quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O Centenário da Primeira Guerra Mundial

A coisa pode ser um pouco arbitrária, mas, a meu julgar, o maior centenário deste ano de 2014 é mesmo o do início da Primeira Guerra Mundial - a Grande Guerra, como diziam seus contemporâneos, antes, é claro, de que a Segunda acontecesse.
O banho de sangue em "escala industrial" (para usar uma expressão já um tanto surrada), pelas alturas de 1914 não era exatamente uma novidade. Afinal, só como exemplo, a Guerra Civil Americana (*) fora responsável, ainda no século XIX, por uns seiscentos mil mortos. Armamento de tiro rápido garantia isso. As proporções internacionais da carnificina é que, no caso da Primeira Guerra Mundial, fizeram toda a diferença.
Porém havia mais: a guerra, que se supunha breve, arrastou-se por anos (**), enquanto jovens vidas promissoras apodreciam em trincheiras infectas, sem que disso nenhum benefício, no fim das contas, pudesse ser tirado para a sociedade civil. A miséria, a proliferação de doenças (como a gripe, dita "espanhola"), o revanchismo de Versalhes, os ódios nacionalistas ainda mais espicaçados, a brutal crise econômica, acabaram com as esperanças de toda uma geração e abriram as portas para que, num futuro não muito distante, uma conflagração muito pior e - essa sim - verdadeiramente mundial, ocorresse.
Fica disso tudo, a desagradável constatação de que a humanidade tem uma dificuldade tremenda em aprender com os próprios erros: duas guerras mundiais não foram, em absoluto, suficientes para consolidar, ao menos em escala ampla, o respeito a ideias pacifistas autênticas e, a bem da verdade, nunca se sabe quando é que uma outra confrontação mundial poderá começar. Basta um pretexto, e um deles estará sempre à mão, sempre que razões políticas e econômicas sobrepassem o valor que se atribui às vidas de milhões de seres humanos.

(*) Ou Guerra da Secessão.
(**) Tendo começado oficialmente em 28 de julho de 1914, só terminou em 11 de novembro de 1918. Curiosamente, os generais, de ambos os lados inicialmente envolvidos no conflito (as chamadas "Tríplice Aliança" e Tríplice Entente"), expressavam o ponto de vista de que a guerra seria curta, de modo que os soldados voltariam em tempo de passar o Natal com a família...

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