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domingo, 3 de outubro de 2010

Guia das Profissões que Deixaram (ou Deixarão) de Existir

O que você vai ser quando crescer? Estou certa de que você já fez essa pergunta algumas vezes na vida, quase sempre para "puxar papo" com um sobrinho, filho do vizinho ou outro pequeno muito tímido ou que "não vai com a sua cara", não é, leitor? Pois saiba que, se você vivesse, digamos, há trezentos anos, as respostas poderiam ser bem diferentes daquelas que você ouvirá caso faça essa pergunta hoje. Muitas profissões surgiram e desapareceram, enquanto outras ainda sobrevivem, havendo também algumas, já muito antigas, porém em muito boa forma - ainda precisamos de cozinheiros, médicos, historiadores... e assim por diante. Mas já não necessitamos da competência de um caçador de mamutes, por exemplo.
Dedico esta postagem a algumas profissões já desaparecidas e a outras semidefuntas. Veja quais delas você conhece:
FERREIRO - era o profissional capaz de forjar peças em diversos metais (e não apenas ferro), fazendo uso de instrumentos como o martelo, a bigorna e o fole. Com o desenvolvimento da indústria metalúrgica, perdeu espaço enquanto trabalhador autônomo.
FOGUISTA - era o encarregado de manter em funcionamento as máquinas a vapor, mediante o abastecimento delas com material apropriado, tal como carvão. As ferrovias turísticas, que usam locomotivas a vapor, têm ainda seus foguistas, mas de um modo geral a profissão declinou, apesar de já ter sido muito significativa, tanto na indústria quanto nos transportes, e não apenas nas ferrovias, mas também nas embarcações a vapor.
ESTALAJADEIRO - era o proprietário ou gerente de uma estalagem que, antes da existência dos hotéis, era o lugar onde os viajantes encontravam lugar para dormir, comer e abrigar seus animais de carga e montaria.
MONTEIRO - também chamado couteiro, era o profissional especializado em caçadas, com a obrigação de auxiliar a nobreza nesse "esporte".
AGUADEIRO - nem sempre as casas tiveram redes de água encanada e, portanto, o abastecimento dependia, ao menos em parte, desse trabalhador que percorria as ruas vendendo e entregando água.

"Carregadores de Água", por Hércules Florence (*)

ARMEIRO - era o profissional especializado em fabricar e efetuar manutenção em armaduras, espadas, etc. Hoje em dia, os poucos armeiros existentes fazem a conservação de peças de museu e fabricam armaduras, geralmente sob encomenda, para colecionadores.
COCHEIRO - era o profissional treinado para conduzir os cavalos das carruagens. Como não costumamos mais usar carruagens, só há trabalho, eventualmente, em locais turísticos.
FIANDEIRA - eis aqui uma profissão que, desde tempos remotos, era, quase sempre, confiada a mulheres. Consistia na habilidade de fazer fios, geralmente com o auxílio de uma roca, que seriam, por sua vez, usados para fazer tecidos.

Roca para Fiar (Museu Gustavo Teixeira, São Pedro - SP)

JOGRAL - era um músico profissional que, na Idade Média, era pago para divertir os convidados em uma festividade.
CUTELEIRO - era o profissional que fabricava, artesanalmente, uma variedade de instrumentos cortantes, tais como facas, navalhas, tesouras, etc. Ainda há cuteleiros, atendendo principalmente às encomendas de colecionadores.
LENHADOR - era o trabalhador que, usando machado ou serra manual, derrubava árvores que deviam servir como lenha para abastecer residências, tanto para aquecimento como para cozinhar. Embora haja muitos lenhadores atualmente, a moderna profissão é muito diferente daquela em que todo o trabalho era movido a músculos.
LITEIREIRO - era o condutor de liteiras. No Brasil Colônia e Império esse trabalho era desempenhado quase que exclusivamente por escravos.
ALMOCREVE - era o profissional que alugava e/ou conduzia animais de carga, muitas vezes atuando como guia em estradas perigosas e pouco conhecidas pelos viajantes.
DATILÓGRAFO - essa profissão, leitor, eu a tenho visto desaparecer diante de meus olhos. Era o profissional especializado em datilografia, quer dizer, em escrever à máquina. Foi substituído pelo digitador, com a vantagem de que se pode obter de um texto tantas cópias quantas se desejar, e não apenas umas poucas, (isso quando se usava papel carbono), além de salvar o texto digitado para uso posterior. Com as máquinas de escrever, seria preciso datilografar tudo novamente. Digo, no entanto, que os digitadores também desaparecerão, quando tivermos equipamentos capazes de transformar nossos pensamentos em textos prontos, sem erros de ortografia ou pontuação e, de preferência, sem as nossas divagações, ainda que entre parênteses. Mas até que esse dia chegue, já decidiu o que vai ser quando sua atual profissão desaparecer?

(*) FLORENCE, Hércules Viagem Fluvial do Tietê ao Amazonas de 1825 a 1829
Brasília: Ed. do Senado Federal, 2007, p. 5

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