas ou em retiradas esses infantes eram, pelo treino frequente, tão rápidos, que, agarrados à crina dos cavalos, corriam ao lado dos animais." (¹)
Isso é o que encontramos em De Bello Gallico. César devia saber do que falava, já que as tropas por ele comandadas enfrentaram germanos não poucas vezes. Mas, quanto à questão do hábito medieval de que cavaleiros tivessem, cada um deles, seu respectivo escudeiro, há que observar uma diferença nada desprezível em relação ao costume bárbaro (²). Os cavaleiros germanos elegiam por seus companheiros os mais hábeis dentre os soldados da infantaria; já os escudeiros que acompanhavam os cavaleiros da Idade Média não eram militares experientes, mas jovens aprendizes que, acompanhando um guerreiro tarimbado, estavam em contínuo treinamento que iria levá-los, aos poucos, ao pleno conhecimento dos segredos bélicos, tais como se afiguravam em seus dias.
(1) Tradução de Marta Iansen para uso exclusivo no blog História & Outras Histórias.
(2) Para romanos e gregos, era bárbaro todo aquele cuja língua materna não fosse nem o latim e nem o grego.
(2) Para romanos e gregos, era bárbaro todo aquele cuja língua materna não fosse nem o latim e nem o grego.
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